“É um sentimento de um desafio ultrapassado, ou uma parte do caminho, porque neste caso existe ainda um percurso a fazer, e quando saltamos o obstáculo e passamos à frente olhamos para os outros que temos de tentar ultrapassar”, disse hoje em Abrantes o presidente do Conselho de Administração (CA) da ULS Médio Tejo.
Para Casimiro Ramos, “não há missões cumpridas, a missão está sempre em curso”, tendo apontado outros investimentos projetados para este ano, numa altura que o modelo de gestão agregada de cuidados hospitalares e de cuidados de saúde primários em ULS assinala três meses “positivos” e “em linha” com o programado.
“Estamos satisfeitos com aquilo que estava programado estar a ser concretizado. Os 22 projetos de intervenção clínica estão a ser ultimados pelos profissionais e dentro em breve começaremos, de acordo com o cronograma, a implementá-los no terreno”, indicou.
O responsável referiu que “algumas coisas já são minimamente visíveis, nomeadamente em termos de articulação de alguns serviços, em procedimentos e em sistemas informáticos”.
Para o gestor da ULS Médio Tejo, “o mais relevante é que, quer dos profissionais das unidades hospitalares quer dos cuidados de saúde primários, há um grande entusiasmo em fazer vencer este modelo e isso”, vincou, é “fundamental para que as coisas funcionem”.




A obra de expansão e requalificação da Urgência Médico-Cirúrgica de Abrantes foi hoje formalmente consignada, num investimento de 3,6 milhões de euros (ME), tendo a empreitada, com a duração de 13 meses, começado de imediato com a instalação do estaleiro.
Segundo a ULS, esta obra “marca o início de um novo capítulo na diferenciação da estrutura assistencial” à população.
Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, quis felicitar o Conselho de Administração da ULS Médio Tejo: “Este é um momento histórico. Há vinte anos que ouvimos falar nesta obra. Temos de agradecer aos profissionais de saúde e dizer que foi brutal o trabalho que fizeram ao longo destes anos com as condições que tinham. Foi duro, foi complexo e foi difícil”.
“Abrantes teve de ser hospital de referência em tempos de covid e é impressionante o que aqui foi feito do ponto de vista médico, de enfermagem e técnico. Tem de haver um reconhecimento público desse grande esforço. No fundo, hoje é um dia de agradecer a todos. É um dia muito importante para o nosso concelho, para a ULS Médio Tejo, e para os cidadãos desta região”, afirmou.

Na assinatura do auto de consignação estiveram presentes o presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo, Casimiro Ramos, o responsável da empresa de construção civil Wikibuild, o presidente Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, o edil da autarquia de Tomar, Hugo Cristóvão, e o vereador do Município de Torres Novas, responsável pelo da Saúde, Joaquim Cabral.
Manuel José Soares, porta-voz da Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo, juntou-se ao simbólico ato e lembrou uma reivindicação antiga, só possível de concretizar pelo esforço de todos.

Os trabalhos vão decorrer ao longo de 13 meses, em três fases, “para reorganizar e modernizar o espaço da Urgência, dotando-a de melhores condições para os utentes e para os profissionais de saúde”, indicou a instituição, com a intervenção a abranger 1.954 metros quadrados – aumentando em mais de 700 metros quadrados a atual área de assistência médica.
A primeira etapa dos trabalhos vai decorrer exclusivamente no local onde estava localizada a antiga Consulta Externa, que se encontra desativada, ”não causando quaisquer constrangimentos aos utentes e aos profissionais”, indicou ainda a ULS, tendo apontado como objetivo executar cada uma das fases da empreitada “com o mínimo constrangimento possível”.
Questionado sobre os projetos de investimento a realizar em infraestruturas nas unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, alguns dos quais “interligados” com os cuidados de saúde primários, Casimiro Ramos indicou a pintura dos hospitais de Tomar (em 2024) e de Torres Novas (em 2025), num investimento na ordem dos “800 a 900 mil euros para os respetivos revestimentos”, a modernização do bloco operatório de Tomar para “intervenções ao nível de cirurgia do cancro da mama, mas também de cirurgia de ambulatório”, a par de um “laboratório de nível 03 de Patologia Clínica”, também em Tomar.
No hospital de Abrantes, vai ser também remodelado o bloco operatório, num investimento previsto de 400 mil euros, indicou Casimiro Ramos, que iniciou a sua intervenção com uma série de agradecimentos.

“Trata-se de um momento marcante e significativo da história da saúde do Médio Tejo. As primeiras palavras que quero dirigir são para os utentes para a Comissão de Utentes de Saúde do Médio Tejo – estes últimos pelo trabalho que fizeram, ao longo dos últimos vinte anos, junto das entidades oficiais, fazendo chegar a preocupação e justa reivindicação da população para acesso a cuidados de saúde. Fomos parceiros nessa caminhada”, enalteceu Casimiro Ramos.
O presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo elogiou igualmente quem diariamente se confronta com as limitações atuais do Serviço de Urgência: “Os profissionais de Saúde e os utentes são aqueles que convivem no dia a dia com as dificuldades das instalações. Só o espírito de empenho, dedicação e entreajuda dos nossos profissionais tem permitido superar ao longo de todo este tempo os desafios de saúde de grande exigência que o país e a região enfrentaram. Isso deve-se aos 150 profissionais que prestam serviço na urgência de Abrantes a quem todos temos de agradecer. Esta é uma obra para os profissionais, porque as condições que vai proporcionar para o exercício da medicina serão totalmente diferentes daquelas que temos hoje”.




Casimiro Ramos quis ainda agradecer aos municípios do Médio Tejo: “Hoje, ao assinar o auto de consignação, uma palavra muito especial aos autarcas da região, pela compreensão e pelo apoio que nos deram junto dos organismos oficiais, e na insistência que fizeram para a necessidade desta obra”.
Para finalizar, o presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo disse: “Esta é a frase que eu mais desejei dizer que durante estes dois anos: “Mãos à obra!”
A ULS Médio Tejo, constituída pelo Hospitais de Abrantes, Tomar e Torres Novas, e por 35 Unidades Funcionais de Cuidados de Saúde Primários, iniciou atividade em 01 de janeiro de 2024, dando resposta direta a cerca de 170 mil utentes dos concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Tomar, Torres Novas, Vila Nova da Barquinha e Vila de Rei.
c/LUSA

Este devia incluir a situação do centro de saúde de Mação, onde a falta de médicos de família é um facto, e as dificuldades que isso traz aos utentes desta unidade de saúde