Problema de falta de médicos de família tem sido problema de difícil gestão no ACES Médio Tejo. Foto: mediotejo.net

“No caso concreto da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Torres Novas todos os utentes inscritos nas extensões de saúde que ainda não têm médico de família atribuído têm consulta médica nas próprias extensões de saúde, designadamente Brogueira, Parceiros de Igreja e Alcorochel”, disse à Lusa a diretora executiva do ACES Médio Tejo, assegurando que, no início do próximo mês, com o regresso ao serviço da médica que aí prestava cuidados, se prevê “que a situação fique resolvida”.

Relativamente a Alcanena, Diana Leiria disse estar “já autorizada a contratação de mais um médico aposentado” que vai “iniciar funções no início de julho”. Segundo a responsável, “os médicos especialistas da UCSP realizam consulta de recurso e de vigilância para os utentes sem médicos” e “existem igualmente duas médicas prestadoras de serviços e um médico aposentado que prestam cuidados aos utentes sem médico”.

Utentes de Alcanena reclamaram em junho por mais médicos de família e reabertura de extensões de saúde. Foto: mediotejo.net

O ACES Médio Tejo tem 225.314 utentes inscritos e frequentadores, dos quais 55.901 não têm médico de família atribuído, cerca de 25% da população, uma situação que tem sido agravada nos últimos dois anos por um défice entre a entrada de médicos e as saídas por aposentação.

Utentes do concelho de Torres Novas reclamaram em junho por mais médicos de família. Foto: mediotejo.net

“De janeiro de 2021 até à presente data saíram 34 médicos especialistas, 22 por aposentação”, e, no mesmo período temporal, “foram recrutados 11 médicos especialistas através dos concursos nacionais de acesso à carreira médica de Medicina Geral e Familiar”, com um saldo negativo de 23 médicos em cerca de um ano e meio, e com mais aposentações em curso, indicou.

Diana Leiria afirmou que “os médicos especialistas que vão sendo recrutados nos vários concursos de acesso à carreira médica são insuficientes para fazer face a estas saídas”.

No mapa de pessoal da carreira médica de Medicina Geral e Familiar deste ACES ainda há 14 médicos com idade igual ou superior a 66 anos.

Os concelhos mais afetados pela falta de médicos de família no ACES Médio Tejo, segundo dados da tutela, “são os de Ourém, Abrantes, Alcanena, Tomar e Entroncamento”, tendo Diana Leiria sublinhado que “o facto de os utentes não terem médico de família atribuído não significa que não tenham acesso aos cuidados” de saúde.

“Em todos os concelhos do ACES onde existe falta de médicos de família existem respostas alternativas, conseguidas através do recurso à prestação de serviços médicos, à contratação de médicos aposentados ou mesmo à realização de horas suplementares dos médicos do quadro”, afirmou, dando conta de que está a decorrer um concurso nacional de acesso à carreira especial médica – Medicina Geral e Familiar e neste procedimento o ACES Médio Tejo tem 12 vagas.

Diana Leira, do ACES Médio Tejo, dialogou com os utentes da saúde que pediam respostas e mais médicos. Foto: mediotejo.net

O ACES Médio Tejo tem 2.706 quilómetros quadrados e abrange 11 municípios com cerca de 225 mil utentes/frequentadores, sendo composto pelos municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha, todos no distrito de Santarém.

Agência Lusa

Agência de Notícias de Portugal

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