A associação Apadrinha Uma Oliveira lançou a sua campanha de Natal com o mote “O presente mais antigo do mundo”, convidando a oferecer uma oliveira como símbolo de união entre gerações, memória e cuidado com o território. A iniciativa reforça a ideia de que, mais do que bens materiais, o verdadeiro valor do Natal está naquilo que nos une.
A campanha dá a conhecer a história do Miguel e da sua avó, evocando a importância de proteger os olivais tradicionais, guardiões de memórias familiares e de um património rural com séculos de história. “Este Natal, ajude-nos a preservar um legado que atravessa gerações”, apela a associação.
A campanha contempla duas modalidades de oferta: o apadrinhamento de uma oliveira ou a possibilidade de oferecer esse apadrinhamento a outra pessoa, permitindo transformar o gesto num presente simbólico e com impacto ambiental e social.
Ao apadrinhar uma oliveira, os padrinhos apoiam diretamente a recuperação dos olivais tradicionais em Abrantes e recebem em casa uma garrafa de azeite virgem extra e o certificado de apadrinhamento, como forma de reconhecimento pelo contributo dado.
Um projeto com impacto ambiental e social
Criada em março de 2023, a associação Apadrinha Uma Oliveira, sediada em Abrantes, tem como missão recuperar olivais tradicionais abandonados ou cujos proprietários já não têm condições para cuidar, transformando o abandono numa oportunidade de sustentabilidade ambiental e inclusão social.

“O objetivo é recuperar olivais que estão ao abandono ou que os proprietários não conseguem tratar”, explicou em junho deste ano João Rijo, representante da associação. “Os terrenos são cedidos ao projeto e fazemos todo o trabalho, desde a manutenção e limpeza até à apanha da azeitona e produção de azeite.”
O projeto aposta também na criação de emprego local, numa região fortemente afetada pelo encerramento da Central do Pego. Atualmente, a associação já integrou cinco antigos trabalhadores da central, promovendo a sua reinserção profissional numa lógica de transição justa para uma economia verde.
Até ao momento, o projeto conta com mais de 4.100 oliveiras, distribuídas por 65 hectares, cerca de 175 padrinhos particulares e várias empresas, que apadrinham mais de 600 oliveiras. A meta passa por alcançar as 10 mil oliveiras recuperadas.
Só no concelho de Abrantes existem cerca de 2.000 hectares de olival abandonado, uma área altamente vulnerável a incêndios e degradação ambiental. “O abandono é o maior inimigo destas árvores centenárias”, alertou João Rijo.
Abrantes é também um território de forte tradição olivícola, onde se encontra a Oliveira do Mouchão, nas Mouriscas, considerada a mais antiga da Península Ibérica, com cerca de 3.350 anos. “A nossa missão é manter vivo este legado”, sublinha.

Através do site apadrinhaumaoliveira.org, qualquer pessoa ou empresa pode associar-se ao projeto. O valor do apadrinhamento reverte integralmente para a recuperação dos olivais, a proteção da biodiversidade, a redução do risco de incêndios e a criação de emprego local.
Com o lema “Cuidar do passado para semear o futuro”, a associação acredita que é possível regenerar o território de forma sustentável, oliveira a oliveira, padrinho a padrinho.
