Saiu esta sexta feira para a estrada a 34ª edição da prova rainha do todo-o-terreno nacional, a Baja de Portalegre 500. A mítica prova arrancou debaixo dum verdadeiro dilúvio que levou a organização a colocar em causa a continuação da prova.
Organizada pelo Automóvel Clube de Portugal, com o apoio das autarquias por onde se desenrola a prova, a Baja de Portalegre pontua para a Taça do Mundo FIA (Federação Internacional Automóvel) de Bajas, Campeonato Nacional de Todo-o-Terreno (CNTT) e Taça Nacional de Todo-o-Terreno (TNTT).

Com um palmarés invejável, com António Bayona/José Costa em Mitsubishi Pajero a vencerem no já longíquo ano de 1987 teve no argentino Orlando Terranova em Mini JCW Rally o último vencedor, no ano transato.
Pelo meio venceram a prova nomes sonantes do automobilismo mundial como o malogrado Colin McRae, Stephane Peterhansel, Luc Alphand, Krzysztof Holowczyc, Miroslav Zapletal ou “Nani” Roma.
Nos portugueses destaque para Ricardo Porém, tetravencedor e último luso a subir ao degrau mais alto do pódio, Filipe Campos, Miguel Barbosa, Rui Sousa, João Vassalo ou Tomáz Mello Breyner numa galeria de luxo.

Em ano de pandemia a prova idealizada por José Megre teve de se sujeitar às normas sanitárias em vigor e teve na ausência de público a nota negativa. A efetivação da prova chegou mesmo a estar em risco.
Pela positiva regista-se a extensa lista de inscritos, só nos SSV chegam à centena.
Como é habitual sairão coroados de Portalegre os Campeões Nacionais e Mundiais nas várias categorias.

Prólogo/Coutadas (3,36Km)
Logo pela manhã a Herdade das Coutadas registou o movimento inusitado que a Baja lhe dá. A habitual pacatez é acordada pelo roncar dos motores e o cheiro da lenha queimada misturava-se com o cheiro da gasolina.
Logo pelas sete horas saíram as Motos para a pista e Bruno Santos bateu André Sérgio por apenas três décimas e deixou Joaquim Rodrigues a quase cinco segundos. O grande favorito, António Maio, registou o quarto tempo.

Nos Quads, o espanhol Oscar Romero bateu por um segundo Fábio Ferreira e Ruben Alexandre por dois. Aquele que se perfila como o maior candidato à vitória final, Luís Engeitado, apenas registou o sétimo tempo.

Com 91 conjuntos a terminarem o prólogo os SSV confirmavam-se como a categoria com mais inscritos. João Dias foi o mais rápido, com uma média superior a 70 Km/h. Vitor Santos, acompanhado por Gregório Pereira “Xinriguito”, fez mais duas décimas!!! Fecharam o pódio Arnaldo Monteiro navegado por Nuno Morais.
Esta categoria está ao rubro com toda a gente com “a faca nos dentes” e para encontrar um piloto com mais um minuto no prólogo é preciso descer na tabela classificativa até ao 87º lugar!!!

Nos Auto a vitória nestes 3,36 Km iniciais sorriu aos russos Vladimir Vasilyev/Dmitro Tsyro a tripularem um Mini Cooper Countryman. Surpresa com o segundo lugar do Can Am Maverick, vulgo “aranhiço”, da classe T3 tripulado pela dupla Guillaume de Mévius/Martijn Wydaeghe. De Mévius é filho dum piloto de rallys muito querido dos amantes do Rally de Portugal, Gregoire de Mévius. O seu irmão Ghislain, em Yamaha Interceptor, conseguiu um brilhante oitavo posto.
O terceiro lugar ficou para o holandês Bernard Ten Brinke, com Tom Colsoul no banco do lado direito. O campeão nacional em título, Tiago Reis, na companhia de Valter Cardoso, ficou logo a seguir à frente de Nuno Matos.

No Campeonato Nacional (CNTT) o Mercedes Proto X de Hugo Raposo/Fernando Mendes foi o mais rápido secundado por Francisco Barreto/Sérgio Cerveira em Nissan Navara.
Os abrantinos José Mendes/Jorge Batista, líderes do Campeonato, levaram a sua Mitsubishi L200 ao terceiro posto, na frente do tomarense Ivo Santos a navegar o austríaco Michael Brawn em Porsche Cayene Proto.

