Trinta anos depois, o Atelier do Massimo continua a ser uma escola de arte e de afectos. Foto: mediotejo.net

A música de Sade ouve-se discretamente enquanto a luz da manhã entra pelas amplas janelas do atelier. Há telas encostadas às paredes, pincéis pousados sobre as mesas, estantes repletas de livros de arte, fotografias de antigos alunos e quadros que contam quase quatro décadas de pintura. Lá fora, os pássaros quebram apenas por instantes o silêncio de uma fresca manhã de verão em Abrantes.

Massimo Esposito serve um café, sorri e começa a falar antes mesmo da primeira pergunta. Fala da infância em Ferrara, do pai pintor, das viagens por vários continentes, da chegada a Portugal e da escolha de Abrantes para criar raízes. Mas fala sobretudo das pessoas. Dos alunos que encontrou pelo caminho e da comunidade que nasceu dentro deste atelier.

A conversa acontece a poucos dias da inauguração de “A Linha do Tempo – 30 anos do Atelier do Massimo”, exposição que abre a 18 de julho, na QuARTel – Galeria Municipal de Arte, reunindo cerca de uma centena de obras de antigos e atuais alunos entre mais de 600 pessoas que passaram pelo seu atelier instalado em Abrantes desde 1996. Um percurso que o pintor italiano espera também transformar num livro, já em preparação, dedicado às três décadas deste projeto.

É esse percurso – feito de viagens, trabalho, persistência e encontros – que revisitamos nesta conversa. E, ao longo de quase duas horas, percebe-se rapidamente que, para Massimo Esposito, ensinar nunca significou apenas transmitir técnica.

Significou, acima de tudo, ajudar cada aluno a descobrir a sua própria forma de olhar e de criar. Como resume a certa altura da entrevista: “Aqui ensino a técnica, mas também ensino a estar juntos.”

“Aqui ensino a técnica, mas também ensino a estar juntos” – Massimo Esposito

Trinta anos depois, o Atelier do Massimo continua a ser uma escola de arte e de afectos. Foto: mediotejo.net

Nasceu em Ferrara, em Itália, numa família ligada à pintura. Que memórias guarda da infância? Quando percebeu que a arte também seria o seu caminho?

O meu pai era pintor e professor de pintura. Cresci rodeado pelo cheiro das tintas, do óleo de linhaça, das telas e dos artistas que passavam lá por casa. Era um ambiente muito bonito, mas, curiosamente, até aos 11 anos não me interessava nada pela pintura. Foi no liceu artístico que tudo mudou. Havia um grupo de rapazes que saía para desenhar ao ar livre e eu quis juntar-me a eles. Comecei a desenhar, a participar em concursos e até a ganhar alguns prémios. A partir daí percebi que era esse o caminho. Mas há uma coisa que costumo dizer aos meus alunos: eu não nasci com um talento extraordinário. Tive de trabalhar muito. Muito mesmo. Talvez por isso compreenda tão bem quem começa do zero.

O seu pai foi também seu professor. Era exigente?

Muito exigente. Ensinava-me a usar corretamente o óleo, a postura diante do cavalete, a disciplina. Hoje olho para trás e percebo que foi uma grande sorte. Ainda hoje me lembro daquela casa perto do mar, do cheiro a sal misturado com o cheiro das tintas. São memórias muito felizes.

Antes de se fixar em Portugal viajou por vários países. O que lhe deram essas viagens?

Deram-me quase tudo. Sempre achei que, quando se acaba um curso, não se deve entrar imediatamente na rotina do trabalho. É importante conhecer o mundo. Viajei pela Europa, por África, pela Ásia, pelo Brasil… e isso mudou completamente a minha maneira de ver as pessoas e a arte. Percebi que, independentemente da cor da pele, da religião ou dos costumes, as pessoas querem praticamente as mesmas coisas: ter uma família, trabalhar, viver em paz, ser felizes. O que muda é a forma como vivem essas coisas. Como artista, as viagens também me transformaram. Na Indonésia descobri técnicas tradicionais, em África encontrei uma escultura extraordinária, no Brasil percebi que a minha paleta de cores mudou completamente. Antes trabalhava muito com azuis; quando regressei, comecei a usar vermelhos, amarelos, cores muito mais quentes. Tudo isso ficou na minha pintura.

