Foto: DR

O assunto do momento é a nova campanha da Direção-Geral de Saúde contra o tabagismo. Para os mais distraídos, a campanha visa o combate deste hábito especialmente junto da população jovem feminina, onde se têm registado maiores aumentos de consumo. Pensado por duas jovens de 18 anos, alunas da Escola Profissional de Artes Tecnologias e Desporto o spot tem por objectivo: chocar.

As pessoas mais sensíveis vão sentir arrepios com toda a certeza, ao ver a publicidade. A curta-metragem também produzida vai ser exibida nos cinemas. Mas então o que tem isto de diferente comparativamente com as imagens chocantes que constam nos maços de tabaco e, que não sei se alguém ainda lhe continua a dar importância? A questão é que o spot visa essencialmente as mulheres e por isso chega mesmo a dizer “as princesas não fumam”.

Alguns partidos políticos e as associações feministas já se manifestaram contra a publicidade, naquilo que consideram ser um ataque sexista. Bem, antes de começar a levar “pancada” dos leitores, quero afirmar que também sou defensora dos direitos das mulheres.

Considero efectivamente que há muito a fazer na nossa sociedade nesta matéria e que as mulheres continuam a não ser valorizadas como deveriam ser. Gosto muito de ser mulher. Gosto que as outras mulheres também gostem de sê-lo. No entanto, não sou levada a extremos (pelo menos neste caso). Se em alguns casos isso justifica o fim, neste não me parece tão gritante.

Se me perguntarem se gostei do spot. Não adorei. Mais porque choca o drama, o sofrimento, a realidade, do que pela frase de “as princesas não fumam”. As princesas não fumam e os príncipes também não o deviam fazer, ponto. Percebo que o objetivo foi chamar a atenção das mulheres e, de um modo ou de outro já o fizeram.

Se a campanha deve ser retirada? Não sei se é preciso chegar a tanto. Se podia ter sido feita de outro modo? Podia. Mas tal como a publicidade aos detergentes podia, como a publicidade aos artigos para bebés podia, como a publicidade aos automóveis podia.

A nossa sociedade está cheia de estereótipos, de preconceitos e isso choca. Acho que podíamos ter uma campanha melhor conseguida se abrangesse todos os géneros e não fosse tão direccionada ao feminino. Agora, será que toda esta polémica vai reduzir os consumos de tabaco? Isso é que era bom!

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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