Em comunicado, o Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) diz que vai ter a “necessidade de, nos próximos três dias, adequar a sua capacidade de resposta em rede nos três Serviços de Urgência das unidades Hospitalares”, de Abrantes, Tomar e Torres Novas. O CHMT relembra ainda que, ao nível dos cuidados de saúde primários, nos próximos três dias, estará aberto o atendimento do SAC Ferreira Zêzere (das 09h00 às 17h00); do SAC de Mação (das 10h00 às 19h00); e do SAC Ourém (das 09h00 às 19h00), sendo a primeira linha de cuidados para a doença ligeira.
“Devido a esta razão vai ser necessário concentrar recursos das Urgências Básicas de Tomar e Torres Novas no Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica da Unidade Hospitalar de Abrantes (SUMC), com o objetivo de prestar uma melhor e mais segura assistência de cuidados médicos e de saúde à população”, pode ler-se no comunicado.
Desta forma, concretiza, o Serviço de Urgência Básica de Tomar vai estar encerrado das 18h00 de 30 de dezembro (sábado) às 08h00 de 1 de janeiro (segunda-feira). Já o Serviço de Urgência Básica de Torres Novas estará encerrado das 06h00 de 31 de dezembro (domingo), às 08h00 de 1 de janeiro (segunda-feira).
“Durante este período, os Serviços de Urgência do CHMT vão operar em rede, no que diz respeito à partilha de recursos humanos, com a concentração de médicos e outros profissionais de saúde no SUMC de Abrantes, no intuito de preservar os cuidados médicos diferenciados no CHMT aos seus utentes”, indica a instituição hospitalar.
Nesse sentido, acrescenta, e “perante a forte afluência de utentes esperada, serão ativadas pelo CHMT as instalações da antiga Consulta Externa na Unidade de Abrantes, para expandir a capacidade de receção dos doentes em total segurança, com maior distanciamento social e separando os doentes com menor gravidade daqueles que necessitam de assistência e cuidados médicos emergentes”.
A resposta em rede das três urgências do CHMT “será avaliada perante o evoluir da atividade viral na região do Médio Tejo e face aos picos de procura assistencial pela população”, refere a mesma nota, tendo feito notar que “poderá existir a necessidade, nas primeiras semanas de janeiro, de reorganizar pontualmente os serviços” das três unidades hospitalares.
Face à gravidade dos utentes com doença respiratória grave admitidos no SUMC de Abrantes durante a última semana, uma dezena dos quais admitidos em Unidade de Cuidados Intensivos, o CHMT exorta toda a população a apenas se dirigir ao Serviço de Urgência após contacto e referenciação da linha de Saúde SNS24 – 808242424.
Neste momento, mais de 60 por cento dos atendimentos da SUMC são triados como “não urgentes” – pulseiras “verdes”/ “azuis”. Nos Serviços de Urgência Básica de Tomar e Torres Novas, esse valor chega aos 80% dos atendimentos, com quadros de doença ligeira.
O CHMT aconselha ainda a utilização de máscara em espaços fechados e de grandes aglomerações de pessoas e sempre que se desloque a uma Urgência Hospitalar – um dos locais de maior risco de contágio de vírus respiratório.
Hospitais com muita pressão nos internamentos por infeções respiratórias
O Hospital de Abrantes, no Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), atingiu na quinta-feira 90% da capacidade instalada de internamento em cuidados intensivos por doentes com infeções respiratórias, com os sintomas gripais a representarem 80% dos atendimentos nas urgências.
Carlos Lousada, diretor clínico e responsável pelo Serviço de Pneumologia do CHMT, entidade que agrega as unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, disse à Lusa que a unidade hospitalar em Abrantes, onde está concentrada a Urgência Médico-Cirúrgica (UMC), tem hoje “10 doentes em cuidados intensivos com infeções respiratórios (ontem eram 11), para uma capacidade instalada de 12 camas”, cinco dos quais “ventilados por insuficiência respiratória grave”.
Com uma “média de 600 atendimentos diários” nas urgências das três unidades hospitalares na última semana, dos quais 150 em pediatria, o diretor clínico do CHMT disse estar “ao nível das urgências dos hospitais centrais na atividade assistencial”, sendo “80% dos atendimentos dos Serviços de Urgência (SU) por doença respiratória”.
Face ao panorama e à procura assistencial, o CHMT decidiu “reforçar equipas e camas de internamento”, no âmbito do plano de contingência à gripe, “para dar resposta ao pico de procura e para fazer face às próximas semanas”.
O centro hospitalar prevê que a atual situação se prolongue “até ao final de janeiro, com o pico na segunda quinzena de janeiro”, devido aos “grandes convívios sociais” da quadra festiva do natal e ano novo, tendo a instituição indicado os idosos e crianças como grupos de risco.
Com cinco serviços de urgência (SU), entre os quais duas urgências básicas, em Tomar e Torres Novas, a urgência pediátrica, em Torres Novas, e a maternidade e Unidade Médico Cirúrgica (UMC) em Abrantes, os SU do CHMT registam, no entanto, uma “prevalência de 60% de pulseiras verdes/azuis” nos doentes triados, ou seja, casos não urgentes, o que faz aumentar os tempos de espera.
Os tempos médios de espera na última semana para doentes urgentes (amarelos) nos hospitais do Médio Tejo têm sido de entre uma e três horas, enquanto os não urgentes (verdes e azuis) esperam entre sete e 12 horas.
A triagem de Manchester, que permite avaliar o risco clínico do utente e atribuir um grau de prioridade, inclui cinco níveis: emergente (pulseira vermelha), muito urgente (laranja), urgente (amarelo), pouco urgente (verde) e não urgente (azul).
Já o Hospital Distrital de Santarém (HDS) atingiu na sexta-feira o limite da capacidade de internamento em cuidados intensivos, “com 60% dos casos a dever-se a infeções respiratórias”, e foi ativado o nível 3 do plano de contingência, indicou a unidade.
“O Hospital Distrital de Santarém atingiu esta sexta-feira, dia 29 de dezembro, 100% da capacidade instalada de internamento em cuidados intensivos, com 60% dos casos a dever-se a infeções respiratórias”, lê-se numa nota do HDS.
O diretor Clínico do Centro Hospitalar Médio Tejo apelou à população que siga as recomendações da Direção Geral da Saúde (DGS) para as temperaturas frias e utilize a Linha Saúde 24 (808242424) antes de recorrer aos serviços de urgência.
“Não venham para as urgências com sintomas ligeiros”, apelou Carlos Lousada, tendo apontado à sobrecarga no serviço de urgência, já com uma “pressão muito grande”, e ao risco de contágio. “Quem tiver de recorrer às urgências deve usar sempre a máscara”, indicou.
Constituído pelas unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, separadas geograficamente entre si por cerca de 30 quilómetros, o CHMT funciona em regime de complementaridade de valências, abrangendo uma população na ordem dos 266 mil habitantes de 11 concelhos do Médio Tejo, a par da Golegã, da Lezíria do Tejo, também do distrito de Santarém, Vila de Rei, de Castelo Branco, e ainda dos municípios de Gavião e Ponte de Sor, ambos de Portalegre.
c/Lusa
