Mais do que uma vez já por aqui o partilhei que de vez em quando me falta a inspiração para continuar a honrar o compromisso que assumi quando aceitei o convite de assinar este espaço de opinião semanal.
Quando essa falta inspiração “olha” em redor à procura do caminho que me deveria levar ao desenvolvimento de um determinado tema e acaba por colidir com os factos que têm estado a acontecer nos últimos dias, a vontade que já era pouca consegue encolher-se ainda mais.
Tenho vontade de ignorar a realidade para deixar uma mensagem de esperança mas falta-me o rasgo dos predestinados para contornar a tragédia provocada pelo ser humano à qual se junta a catástrofe da responsabilidade dos fenómenos naturais.
É “natural” que a natureza se vingue de todo o mal que lhe temos feito, mas já não será tão natural que faça incidir a sua ira sobre aqueles que menos têm.
Mas quando me aproximo de perder totalmente o crédito nesta humanidade, “cruzo-me” com uma jovem sueca de 16 anos que nos dá uma lição de vida e me devolve alguma da esperança entretanto perdida.
O gigantesco movimento que Greta Thunberg pôs em ação é um contributo muito importante para despertar consciências e para renovarmos a esperança no futuro. É também a prova que cada um de nós pode fazer mais do que o nosso conformismo normalmente permite. É ainda a prova que com a educação certa, os jovens de hoje serão “amanhã”, ou hoje mesmo, a solução para os problemas criados pelos “adultos de ontem”.
Greta Thunberg transforma-se assim num raio de esperança que contrasta com a realidade dos últimos dias. Quero acreditar que há mais “Gretas Thunbergs” espalhadas pelo mundo e que a jovem sueca não é apenas uma exceção que contraria a regra a que nos temos vindo a habituar.
Mas para garantirmos que este ativismo com base numa consciência social não se perde temos que criar condições que facilitem a sua disseminação. Desde logo pela reforma no ensino que treine os jovens a pensar e a encontrar respostas para os seus problemas porque é assim que se desenvolvem competências, treinando-as.
Espero que Greta possa ganhar o Nobel da Paz. Não pelo prémio mas pela carga simbólica e pelo contágio que dará força a uma mensagem da qual pode estar dependente o futuro da humanidade. É por isso que no fim de uma semana trágica, Greta “emerge” de forma ainda mais nítida como um raio de esperança.
