Troço de via romana do Itinerário de Antonino em vias de classificação em Torres Novas. Foto: CMA

“O estudo das vias romanas no concelho de Torres Novas e da sua articulação com o povoamento romano do território enquadra-se também no projecto “Villa Cardílio e a romanização da bacia hidrográfica do Almonda”, processo que decorre desde 2021 e no qual este troço desempenha um “papel central”.

“Nós estamos a falar de uma estrada de extrema importância para o país, a estrada romana que ligava Lisboa à Braga, ou seja, era o principal itinerário que cruzava o nosso país”, disse hoje à Lusa o vereador responsável pelo Departamento de Intervenção Territorial em Torres Novas.

Segundo João Trindade, este caminho, que também passava por Torres Novas, “é de extrema importância patrimonial, arqueológica e histórica, e demonstra também a importância que Torres Novas sempre teve”, tendo feito notar que esta via romana “passava pelas principais localidades” do país.

“Havendo um troço especial no nosso território e com características de conservação muito interessantes, decidimos realmente passar para esta parte de conservação, identificação, e de classificação para melhor preservar um dos maiores legados que a engenharia da época romana nos deixou e por isso achámos preponderante classificar este troço do designado itinerário Antonino, que era designado como a 16ª estrada romana na Península Ibérica, antiga Hispânia,”, declarou.

ÁUDIO | JOÃO TRINDADE, VEREADOR CM TORRES NOVAS:

Segundo João Trindade, o troço em vias de classificação está “bem preservado”, em “três segmentos em aproximadamente 500 metros”, e “apresenta a distância que era típica dos caminhos romanos, com a divisória central e com os cinco metros de largura” de estrada.

“Conseguimos identificar um troço muito bem preservado e que é realmente um testemunho desta estrada com mais de dois mil anos no nosso território”, afirmou Trindade.

O troço da via Romana do Casal da Quebrada/Bom Amor enquadra-se hoje numa paisagem rural, correspondendo atualmente a um caminho rural utilizado principalmente pelos agricultores da região para passagem de tratores e de jipes.

Troço de via romana do Itinerário de Antonino em vias de classificação em Torres Novas. Foto: CMA

O anúncio publicado a 12 de agosto em Diário da República (DR), determina a abertura do procedimento de classificação de âmbito nacional do troço do Casal da Quebrada da Via Romana XVI do Itinerário Antonino (ab Olisipone Bracaram Augustam), na União das Freguesias de Torres Novas (Santa Maria, Salvador e Santiago), distrito de Santarém.

O sítio em vias de classificação e os imóveis localizados na zona geral de proteção (50 metros contados a partir dos seus limites externos) são abrangidos pelo anúncio que visa a sua proteção e salvaguarda.

“Através da salvaguarda e valorização do património cultural, deve o Estado assegurar a transmissão de uma herança nacional cuja continuidade e enriquecimento unirá as gerações num percurso civilizacional singular”, justifica o Património Cultural – Instituto Público, remetendo para a lei que estabelece as bases da política e do regime de proteção e valorização do património cultural, como “realidade da maior relevância para a compreensão, permanência e construção da identidade nacional e para a democratização da cultura”.

O vereador João Trindade, que se congratulou com a publicação do anúncio em DR, disse ainda que, no âmbito deste processo, o município de Torres Novas pretende, “a curto e a médio prazo, implementar um projecto de valorização” deste património arqueológico.

“Para além do corte da via ao trânsito de veículos e à criação de um caminho alternativo, prevê-se proceder a acções de limpeza e de conservação e restauro da via, bem como à valorização do local com a colocação de painéis informativos, a par de ações de divulgação do sítio, com visitas guiadas e criação de percursos pedestres relacionados com o património cultural e natural”.

Ao mesmo tempo, notou, é ainda objetivo efectuar uma “sondagem arqueológica” por forma a “caracterizar e documentar o tipo de construção” desta estrutura viária e “recolher elementos que permitam datar” o momento da sua construção.

“O estudo das vias romanas no concelho de Torres Novas e da sua articulação com o povoamento romano do território enquadra-se também no projecto “Villa Cardílio e a romanização da bacia hidrográfica do Almonda”, declarou, processo que decorre desde 2021 e no qual este troço desempenha um “papel central”.

De acordo com o anúncio publicado na terça-feira, poderão ser apresentadas reclamações ou interpor recurso hierárquico do ato que decide a abertura do procedimento de classificação.

C/LUSA

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