Todos os dias temos assistido a um acumular de queixas na área da saúde que batem sempre na mesma tecla: subfinanciamento, falta de recursos humanos e falta do Estado com a sua palavra!
O Governo decidiu aplicar as 35 horas sem o devido planeamento e o resultado está à vista: temos profissionais esgotados porque trabalham muito mais horas do que deviam, podendo até colocar em risco a saúde dos portugueses, com a tomada de decisões erradas por exaustão. O número de profissionais já era insuficiente para as necessidades da maior parte das unidades de saúde e a redução dos horários veio agravar esta situação.
As cativações do ministro Centeno estão a levar o SNS à beira da ruptura, com falta de materiais e medicamentos pelos atrasos no pagamento a fornecedores, cuja dívida atingiu já valores record! Há obras em hospitais que não avançam porque não são validadas pelo Tribunal de Contas – seja o hospital distrital de Santarém, seja no São João no Porto.
E pela primeira vez temos greves que não são promovidas pelos sindicatos, e que são apoiadas pelas próprias Ordens – dos médicos, dos enfermeiros e agora até dos farmacêuticos – e um elevado conjunto de administrações hospitalares tem apresentado demissão, o que nos deve levar a pensar!
O socialismo faz política à custa do dinheiro dos outros, e este Governo não é excepção. A austeridade anunciada como tendo acabado, na verdade ficou silenciada, escondida. Temos a maior carga fiscal de sempre (dinheiro retirado aos contribuintes) mas uma grande parte dos portugueses a acreditar que houve devolução de rendimentos e a não perceber que os poucos euros que recebem a mais no fim do mês são ‘comidos’ por tudo o que pagam a mais durante o mês inteiro – desde os veículos aos combustíveis ou à energia e a um conjunto de bens de consumo como as bebidas.
O primeiro-ministro quer pintar o país de cor-de-rosa, e acredita, ou quer-nos fazer acreditar, que as coisas se resolvem com o tempo, pelo que vai empurrando com a barriga com anúncios propagandísticos na esperança de vir a colher alguns votos no ano 2019.
Só que, com uma população cada vez mais idosa e a precisar de mais cuidados, sobretudo nas regiões mais de interior, se não encararmos estes desafios, dificilmente teremos uma saúde acessível a todos, independentemente da sua carteira, da sua morada geográfica ou da idade.
E, infelizmente, quem tem mais necessidade, porque tem menos recursos, fica preso nesta teia de cativações que degradam os serviços do SNS e, quem tem dinheiro, vai ao hospital privado e paga para ser atendido!
É curioso que seja um Governo de esquerda aquele que, em nome da ideologia, mais desigualdades cria, pois os portugueses que verdadeiramente necessitam não têm acesso aos cuidados básicos de saúde, muitos deles, e aqueles que menos precisam, têm o privado como alternativa e podem pagar.
