Assim está Belém na véspera de Natal: cheia de luz, vazia de gente. Poucos locais no mundo podem simbolizar de forma tão clara aquilo que mais necessitamos nas nossas vidas: paz e saúde. Este é mais um Natal que este território palestiniano passa sob o domínio de Israel, e também o segundo ano em que um vírus “coroado”, vindo de longe, volta a estragar a festa dos cristãos – como um 4º rei mago que insiste em entregar o seu presente envenenado.
Hoje olhei para esta fotografia da minha amiga Maria Gianniti, correspondente da rádio e televisão italiana em Jerusalém, e parei por uns instantes a pensar no simbolismo do que, mesmo para quem não é crente, importa celebrar no Natal: a luz.
A luz que surgiu nos céus a indicar um caminho, a luz da esperança que renasceu no coração dos homens com a promessa de haver alguém (um filho de Deus), que chegava para nos salvar de todos os males.
A luz que rompe as trevas e anuncia um novo dia, esse “amanhã” que comporta todas as possibilidades.
A luz, como símbolo de tudo o que de bom há em nós, e que devemos alimentar, partilhar, multiplicar.
A luz, tantas vezes ténue, periclitante, que são os momentos de felicidade que partilhamos com aqueles que amamos, e que podemos perder num sopro. Aqueles que, tantas vezes, dizemos serem “a luz” das nossas vidas.
Hoje penso também naqueles que não têm vontade de celebrar o Natal, porque dói muito enfrentar os lugares que ficaram vazios à mesa.
A todos estendo o meu abraço, acreditando que, como escreveu o cardeal (e poeta) José Tolentino Mendonça, “entre a noite e o dia (…), entre a palavra e o silêncio que buscamos, uma estrela nos guiará”.
Que a Tua estrela nos encontre disponíveis
para a viagem
mesmo sem que percebamos tudo.
Que o seu brilho nos torne pacientes
com as coisas não resolvidas do nosso coração
e nos ajude a amar as difíceis questões
que por vezes a noite, por vezes o dia
segredam pelo tempo fora.
Que a Tua estrela nos faça reconhecer
que nunca é tarde
para que se tornem de novo ágeis e sonhadores
os nossos passos cansados
pois nós próprios nos tornamos em estrelas
quando arriscamos perpetuar
a Tua luz multiplicada.
Um Natal com muita luz, é o que vos desejo.
