A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo acompanhou, ao longo de 2025, mais de duas centenas de crianças e jovens no âmbito da Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), apostando na deteção precoce do autismo e no acompanhamento especializado.
De acordo com dados divulgados pela instituição, foram seguidos 203 utentes na Consulta de Pediatria – Desenvolvimento / Espectro do Autismo, sediada na Unidade Hospitalar de Tomar. Durante o mesmo período, realizaram-se 264 avaliações destinadas ao despiste da condição, evidenciando a crescente procura por este tipo de resposta clínica diferenciada.
A maioria dos utentes acompanhados era do sexo masculino (159), face a 44 do sexo feminino. Em termos de idades, a consulta abrangeu diferentes fases do desenvolvimento: desde crianças entre os 0 e os 3 anos (19 casos), passando pelos 4 aos 6 anos (68) e 7 aos 10 anos (60), até adolescentes entre os 11 e os 14 anos (27).
Foram ainda acompanhados 29 jovens com mais de 14 anos, incluindo adultos jovens até aos 26 anos, o que evidencia a necessidade de respostas continuadas ao longo da vida.
A intervenção da ULS Médio Tejo estende-se a vários concelhos da região e zonas limítrofes. Tomar lidera em número de utentes acompanhados (85), seguido de Ourém (35), Abrantes (30), Ferreira do Zêzere (20) e Torres Novas (14). A consulta abrange ainda utentes de outros municípios, refletindo a abrangência e relevância deste serviço especializado.

No que diz respeito à avaliação clínica, foram realizadas 208 avaliações com recurso à Escala de Avaliação das Competências no Desenvolvimento Infantil II (SGS-II), 143 avaliações cognitivas através da Escala de Inteligência de Wechsler para Crianças (WISC-III) e 103 avaliações globais do desenvolvimento.
Estas envolveram uma abordagem multidisciplinar, com contributos das áreas de Terapia da Fala, Terapia Ocupacional e Psicologia.
No âmbito do Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, que se assinala a 2 de abril, a ULS Médio Tejo, em nota divulgada, sublinha a importância de uma maior compreensão e respeito por esta condição do neurodesenvolvimento, que se manifesta de forma distinta em cada indivíduo.

Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, 5.ª edição (DSM-5), a perturbação do espectro do autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que se pode manifestar de formas muito diferentes em cada pessoa ou criança. Pode influenciar a forma como a criança comunica, interage com os outros e responde ao mundo que a rodeia.
“Cada pessoa no espectro é única, com características, necessidades, potencial e desafios próprios. Por isso, é fundamental olhar para cada criança na sua individualidade, com atenção, empatia e respeito”.
“Atualmente, existe também uma maior consciencialização para esta realidade, o que tem permitido identificar mais cedo muitas crianças e encaminhá-las atempadamente para avaliação e acompanhamento especializado. Neste contexto, o trabalho desenvolvido pela ULS Médio Tejo tem sido essencial para apoiar crianças, jovens e famílias com proximidade, atenção especializada e uma resposta multidisciplinar ajustada a cada caso”, destaca a instituição.
“Quando falamos de autismo, falamos de pessoas, de crianças e jovens com formas próprias de comunicar, de sentir e de estar no mundo. Mais do que um diagnóstico, importa reconhecer cada pessoa na sua individualidade, no seu percurso e no seu potencial. O autismo não se cura: compreende-se, aceita-se e respeita-se. É com conhecimento, empatia e intervenção atempada que conseguimos fazer a diferença na vida das crianças e das suas famílias”, afirma Otília Branco, médica pediatra do Neurodesenvolvimento e coordenadora da Consulta de Desenvolvimento / Espectro do Autismo da ULS Médio Tejo.
“Este é também um compromisso que se traduz em investimento e em reforço da capacidade de resposta da ULS Médio Tejo. Na Unidade Hospitalar de Tomar está em curso a construção da futura Unidade de Pedopsiquiatria, uma intervenção financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência. Trata-se de um passo muito importante para melhorar a resposta na área da saúde mental infantil e juvenil e para dar mais apoio às crianças, aos jovens e às famílias da nossa região”, vinca Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo.
A Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades persistentes na comunicação social e interação, além de comportamentos repetitivos e interesses restritos. Manifesta-se cedo, geralmente antes dos 3 anos, com níveis variados de suporte (1, 2 ou 3). Não tem cura, mas intervenções precoces melhoram a qualidade de vida.