O Atelier do Massimo continua a ser uma escola de arte e de afectos. Foto: mediotejo.net

Ferrara continua a ser um porto de abrigo?

Continua. Volto sempre que posso. Tenho família lá e gosto muito de regressar. Mas também sinto saudades do Brasil, de Marrocos e de tantos outros lugares por onde passei. Cada país deixou qualquer coisa em mim. Hoje sinto que pertenço um pouco a todos esses lugares.

Porque escolheu Portugal e, mais tarde, Abrantes?

Foi quase por acaso. Conheci um português de Alpiarça que trabalhava em Itália e dizia-me sempre: “Portugal é o país mais bonito do mundo.” Resolvi vir conhecer. Cheguei em maio de 1986, pouco depois da entrada de Portugal na então Comunidade Económica Europeia. Naquela altura ainda era raro um estrangeiro pedir residência cá, mas fui muito bem recebido em Alpiarça. Comecei por trabalhar na agricultura. Tinha estufas e fazia painéis de azulejos, reproduções de pinturas antigas e outros trabalhos para conseguir viver. Aos poucos fui percebendo que passava muito tempo de enxada na mão e muito pouco diante do cavalete. Foi então que decidi apostar definitivamente na pintura.

E o Atelier do Massimo nasceu pouco tempo depois?

Ainda demorou alguns anos. Primeiro abri uma galeria em Tomar e fazia exposições. Muitas pessoas começaram a pedir-me aulas particulares. Andava com o cavalete às costas de casa em casa. Chegou um momento em que pensei que aquilo não fazia sentido. Escrevi a várias câmaras municipais da região a perguntar se havia interesse em criar uma escola de pintura. A única resposta positiva veio da Câmara de Abrantes. Começámos quase como uma experiência. Nem eu, nem a Câmara, imaginávamos o que iria acontecer. Em poucos meses já havia cerca de 75 alunos inscritos. Foi aí que percebi que este projeto tinha futuro.

Quando abriu o atelier, em 1996, imaginava que, trinta anos depois, teria mais de 600 alunos e uma exposição comemorativa?

Nunca. Aliás, nunca pensei sequer chegar à idade que tenho hoje. Nunca pensava na reforma nem fazia planos tão longos. As coisas foram acontecendo naturalmente. Hoje olho para trás e vejo que passaram por aqui mais de 600 alunos só em Abrantes. Muitos continuam ligados à pintura. Outros seguiram caminhos completamente diferentes. Mas todos deixaram qualquer coisa neste espaço. E isso é talvez a maior recompensa.

Trinta anos depois, o Atelier do Massimo continua a ser uma escola de arte e de afectos. Foto: mediotejo.net

Ensinar acabou por ocupar uma parte muito importante da sua vida. O que lhe ensinaram os alunos ao longo destas três décadas?

Ensinar obrigou-me, antes de mais, a aprender. Aprendi a ter paciência, empatia e a olhar para cada pessoa de forma diferente. Muitas vezes chegavam aqui alunos e eu pensava: “Meu Deus, como é que vou ajudar esta pessoa?” Alguns nunca tinham pegado num lápis. Outros atravessavam momentos muito difíceis: um divórcio, problemas de saúde, o isolamento da pandemia. Cada um era um desafio. A grande satisfação é perceber que, na maioria dos casos, conseguiram ultrapassar aquilo que julgavam ser os seus limites. Quando hoje vejo os quadros reunidos nesta exposição, percebo que muitos chegaram muito mais longe do que imaginavam.

Este atelier acaba por ser muito mais do que uma escola de pintura…

Sem dúvida. Aqui aprende-se técnica, mas também aprende-se a estar com os outros. Quando estudei em Itália tive um professor que era exatamente o contrário daquilo que um professor deve ser. Humilhava os alunos, ofendia-os, não tinha qualquer vontade de ensinar. Muitos desistiram por causa dele. Prometi a mim próprio que, se um dia ensinasse, faria precisamente o contrário. Aqui tento perceber cada pessoa. Se alguém não compreende uma técnica, não é porque não queira aprender; é porque ainda não encontrou a forma de lá chegar. Cabe-me a mim encontrar esse caminho. Por isso continuo a receber mensagens de alunos que passaram por aqui há 30 anos. Alguns têm hoje mais de 90 anos. Outros vivem na Noruega, em Lisboa ou noutros países. Continuamos a falar. Isso diz-me que o mais importante não foi apenas a pintura.

