Os mesmos que hoje reivindicam a comemoração do 25 de Novembro, com base em deturpações que transformam uma derrota numa vitória, são os mesmos que agravam a guerra há muito declarada aos trabalhadores e ao povo em geral.
Por um lado, a direita recauchutada, cuja camada histérica não cobre o cheiro salazarento que vitupera os últimos 50 anos de democracia, em simultâneo festeja a data que afirmam ter dado início a esses mesmos 50 anos: por enquanto, têm pudor de afirmar com todas as letras que querem voltar ao 24 de Abril de 1974, e que é essa a data que querem festejar. Não dizem à boca cheia, porque a boca está cheia de tudo e de nada consoante convém, mas vão dando pistas, às vezes na forma de promoção pague 1 leve 3 (Salazares) – arrancam cravos como querem arrancar os direitos e liberdades conquistadas com Abril.
A direita que nunca valeu um pneu furado, desde a primeira hora da Revolução, quis o retrocesso, passando por um ajustamento de poderes à sua imagem, mas a manutenção do domínio dos poderes económicos, o estrangulamento dos trabalhadores – essa carne para canhão, que ainda hoje é vista como tal por todos esses corifeus da seita capitalista. Usou de todas as manhas e artimanhas pra levar a sua avante, tanto na rotulagem suave e desviadora das reais intenções (com “socialismo” e declinações, como publicidade enganosa), como na acção prática nos bastidores.
Ainda há outra direita, que se apresenta modernaça, mas que não passa de mais uma operação cosmética. Alinham na direcção de toda a outra direita, vêm com os mesmos defeitos de fábrica (a mesma), só querem carregar mais no acelerador para enviar mais rápido o país pelo precipício abaixo – enquanto os amigos da elite ficam no topo a regozijar-se. No ataque aos direitos laborais, este é pneu que não derrapa – todo desportivo e limpinho, destoando da realidade concreta do país, baseando-se na importação de partes de modelos que lhes convêm.
No entanto, o país não é uma loja de pneus. Nem a História é uma estrada em linha recta, sem percalços e contradições. Hoje, tentam-nos apresentar a complexidade dos momentos pós-revolucionários de forma simplista e deturpada, para afirmarem, no presente, os valores que os têm vindo a guiar desde então. A expressão concreta desses valores é, por exemplo, o Pacote Laboral que este governo nos quer impingir – as reacções das direitas sustentam os recursos estilísticos deste texto.
Apresentam as alterações à legislação laboral como flexibilizações, modernizações, adaptações. Mas o que é sentido são as confirmações das intenções de prejudicar a parte mais fraca na relação entre empregador e trabalhador. Estas alterações vêm agravar ainda mais uma legislação que, actualmente, já fragiliza a posição do trabalhador. A luta por melhores condições de vida é já por si dificílima.
Um Pacote Laboral que quer facilitar ainda mais os despedimentos, aumentar os horários de trabalho, prejudicar os direitos sindicais – tudo o que estes “neo-novembristas” queriam que nunca tivesse tido resistência dos trabalhadores, do povo e das forças progressistas. O comentariado da direita banaliza estas medidas, pondo as empresas e os empresários no altar, atribuindo-lhes um bom senso inexistente, afirmando que nunca viriam a prejudicar os trabalhadores, ecoando nos meios de comunicação as derrapagens e aceleradelas do poder económico trasvestido de poder político.
Como não acredito na ingenuidade de quem tudo tem feito em prol do poder económico, estes ecos só podem ser motivados pela má intenção, a mesma que hoje quer encontrar motivos de festejo na menorização do 25 de Abril de 1974.
Quem pensa que hoje as empresas é que são as reféns de uma legislação rígida, desconhece o que realmente se passa. Para além do que a lei permite, existe a chantagem que as entrelinhas reforçam – isso sim, devia ser alvo de uma revisão que permitisse proteger o trabalhador. Trabalhadores que se vêem obrigados a despedirem-se de empresas, para serem re-contratados em empresas do mesmo grupo, vivendo em constante incerteza e precariedade para beneficiar o empregador – e se não o fizerem, fazem-lhes a vida negra até os vencerem pelo cansaço.
Locais de trabalho que constituem riscos para a saúde do trabalhador, subsídios de frio e de perigosidade que são negados, horas extra e turnos feitos sobre chantagem, subsídios de refeição que nem chegam para o sumo. Porém, na bolha, de quem tem património avaliado em milhões, de quem tece comentários que são uma verdadeira ofensa a quem luta todos os dias para chegar ao dia seguinte, o problema é a legislação rígida e a solução é a “flexibilização” – leia-se “precarização”.
As toadas novembristas cabem no mesmo pacote dos atentados aos direitos dos trabalhadores, foi isso que sempre quiseram – publicite-se a direita da forma que quiser.
Neste momento, é urgente lutar contra todos esses ataques aos direitos conquistados com o 25 de Abril. E essa luta tem a sua expressão de força mais imediata no dia 11 de Dezembro, com a Greve Geral! Portanto: Todos à Greve Geral!

toma rennie que isso passa comuna………………..CHEGA……………………………..