Numa reunião informal que juntou o Turismo do Centro e a Secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, discutiu-se esta terça-feira, 21 de junho, em Torres Novas, quais os problemas que enfrenta o Turismo em Espaço Rural, nomeadamente o apoiado pela ADIRN- Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte. A visita do Papa a Fátima promete casa cheia a vários hoteleiros torrejanos, mas apenas a 12 e 13 de maio. Excesso de burocracia, falta de promoção da região além de Fátima e falhas de comunicação com as entidades do Turismo foram algumas das queixas mencionadas.
A visita de Ana Mendes Godinho a Torres Novas começou com a inauguração do Hotel Aires da Serra, freguesia de São Pedro, pequeno estabelecimento de turismo rural, com 11 quartos, construído em dois anos sem recurso a créditos ou fundos comunitários, explicou orgulhosamente o proprietário, João Lopes. Inaugurado há cerca de um mês, João Lopes foi o empresário que destacou a falta de ligação entre as entidades que licenciam os empreendimentos, o que torna problemático e cansativo conseguir abrir um negócio. Propôs assim uma plataforma eletrónica onde se possam inserir os projetos, consultada por meio de palavras chave pelas entidades a quem competem os licenciamentos.
João Lopes também destacou que muitos dos turistas que vão a Lisboa têm dificuldades em visitar outras partes do país, pelo que propôs que se criassem protocolos com a CP ou a Rodoviária para trazer turistas ao interior do país. Outros dos presentes na plateia da Alcaidaria do Castelo de Torres Novas comentaram que o site do Turismo do Centro é muito pesado e tem informação confusa, além de que os folhetos promocionais nos Postos de Turismo são insuficientes. Falhas na comunicação com as entidades de Turismo ou discursos já datados e sem nenhuma concretização ao longo dos anos foram outros dos reparos aos dirigentes.
Ana Mendes Godinho apelou à participação dos empresários, com dúvidas que possam ajudar a simplificar e resolver problemas. Adiantou estar a trabalhar com a CP exatamente num projeto para trazer turistas ao interior, mas informou que já existe um passe próprio para visitantes, embora desconhecido da maioria. “Os produtos existem, mas não há integração”.

A secretária de Estado referiria posteriormente que não pensa mexer novamente nas entidades de Turismo e que acredita que devem existir políticas públicas ativas que, conjugadas com os privados, promovam o turismo. “Temos que conseguir mais para que o turismo seja um motor de desenvolvimento”, nomeadamente no que toca ao melhoramento das acessibilidades para o interior do país.
Já o presidente do Turismo do Centro, Pedro Machado, fez um ponto de situação sobre o mercado do turismo na região, que integra 100 municípios. Sobre a sazonalidade e a falta de rendimento, o responsável destacou que embora Fátima tenha sido visitada por 6,7 milhões de pessoas em 2015, apenas 400 mil dormiram na cidade e apenas uma noite. “Nem Fátima tem o problema resolvido”, frisou. Aguardam-se 8 milhões de pessoas em Fátima para 2017, mas o país em si não vai sentir este reflexo. “O problema é o rendimento” efetivo deste fluxo de pessoas e “o turismo em espaço rural nem sempre está em primeira linha”.
Pedro Machado salientou que há uma mudança na tendência do turismo “sol e praia” e que a mais valia do turismo rural é a sua diversidade e características particulares, que contrariam o turismo massificado. Apostar numa estratégia integrada para o mercado interno, o turismo de congressos ou o turismo militar são algumas das potencialidades da região. Referiu ainda que o Turismo do Centro é uma estrutura recente que está a estabilizar, admitindo que o site precisa de ser melhorado.
O presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, afirmou que “o Médio Tejo é uma região a explorar”, comentando que já não existe a rivalidade entre municípios que existia há 22 anos, quando iniciou a carreira de autarca (esteve presente inclusive o presidente da Câmara da Barquinha). Admitiu porém que há duas décadas que ouve dizer que se têm que trazer para o resto da região os turistas de Fátima. “Mas também já sei que os operadores turísticos têm que os trazer”, além de que o turista religioso vai muito focado apenas no Santuário de Fátima, não estando interessado em visitar a envolvente.