Costuma dizer que aqui ensina a técnica, mas também a “estar juntos”. O que significa isso?

Hoje vivemos num tempo em que tudo gera discussão. Aqui não se fala de política, nem de futebol, nem de assuntos que dividam as pessoas. Vimos para desenhar, conversar, ouvir música, criar um ambiente tranquilo. Posso dizer-lhe uma coisa que me deixa muito feliz? A maioria das pessoas entra aqui preocupada, cansada, às vezes até zangada com a vida. Mas sai daqui a sorrir. Isso vale muito mais do que qualquer quadro.

Houve algum aluno que o tenha marcado particularmente?

Não consigo escolher um. Já me perguntaram qual foi o melhor aluno ou qual é o meu quadro preferido. Não existe. Cada um deu aquilo que podia. Há quem tenha seguido uma carreira artística. Outros vinham apenas duas horas por semana porque era aquele momento que tinham para si. Mas há histórias que ficam. Lembro-me, por exemplo, de uma senhora que hoje tem 88 anos e foi uma das primeiras alunas do atelier. Foi muito difícil encontrá-la para esta exposição, porque na altura nem havia telemóveis nem e-mail. Acabei por ir procurá-la a casa. Recebeu-me com uma alegria enorme e entregou-me um quadro lindíssimo. Ou de um antigo aluno que reencontrei ao fim de 30 anos. Hoje já é pai de família e, quando falámos ao telefone, a primeira coisa que me disse foi: “Professor, que saudades tenho daquele tempo.” São momentos que não se esquecem.

O Atelier do Massimo continua a ser uma escola de arte e de afectos. Foto: mediotejo.net

Costuma definir-se como um “operário do pincel”. O que quer dizer com essa expressão?

Hoje chama-se artista a muita coisa. Eu respeito todas as formas de expressão, mas continuo a acreditar que a técnica é importante. Para mim, antes de quebrarmos as regras, temos de as conhecer. É como na música. Primeiro aprende-se a escala. Depois cada um faz jazz, música contemporânea ou aquilo que quiser. Na pintura acontece o mesmo. Eu gosto de experimentar. Pinto a óleo, em porcelana, em cerâmica, utilizo pigmentos naturais, vinho, azeite… gosto de descobrir materiais novos. Mas gosto de saber aquilo que estou a fazer. Por isso digo que sou um operário do pincel. Trabalho todos os dias para dominar a técnica. Depois cada um encontra a sua linguagem.

É hoje mais difícil despertar o interesse dos jovens pela pintura?

Os jovens continuam a interessar-se pela arte. Tenho aqui rapazes e raparigas de 15, 16 ou 17 anos que fazem trabalhos extraordinários. O problema é outro. Hoje tudo tem de acontecer depressa. Muitos querem aprender em seis meses aquilo que antigamente levava anos. Vivemos muito influenciados pelas redes sociais. Há quem veja um vídeo no youtube e pense que já sabe pintar. Mas aprender uma técnica exige tempo, prática e persistência. Não há atalhos.

Trinta anos depois, o Atelier do Massimo continua a ser uma escola de arte e de afectos. Foto: mediotejo.net

E a inteligência artificial? Acha que representa uma ameaça para a criação artística?

Não. É apenas mais uma ferramenta. Quando apareceu a pintura a óleo também houve artistas que disseram que aquilo não fazia sentido. Mais tarde aconteceu o mesmo com a tinta acrílica. A inteligência artificial fará parte do futuro. Agora, uma coisa é utilizar uma ferramenta. Outra é perder a criatividade. Se me der um papel e um lápis, continuo a desenhar. Essa capacidade nasce da pessoa. A criatividade continua a ser humana. Além disso, desenhar e pintar têm uma dimensão muito importante de bem-estar. A arte ajuda-nos a conhecer-nos melhor. A nossa sociedade precisa cada vez mais dessa tranquilidade.

A exposição “A Linha do Tempo” reúne cerca de uma centena de trabalhos de antigos e atuais alunos. O que espera que os visitantes encontrem quando percorrerem esta viagem de 30 anos?

