Manuel José Soares, porta-voz da CUSMT. Foto arquivo: mediotejo.net

Manuel Soares, porta-voz da Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT), disse hoje, na sequência do fecho do bloco de partos e dos serviços de urgência de obstetrícia/ginecologia em Abrantes, entre os dias 06 e 10 de junho, que a não divulgação pública dos mapas das urgências encerradas por parte do Serviço Nacional de Saúde (SNS), como aconteceu até final de maio com publicitação online trimestral, é um “retrocesso” no SNS porquanto gera “incerteza e ansiedade” nas populações.

“É evidente que é um retrocesso porque, quer profissionais, quer parturientes, sabendo que havia uma situação previamente definida e em que naquela data não podiam ser atendidas num determinado local, sabiam para onde se dirigir”, afirmou Manuel Soares, tendo feito notar que, “neste momento, não sabem para onde se vão dirigir nem se sabe quando os serviços estão encerrados”.

Manuel José Soares, porta-voz da Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo

Não foi o caso da Unidade Local de Saúde (ULS) Médio Tejo, que acabou por divulgar na quarta-feira, nas suas redes sociais, que “a Urgência de Ginecologia-Obstetrícia e Bloco de Partos do Hospital de Abrantes” vão “ter constrangimentos”, das 00:00 de 06 de junho às 09:00 de dia 10, “estando assim ambos os serviços encerrados neste período”.

Questionado pelos motivos do encerramento, fonte oficial da ULS Médio Tejo disse à Lusa que “a contingência deste fim de semana, que levou ao encerramento da maternidade da Unidade Hospitalar de Abrantes, é uma situação que se relaciona com o período de férias e feriados existentes na próxima semana”.

O Conselho de Administração, presidido por Casimiro Ramos, fez ainda notar que, “no âmbito do anterior esquema rotativo de encerramentos programados, o Serviço de Urgência e Maternidade da Unidade Hospitalar de Abrantes estariam encerrados mais dois fins de semana durante o mês de junho”,  situação que “conseguiu ser ultrapassada, existindo, para já, no planeamento, apenas dois dias de dificuldade de preenchimento das escalas”, estando a ser realizados “esforços para contratação de prestadores de serviços que revertam a necessidade de um encerramento programado”.

Tendo afirmado que a linha SNS Grávidas “é um novo recurso precioso para todas as gestantes” e que a criação deste serviço foi “articulada com todas as maternidades das ULS do país, por forma a estar sempre garantida a resposta em rede que caracteriza o SNS”, a ULS Médio Tejo afirmou à Lusa estar a “cooperar na divulgação” desta nova linha de atendimento, “mantendo a comunicação quer no seu site, quer nas suas redes sociais, de quaisquer encerramentos do Serviço – programados ou excecionais”.

Manuel Soares, da CUSMT, insistiu na “falta de transparência” da não divulgação dos mapas das urgências encerradas, medida do governo que veio “piorar o cenário que já se verificava”, tendo reclamado pelo “cumprimento das promessas” e “soluções para os problemas” do SNS.

“O que nós defendemos é que, a partir do momento em que os serviços de urgência funcionem 24 sobre 24 horas, não é preciso mapa nenhum. Havendo constrangimentos, e admitimos que existam, devem ser minimamente programados até para um aproveitamento mais eficiente dos recursos que existem”, afirmou, tendo reclamado por “medidas excecionais de cativação dos profissionais” e lembrado o “direito das populações a cuidados de saúde”.

Desde 1 de junho deixou de existir o esquema da rotatividade de serviços hospitalares em funcionamento, sendo que, no caso das parturientes, antes de se dirigirem a qualquer unidade hospitalar, têm de ligar previamente para linha SNS Grávida, medida prevista no plano de emergência da Saúde, e disponível no SNS 24 (808 24 24 24) para encaminhar as utentes para a urgência mais próxima da sua área de residência.

Este novo canal de atendimento direto de grávidas pretende dar “resposta à procura de urgências de ginecologia/obstetrícia, enquanto área em que se sentem maiores dificuldades no Serviço Nacional de Saúde” (SNS), com o objetivo de “organizar o circuito da grávida, em particular em situações de urgência, garantindo uma “resposta de qualidade e segurança”, indicou o governo.

Numa publicação na página da ULS Médio Tejo na rede social Instagram lê-se que “as grávidas da área de influência da ULS Médio Tejo que entrem em trabalho de parto deverão ligar para a linha SNS Grávida (808 24 24 24) para saber qual o Serviço de Urgência da região para o qual se devem dirigir”, acrescentando que “em caso de emergência deverão ligar 112”.

A ULS Médio Tejo passou a agregar em 01 de janeiro o Centro Hospitalar do Médio Tejo e o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, assegurando a prestação dos cuidados de saúde nos concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Tomar, Torres Novas, Vila Nova da Barquinha (todos do distrito de Santarém) e Vila de Rei (distrito de Castelo Branco).

Com população residente na área geográfica de abrangência de cerca 170 mil pessoas, a ULS tem 2.780 profissionais e dispõe de três unidades hospitalares (localizadas em Abrantes, Tomar e Torres Novas) e dos serviços de cuidados de saúde primários até aqui assegurados pelo ACES Médio Tejo e pelo Centro de Saúde de Vila de Rei.

c/LUSA

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