Numa apresentação realizada na segunda-feira em Tomar sobre os objetivos para 2024 da ULS do Médio Tejo, entidade que agrega desde o início de 2024 os cuidados de saúde primários de 11 municípios e as unidades hospitalares de Abrantes, o presidente da entidade, Casimiro Ramos, disse tratar-se de um modelo organizacional que confere “mais acesso e inovação”.
Além disso, acrescentou, há uma “maior integração e humanização dos cuidados de saúde”, com “o doente no centro de todo o sistema” de saúde.
Casimiro Ramos destacou a importância de “criar o espírito de organização única”, sendo o “principal objetivo” para este ano “a implementação dos 32 projetos que estão contemplados no plano de desenvolvimento” da ULS Médio Tejo.
“A ULS passou a agrupar as unidades hospitalares e as unidades de cuidados primários e o orçamento para toda esta organização, em 2024, ronda os 200 ME”, indicou o gestor da instituição criada no âmbito de uma reestruturação do modelo organizativo de prestação e cuidados do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

ÁUDIO | CASIMIRO RAMOS, PRESIDENTE UNIDADE LOCAL DE SAÚDE MÉDIO TEJO:
A ULS do Médio Tejo integra 2.780 trabalhadores, nas mais diversas carreiras e grupos profissionais, três hospitais e 35 unidades funcionais de cuidados de saúde primários, dando resposta direta a cerca de 170.000 utentes.
Relativamente aos projetos que estão contemplados no plano de desenvolvimento” da ULS Médio Tejo, o responsável destacou “a internalização de grande parte das análises clínicas, radiologia convencional e TAC dos utentes do Médio Tejo”, que já está em curso “com a instalação de postos de recolha para análises clínicas em fevereiro em oito unidades de cuidados de saúde primários”.
Esta medida “vai permitir poupanças de 1,5 ME” em 2024, além de uma maior proximidade aos utentes, acrescentou.
“Maior facilidade aos utentes, mais proximidade, comodidade e rapidez na terapêutica a aprovar pelos médicos”, enfatizou, tendo apontado à importância das Unidades de Saúde Familiar (USF) e das Unidades de Cuidados à Comunidade (UCC) na dinâmica a implementar,
Casimiro Ramos revelou também que na área de influência da ULS Médio Tejo existem cerca de 50 mil utentes sem médico de família, 27% da população, sendo este “o problema mais complicado” da unidade, a par do aumento do número de aposentações e da dificuldade em fixar novos clínicos.
Ao nível dos cuidados hospitalares, o gestor destacou a importância dos Centros de Responsabilidade Integrada (CRI), tendo o primeiro CRI constituído no Médio Tejo sido para a Ortopedia.
Em 2024, a ULS Médio Tejo pretende também apostar na criação do Hospital de Dia e Consulta de Insuficiência Cardíaca, “diminuindo a pressão sobre o Serviço de Urgência”.
Outro eixo prioritário será a Investigação e Desenvolvimento, como “forma de afirmação e captação de talento”, estando agendada para fevereiro a inauguração do centro de investigação da ULS Médio Tejo.
A nova ULS Médio Tejo, que cumpre na quinta-feira, dia 01 de fevereiro, um mês em atividade, tem um “desafio entusiasmante e que todos estão apostados em vencer”, assegurou o gestor.

Além de Casimiro Ramos, a direção executiva do SNS nomeou para conselho de administração os diretores clínicos hospitalar e dos cuidados de saúde primários Carlos Lousada e Flávio Ribeiro. Piedade Pinto foi designada enfermeira diretora da ULS Médio Tejo. A composição do CA da ULS integra ainda os vogais executivos Carla Oliveira e Carlos Gil.
A ULS Médio Tejo, criada no âmbito da reorganização dos serviços de saúde em 01 de janeiro, é constituída pelo Hospital Dr. Manoel Constâncio (Abrantes), Hospital Nossa Senhora da Graça (Tomar) e Hospital Rainha Santa Isabel (Torres Novas), além de 35 Unidades Funcionais de Cuidados de Saúde Primários, dando resposta direta a cerca de 170 mil utentes dos concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Tomar, Torres Novas, Vila Nova da Barquinha (Santarém) e Vila de Rei (Castelo Branco).
c/LUSA
