Víbora-cornuda é "tímida" e perigosa. O veneno não é letal, mas é "poderoso". Foto ilustrativa: DR

A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo assistiu, no início de agosto, ao quarto caso de mordedura de víbora na região numa década, depois de um homem ter sido mordido por uma serpente na zona da Pucariça, no concelho de Abrantes.

O episódio mais recente levou o doente ao Hospital Dr. Manoel Constâncio, em Abrantes, onde foi acompanhado clinicamente. Segundo informação divulgada após o caso, o homem recebeu soro antiofídico cerca de 12 horas depois da mordedura, tendo a ULS esclarecido que a administração do antiveneno não é automática e depende da evolução dos sintomas, da avaliação clínica e da articulação com o Centro de Informação Antivenenos (CIAV).

A ULS Médio Tejo considera as mordeduras de víbora situações raras, mas alerta para a necessidade de saber como agir perante um acidente deste tipo, numa altura do ano em que a presença de pessoas em espaços rurais e naturais é mais frequente.

Em caso de mordedura, a recomendação é manter a calma, afastar-se do animal, imobilizar o membro afetado, retirar anéis, pulseiras, relógios ou roupa apertada e procurar avaliação médica. A unidade de saúde alerta para que não sejam feitos torniquetes, cortes ou perfurações na ferida, nem tentativas de sugar o veneno, e aconselha a não tentar capturar ou matar a cobra.

O caso de Abrantes surge cinco anos depois de uma situação que exigiu cuidados intensivos no Hospital de Abrantes. Em abril de 2021, um homem de 60 anos foi mordido por uma víbora-cornuda na Portela de Santa Margarida, no concelho de Constância, quando tratava do jardim de casa. A vítima deu entrada no hospital com dores e grande inchaço no braço e o seu estado agravou-se, tendo sido transferida para os cuidados intensivos.

No dia seguinte, depois de lhe ter sido administrado antiveneno, o homem saiu dos cuidados intensivos e regressou à enfermaria, apresentando evolução clínica favorável. A cobra foi identificada como uma víbora-cornuda, uma espécie considerada pouco habitual naquela zona.

Em Portugal existem espécies de serpentes venenosas, mas a maioria das cobras não representa perigo para as pessoas. As duas espécies de víboras consideradas perigosas são a víbora-cornuda e a víbora-de-Seoane, que tendem a evitar o contacto com humanos e podem reagir quando se sentem ameaçadas.

As mordeduras de víbora são raras em Portugal, mas podem provocar dor, inchaço progressivo e, nos casos mais graves, manifestações sistémicas potencialmente graves. A literatura médica salienta a necessidade de vigilância clínica, uma vez que a evolução do envenenamento pode agravar-se após os primeiros sintomas.

A administração de soro antiofídico é, por isso, reservada para situações em que a avaliação médica determine existir indicação clínica, não sendo aplicada automaticamente a todas as pessoas mordidas por uma serpente.

Víbora-cornuda é “tímida” e perigosa. O veneno não é letal, mas é “poderoso”. Foto: DR

Em caso de mordedura ou dúvida, a ULS Médio Tejo recomenda o contacto com o Centro de Informação Antivenenos, através do número 800 250 250, ou com o SNS 24, pelo 808 24 24 24. Perante uma situação de emergência deve ser contactado o 112.

A unidade de saúde recomenda ainda que, perante o encontro com uma cobra, as pessoas mantenham distância, não tentem tocar-lhe e permitam que o animal siga o seu caminho.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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