Utentes do Médio Tejo exigem que urgências se mantenham abertas e lembram falta de alternativa. Foto: mediotejo.net

“Com os problemas que existem ao nível dos cuidados primários de saúde, com largas zonas do país e milhares de utentes sem médico de família, as urgências funcionam como um porto seguro”, disse Manuel José Soares, porta-voz da CUSMT, numa vigília hoje realizada à entrada do hospital de Abrantes, onde funcionam as Urgências Médico-Cirúrgicas (UMC) e a Urgência de Obstetrícia e Ginecologia do Centro Hospitalar Médio Tejo (CHMT), e onde a maternidade está também instalada.

A Comissão de Utentes, que juntou uma dezena de populares à entrada da unidade hospitalar, lembrou que “o CHMT registou, só no dia 02 de outubro, 480 episódios de urgência nos três hospitais” que agrega (Abrantes, Tomar e Torres Novas), para reiterar a necessidade da prestação de cuidados de saúde a milhares de pessoas diariamente.

“Não estamos a exagerar quando falamos em milhares de utentes”, indicou, tendo feito notar que o CHMT e o Serviço Nacional de Saúde (SNS) desempenham um “papel importantíssimo, quer humano, quer social, de prestação de cuidados às pessoas que necessitam”.

ÁUDIO | MANUEL JOSÉ SOARES, PORTA-VOZ UTENTES DA SAÚDE MÉDIO TEJO:

A CUSMT levava as reivindicações expressas num documento que era distribuído a quem passava junto ao hospital, umas mais genéricas relativas ao SNS, outras mais específicas à unidade hospitalar de Abrantes, local junto ao qual decorreu a ação.

“A nossa exigência é só uma: resolvam as situações de maneira a que as cinco urgências do CHMT funcionem” todos os dias, 24 sobre 24 horas, afirmou o representante dos utentes.

“Primeiro, a UMC, que é única, aqui em Abrantes, segundo, as urgências básicas em Tomar e em Torres Novas, depois a Urgência Pediátrica, instalada em Torres Novas e que defendemos que, quando houver condições, se deve estender aos três hospitais, e a outra refere-se à maternidade” [Urgência de Ginecologia e Obstetrícia e bloco de partos], que está situada em Abrantes.

“No Médio Tejo não há alternativa social ou privada aos serviços públicos prestados pelo SNS. É elementar que todos os seus serviços estejam abertos”, vincou.

Utentes do Médio Tejo exigem que urgências se mantenham abertas e lembram falta de alternativa. Foto: mediotejo.net

A CUSMT defendeu em Abrantes “um maior investimento em ações de prevenção da doença, cuidados de saúde de proximidade com o reforço do número de médicos e outros profissionais e mais Unidades de Cuidados à Comunidade (UCC), o funcionamento permanente da maternidade, realçando a preocupação quanto ao aparecimento, no futuro, de um qualquer plano que implique planos de contingência permanentes, e apoio à luta dos trabalhadores da saúde por melhores condições de trabalho e salariais”.

O documento distribuído mencionava ainda a questão das obras da Urgência de Abrantes, “um processo que já era para estar em desenvolvimento, mas atrasou”, lembrou José Soares, fazendo “votos para que chegue o mais depressa possível o “visto” do Tribunal de Contas”.

“O processo está ainda em fase de preparação administrativa. Por isso, sofrem os profissionais e os utentes, pois as condições logísticas da urgência médico-cirúrgica do CHMT não estão de momento a funcionar em condições”, afirmou.

ÁUDIO | MANUEL JOSÉ SOARES, PORTA-VOZ UTENTES SAÚDE MÉDIO TEJO:

No dia anterior, em Torres Novas, a CUSMT defendeu a valorização dos cuidados hospitalares com garantia/exigência do funcionamento permanente das Urgências (no caso de Torres Novas, a Urgência Pediátrica e a Urgência Básica), tendo sido realçada a reivindicação de atribuição da Urgência Médico-Cirúrgica a todo o CHMT, assim como a aplicação do princípio da “porta de entrada/porta de saída” com o reforço dos transportes inter-hospitalares.

Os utentes da saúde fizeram notar ainda que “a intervenção das populações foi (e continua a ser) determinante na defesa do SNS e nos avanços na prestação de mais e melhores cuidados de saúde”, tendo exemplificado com “o regresso da Medicina Interna ao Hospital; na instalação de equipamentos, como a TAC; no funcionamento permanente (que era uma realidade até há poucos meses) da Urgência Pediátrica; no funcionamento (quase sempre permanente) da Urgência Hospitalar; na reabertura do bloco operatório do Hospital; na colocação de médicos nas extensões de saúde rurais; na permanência de farmácias nas freguesias; compromisso autárquico de dar condições de segurança na Av Xanana Gusmão, que passa em frente do Hospital de Torres Novas”…

“Em todas estas situações foi decisiva a vontade expressa das populações (contactos diretos com utentes, reuniões, concentrações, abaixo-assinados, vigílias, intervenção nas redes sociais, conferências de imprensa, reuniões institucionais) para a conquista de mais serviços de saúde de qualidade e proximidade”, afirmou.

Constituído pelas unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, separadas geograficamente entre si por cerca de 30 quilómetros, o CHMT funciona em regime de complementaridade de valências, abrangendo uma população na ordem dos 266 mil habitantes de 11 concelhos do Médio Tejo, a par da Golegã, da Lezíria do Tejo, também do distrito de Santarém, Vila de Rei, de Castelo Branco, e ainda dos municípios de Gavião e Ponte de Sor, ambos de Portalegre.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Agência de Notícias de Portugal

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