Os mais recentes episódios em torna das alegadas fraudes na utilização dos donativos dados às vítimas das tragédias de Pedrogão indignam qualquer pessoa. O mais baixo xico-expertismo que existe dentro de alguns de nós veio claramente ao de cima.
Muito está ainda por escrever sobre este assunto e o Governo vai ter que explicar porque retirou o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) do controlo deste processo. Ficamos com a ideia que se quis facilitar tanto que o governo retirou do caminho as instituições que poderiam fazer perguntas incómodas ou exercer simplesmente as suas competências.
Se a qualquer português revolta o que se tem passado em Pedrogão, mais deve indignar ainda os habitantes daqueles concelhos que também foram fustigados pelos incêndios de 2017 e quase nada receberam de ajuda para recomeçarem as suas vidas.
Ficamos com a sensação que há uns com tanto e outros com tão pouco. Já há dias aqui escrevi que na gestão dos apoios públicos havia “filhos e enteados” e com a distribuição de verbas de solidariedade da União Europeia o caso tornou-se ainda mais revoltante.
Pela parte que me toca tenho tentado por todas as vias levar que as nossas autoridades olhem para os restantes concelhos que foram vítimas das tragédias de 2017. Apesar de não ter morrido ninguém no Médio Tejo, e para essas vítimas haveria mecanismos próprios, as comunidades de concelhos como Mação, Sardoal, Vila de Rei, Ferreira do Zêzere ou de Abrantes (especialmente da freguesia da Aldeia do Mato) merecem um tratamento igual ao que foi dado a outros portugueses. Está na Lei e na nossa Constituição.
Talvez fosse oportuno ver a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo a assumir a liderança deste combate por mais justiça para com os nossos concelhos e a não deixar isolados dois ou três autarcas que lutam pelos seus concelhos.
