A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo confirmou esta quarta-feira a ocorrência de um episódio de tensão no Serviço de Urgência do Hospital de Abrantes, na sequência da chegada, na madrugada de domingo, de uma vítima de acidente rodoviário mortal que não tinha sido acompanhada por equipas de emergência pré-hospitalar.
Em comunicado, a ULS Médio Tejo esclarece que o incidente foi causado por uma situação de óbito irreversível, sublinhando que não se registaram ferimentos em profissionais de saúde e que os danos materiais foram muito limitados. A administração garante ter acompanhado o caso “desde o primeiro momento”, em articulação com o diretor do Serviço de Urgência e as forças de segurança pública, cuja intervenção imediata permitiu restabelecer a normalidade e garantir a segurança de utentes e trabalhadores.
A instituição manifesta ainda “solidariedade com todos os profissionais em funções” e assegura estar a aplicar as medidas previstas para reforço da segurança, em linha com o Plano de Ação para a Prevenção da Violência no Setor da Saúde. O Conselho de Administração afirma que o foco da ULS “continua a ser a prestação de cuidados de saúde com qualidade, segurança e respeito por todos os cidadãos”.
Uma testemunha presente no local relatou que um grupo numeroso de pessoas, após o acidente, forçou a entrada no serviço de urgência transportando a vítima, já sem vida, exigindo a sua reanimação e provocando momentos de grande tensão. Segundo o mesmo relato, seguranças e profissionais terão sido agredidos, tendo sido necessária uma intervenção policial alargada para dispersar o grupo.
Fontes policiais confirmaram ao nosso jornal uma operação de dispersão para repor a ordem pública, devido a “distúrbios” e “desacatos”registados por volta da uma da manhã de domingo, 12 de outubro, na urgência do Hospital Dr. Manoel Constâncio, em Abrantes.
O grupo, que foi crescendo em número e chegou a reunir entre 150 e 200 pessoas, pretendia que fosse prestada assistência médica a dois homens — um deles já falecido e outro com uma fratura numa perna.
A força policial adiantou que não foram reportadas agressões a profissionais de saúde ou de segurança, apenas danos materiais ligeiros, nomeadamente vidros partidos, um painel informativo danificado e caixotes do lixo destruídos.
A PSP de Abrantes foi chamada ao local pelos responsáveis da unidade hospitalar e, perante a dimensão do grupo de pessoas ali presentes e da tensão que se vivia, solicitou o apoio do Corpo de Intervenção, que se deslocou de Lisboa para Abrantes, mobilizando cerca de 20 agentes para manter a ordem e retirar os indivíduos do perímetro do hospital.
Segundo fonte policial, o grupo de familiares e amigos da vítima, cujo corpo permaneceu na morgue do hospital até terça-feira, manteve-se nas imediações da unidade de saúde até ao velório, que decorreu em Rossio ao Sul do Tejo. O funeral realizou-se esta quarta-feira.
Não houve detenções nem identificações formais, confirmou ainda a PSP.
