Em conferência de imprensa, junto ao hospital de Abrantes, o porta-voz da Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT) começou por destacar uma “atividade permanente” daquela estrutura representativa dos utentes “pelo acesso a melhores cuidados de saúde em todo o Médio Tejo no âmbito do reforço do Serviço Nacional de Saúde” (SNS), aquele que considerou ser “o mais importante serviço público português”.
“Por estes dias, em que se discute a propósito das eleições legislativas, a organização dos cuidados de saúde, constatamos que quase todos desconhecem, no âmbito do SNS, a quantidade e qualidade dos cuidados prestados. O SNS é o mais importante serviço público português. E o único que garante, sem discriminações, a prestação de cuidados de saúde”, afirmou Manuel Soares.
“Mas há problemas a resolver”, notou.
“A prestação de cuidados de saúde é heterogénea no Médio Tejo, como no País. No caso dos concelhos do norte do Médio Tejo, três assuntos nos preocupam: o número de utentes a descoberto sem médico de família, o que dificulta o acesso de proximidade a cuidados de saúde primários; o funcionamento intermitente da Maternidade; o arrastar das obras na urgência do Hospital de Abrantes”.

ÁUDIO | MANUEL JOSÉ SOARES, PORTA-VOZ UTENTES SAÚDE MÉDIO TEJO:
Segundo o representante dos utentes, “são muitas e variadas as causas (e os responsáveis) pela ausência de médicos nas unidades de proximidade”, tendo defendido que “há que, com rapidez, estudar as diversas propostas já sugeridas e pô-las em prática, como a contratualização com as USF para assegurarem o funcionamento dos polos nas zonas rurais, a constituição de uma equipa de trabalho móvel para colmatar a ausência de cuidados médicos, ou a contratação de médicos estrangeiros”.
Já o “funcionamento intermitente da maternidade”, afirmou, “vem adensar a perspetiva de no futuro aparecer um mapa de reorganização das maternidades (como sucedeu a semana passada no caso das cirurgias ao cancro da mama), em que o Médio Tejo possa ser excluído”.
“Não é a primeira vez que tentam reduzir o número de maternidades abertas utilizando os mais variados argumentos, seja a falta de profissionais, seja o número de partos. Infelizmente, há muita gente com responsabilidade na área da saúde, a pregar a concentração de serviços. Exige-se, por exemplo, dos autarcas uma tomada de posição firme em defesa da maternidade do Médio Tejo, instalada em Abrantes”, defende.
Já sobre as obras na urgência do Hospital de Abrantes, outra das “preocupações”, o representante da CUSMT disse que “já passaram anos suficientes de dificuldades para os utentes e profissionais, por não ter sido requalificada”.
“E à medida que o processo se vai atrasando são mais umas centenas de milhares de euros que se gastam. Assim, se chegou a um valor orçamentado superior a 3,6 milhões de euros… e obra nada. Há que descomplicar os processos burocráticos e administrativos. Esperemos que Tribunal de Contas dê rápida autorização para a adjudicação das obras na Urgência de Abrantes e que elas comecem tão rápido quanto possível. Nem queremos imaginar outros cenários”, afirmou.
Tendo lembrado ainda o recente abaixo-assinado que cerca de 16 500 utentes/cidadãos do Médio Tejo subscreveram com reivindicações de “mais profissionais, como médicos de família, obras na Urgência do Hospital de Abrantes e funcionamento permanente da Maternidade, assim como, o reforço das ações de saúde pública, Manuel Soares indicou os “milhares de consultas, tratamentos e atendimentos nas urgências das Unidades de Saúde (cuidados primários e hospitalares)” que “atestam a importância do SNS e dos seus trabalhadores na região” do Médio Tejo.
“Convém sermos claros: não há alternativa nos setores social e privado, apresentados por alguns, (os que acham que toda a atividade humana deve ser fonte de negócio e de lucro) como panaceia para os males do SNS. A prová-lo estão as urgências privadas e sociais fechadas, serviços de imagiologia a muitas dezenas de quilómetros (como no passado no Médio Tejo), o projecto “bata-branca” que não tem médicos para colocar, os vales cirúrgicos para o privado que não são utilizados, a vacinação nas farmácias que deixou centenas de milhares de utentes por vacinar, o encaminhamento de doentes para as unidades públicas quando os casos se complicam ou dão muita despesa… para não falar da circunstância de 85% dos seus profissionais médicos serem trabalhadores com vínculo contratual ao SNS e de muitas das exigências técnicas e de organização de equipas exigidas no setor público serem “esquecidas” para o setor privado (como nos tem sido transmitido por responsáveis de unidades de saúde)”.
“Seja qual for o novo contexto político-governamental no futuro imediato (mas que não restem dúvidas que toda a Comissão de Utentes defende uma maioria dos partidos que defendem o SNS e o seu reforço), a CUSMT não rejeita qualquer tipo de iniciativa, mantendo ações de proximidade com os utentes, analisando caso a caso iniciativas públicas”, indicou Manuel Soares, tendo apontado a próximas iniciativas.
“E vamos: reforçar os contactos com as autarquias (é urgente um maior envolvimento de toda a comunidade, a começar pelos autarcas), intervir junto dos responsáveis da Unidade Local de Saúde (reuniões/contactos regulares sobre assuntos concretos com o CA da ULSMT e que têm tido resultados positivos para os utentes); informar e pressionar as organizações partidárias para na Assembleia da República e noutras instâncias defenderem o SNS e o seu funcionamento eficaz e eficiente, com enfoque nos problemas concretos do Médio Tejo; solicitar uma reunião à Direção Executiva do SNS; e, em tempo oportuno e em forma a analisar, deslocarmo-nos ao Ministério da Saúde para entregar as mais de 16 mil assinaturas recolhidas”.
“É hora de reafirmar propostas, (tanto mais que estamos a dias de eleições legislativas) para o reforço do Serviço Nacional de Saúde”, concluiu.