Dos poucos concorrentes inscritos na Taça de Portugal (TNTT) João Paulo Oliveira/Pedro Cação foram os mais rápidos na frente do Land Rover 90TD da dupla Tiago Santos/Tiago Dias.
A equipa da Mercar/Abrantes, em Renault Megane Proto 4X4, Pedro Valverde/Vitor Martins fecharam o pódio. Ismael Margarido, outro abrantino, a conduzir a solo, quedou-se pelo sexto lugar.
SS2/ Ponte de Sor-Cabeço de Vide (75,31Km)
Com a chuva a não dar tréguas os pilotos começaram a sair de Ponte de Sor pelas 13H45m para cumprirem os cerca de 75Km que os separavam de Cabeço de Vide, naquilo que constituía a Prova Especial 2 (SS2).

Nas Motos o luso-germânico Sebastian Buhler fez 54:36,0 à média horária de 82.76, passando o piloto da Hero 450 Rally a liderar a Baja com 53 segundos sobre o seu colega de equipa Joaquim Rodrigues.
Bruno Santos, vencedor do prólogo, continuou a mostrar forte andamento secundando os homens das Hero mas já a 2:16,7. Registou-se ainda o abandono de António Maio com problemas no motor da sua moto.
Neste momento, o piloto da WR Rally ainda pode sagrar-se campeão mas depende do resultado do segundo no campeonato, Martim Ventura, que ocupa o 20º posto da classificação geral.

Nos Quads, os três primeiros do prólogo voltaram a ocupar os lugares do pódio mas por ordem diversa. O mais rápido foi o jovem Ruben Alexandre, muito consistente, venceu a Especial dando 3:54,0 a Fábio Ferreira que passou a ocupar o segundo posto à geral.
Quem mais perdeu foi o espanhol Oscar Romero que já está a cinco minutos e meio do líder no terceiro lugar. Luís Engeitado vai subindo lugares e já está à porta do pódio com a 17 segundos de Romero.

A luta nos SSV, pese as condições do piso se continuarem a degradar, o céu não dar tréguas e a chuva continuar a cair impiedosa, não arrefeceu, continuando as médias a rondar os 75Km/h.
Ricardo Domingues que apenas lograra o 22º tempo no prólogo foi o mais rápido na SS2 e passou para a liderança a 19 segundos de Alexandre Pinto/Fábio Belo.
O trio de Can-Am da Benimoto Racing completou-se com o terceiro posto de João Dias, a solo, vencedor no arranque da Baja. A jogar em “casa” Beto Borrego chegou-se à frente e já é quarto a nove segundos de Dias. Os cinco primeiros estão separados apenas por um minuto!!!

A chuva que caiu de manhã acrescentada com a que continuava a cair, qual autêntico dilúvio, levou o plurivencedor da Baja Ricardo Porém a exclamar: “Não tenho palavras, nunca vi tanta água na minha vida”.
Os pilotos dos automóveis não previam facilidades com o piso com tanta lama e as ribeiras a galgarem as margens. Apenas os primeiros nove a saírem de Ponte de Sor chegaram ao destino em Cabeço de Vide.
Daqueles que controlaram, o mais rápido foi Guillaume de Mévius no Can-Am Maverick deixando a Ford Proto de Pedro Dias da Silva/José Janela a quase três minutos e a Toyota Hilux de Bernhard Ten Brinke em terceiro. O último, leia-se nono, a chegar, foi o francês Laurent Poletti a quase um quarto de hora de Mévius.

Perante as dificuldades, que custaram o abandono do novo campeão nacional, Miguel Barbosa, entre outros, a Organização deu instruções aos pilotos em prova para saírem no primeiro cruzamento com o alcatrão e se dirigissem para o Parque Fechado, em Portalegre.
Fica-se a aguardar a reação oficial do Colégio de Comissários afim de saber se a 2ªSS foi completamente anulada ou se será atribuído um tempo de referência a quem não controlou.
Ficar-se-á a saber também se se mantém o programa da Baja para o dia de sábado. Numa prova que esteve para não acontecer e que teve o S.Pedro a fazer das suas!!!
