Estender os passes sociais da Área Metropolitana de Lisboa pelo menos até ao Entroncamento é um sonho de muitos desde há pelo menos duas décadas. A subsidiação dos passes sociais em Lisboa e no Porto representam uma enorme discriminação ao nível dos preços para aqueles que se deslocam diariamente para Lisboa ou Porto a partir de concelhos externos a estas áreas metropolitanas.
Tendo em conta que o Governo anunciou uma redução dos passes sociais nestas duas cidades, o que sem mais alterações só agrava ainda mais a discriminação já existente, significa que há dinheiro disponível para tal e vontade política de aliviar os custos das famílias que utilizam o transporte público.
Ora, juntando isto à cada vez maior procura de habitação fora de Lisboa graças ao aumento exponencial dos custos com habitação, é fácil perceber que há cada vez mais cidadãos a viver no distrito de Santarém e a trabalhar ou estudar na Área Metropolitana de Lisboa.
A partir do Entroncamento, de Vila Nova da Barquinha, Abrantes, de Tomar ou Torres Novas, diariamente milhares de pessoas vão para Lisboa, de carro ou de transportes públicos, pagando praticamente o triplo por quilómetro do que paga uma pessoa da Azambuja, de Vila Franca de Xira, do Barreiro, de Almada ou de Cascais.
Isto é injusto e merece uma alteração estrutural na forma como os transportes públicos estão organizados. Se precisamos de mais investimento na qualidade e quantidade, urge também trazer justiça aos passes existentes.
Este é o momento para que todos os partidos políticos, autarcas e cidadãos se empenhem na resolução desta injustiça. A porta foi aberta pelo Governo e pelos autarcas de Lisboa e do Porto. Resta-nos saber colocar de lado a partidarite, os egos e juntar esforços para o conseguirmos. Só juntos seremos capazes.

