A passarola construída por Rui Horta Pereira, na Azinhaga, Golegã. Fotografia: Fundação José Saramago

Este sábado, 18 de junho, às 12h00 – quando passam 12 anos sobre a morte de José Saramago – vai “pousar” uma passarola muito especial na aldeia da Azinhaga, na Golegã, terra natal do escritor.

Esta obra, de Rui Horta Pereira, feita a partir de um desenho de Saramago e construída com paletas de madeira reciclada, ficará instalada no Largo das Divisões, ao longo do próximo mês. Ali, todos são convidados a deixar uma mensagem: “as vontades” das gentes da Azinhaga e de quem visite a aldeia.

A “passarola voadora” é central no livro “O Memorial do Convento”, servindo de metáfora para a capacidade de sonho e de superação de todos os seres humanos, independentemente das circunstâncias em que se encontrem.

Na obra, Blimunda recolhe “as vontades” que farão a passarola levantar voo: “Este âmbar, também chamado electro, atrai o éter, andarás sempre com ele por onde andarem pessoas, em procissões, em autos-de-fé, aqui nas obras do convento, e quando vires que a nuvem vai sair de dentro delas, está sempre a suceder, aproximas o frasco aberto, e a vontade entrará nele, E quando estiver cheio, Tem uma vontade dentro, já está cheio, mas esse é o indecifrável mistério das vontades, onde couber uma, cabem milhões, o um é igual ao infinito, E que faremos entretanto, perguntou Baltasar, Vou para Coimbra, de lá, a seu tempo, mandarei recado, então irão os dois para Lisboa, tu construirás a máquina, tu recolherás as vontades, encontrar-nos-emos os três quando chegar o dia de voar”.

A apresentação da passarola voadora, a que Eduardo Lourenço se referia como uma máquina que “voa para o passado como voa para o futuro”, marca o início das atividades deste dia na delegação da Fundação José Saramago na Azinhaga, que às 18h00 promove um percurso por alguns dos locais simbólicos de José Saramago na sua aldeia natal.

Patrícia Fonseca

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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