Espero que percebam que Abrantes tem muitas pessoas que gostam de arte e que vale a pena continuar a investir nela. Esta não é apenas uma exposição de pintura. É uma exposição de pessoas. Cada quadro tem uma história. Há alunos que começaram comigo há 30 anos e continuam a pintar. Outros seguiram outros caminhos, mas aceitaram voltar para participar nesta celebração. Quando começaram a chegar ao atelier para entregar os trabalhos ouvi muitas vezes a mesma frase: “Professor, que saudades eu tinha disto.” Isso emocionou-me. A exposição vai muito além da inauguração. Vai estar patente até janeiro e queremos que seja um espaço vivo, com visitas, oficinas, encontros e atividades para escolas e famílias. Gostava que fosse um lugar onde as pessoas entrassem sem receio, descobrissem a pintura e percebessem que desenhar não é um dom reservado a alguns. Com vontade e orientação, qualquer pessoa pode aprender.

Ao preparar esta exposição reencontrou antigos alunos. Houve algum momento particularmente emocionante?

Vários. Lembro-me de uma senhora que hoje tem 88 anos e foi uma das primeiras alunas do atelier. Não sabia como havia de a encontrar. Naquela altura não existiam telemóveis nem correio eletrónico. Acabei por ir procurá-la a casa. Recebeu-me com um sorriso enorme e entregou-me um quadro maravilhoso. Na altura em que começou a pintar dizia-me que nunca conseguiria fazer nada de jeito. Hoje olha para aquele trabalho com orgulho. Também reencontrei um antigo aluno que já não via há quase 30 anos. Quando lhe telefonei respondeu logo: “Professor, que saudades.” É nestes momentos que percebemos que ficou muito mais do que a pintura.

Trinta anos depois, o Atelier do Massimo continua a ser uma escola de arte e de afectos. Foto: mediotejo.net

Ao longo destas três décadas, Abrantes também mudou. Como olha hoje para a vida cultural do concelho?

Mudou muito. Quando cheguei havia muito menos oferta cultural. Hoje existem o MIAA, a QuARTel, os museus, associações e muitos agentes culturais que fazem um excelente trabalho. Agora é preciso continuar a dar vida a esses espaços. Uma galeria não deve ser apenas um lugar onde se penduram quadros. Tem de chamar as pessoas, criar encontros, oficinas, debates, atividades. A cultura vive quando as pessoas participam. Espero também que a reabertura do Cine-Teatro São Pedro venha reforçar essa dinâmica. Quanto mais espaços houver para criar, melhor será para todos.

Ao longo dos anos defendeu muitas vezes um maior apoio aos jovens artistas. Continua a sentir essa necessidade?

Muito. É talvez o meu maior sonho. Gostava de ajudar os jovens desta região a encontrarem um espaço onde diferentes formas de arte pudessem conviver. Um toca guitarra, outro escreve poesia, outro pinta, outro faz teatro. Porque não criar um lugar onde todos se encontrem? Existem exemplos muito interessantes noutras cidades portuguesas. Abrantes tem condições para isso. Tem equipamentos culturais excelentes. Agora é preciso dar-lhes cada vez mais vida.

Trinta anos depois, o Atelier do Massimo continua a ser uma escola de arte e de afectos. Foto: mediotejo.net

Depois de uma carreira dedicada à criação artística e ao ensino, qual considera ser o seu maior legado?

O exemplo. Muita gente me dizia que eu nunca conseguiria viver da pintura em Portugal. Diziam-me para abrir uma escola em Lisboa. Eu preferi ficar aqui. Foi preciso trabalhar muito. Fiz de tudo. Sou pintor, professor, secretário, relações públicas, limpo o atelier, trato da contabilidade…Mas sempre acreditei que era possível. Se o meu percurso servir para mostrar a alguém que vale a pena acreditar no seu trabalho, então já fico satisfeito.

Está também a preparar um livro sobre estes 30 anos…

Sim. Já comecei a organizá-lo. Tenho fotografias, documentos, histórias e muitos testemunhos destes anos todos. Ainda não sei quando ficará pronto, porque é um trabalho grande. Gostava que fosse um livro sobre as pessoas que passaram por aqui, sobre aquilo que construímos juntos. A exposição celebra estes 30 anos. O livro ficará para memória futura.

Pintor Massimo Esposito expôs no CRIA em mostra solidária. Foto: Facebook ME

Depois desta celebração, ainda há sonhos por concretizar?

Claro que sim. Enquanto tiver saúde quero continuar a ensinar. Mas, acima de tudo, gostava de poder ajudar os jovens artistas a afirmarem-se aqui, nesta região. Hoje já estou tranquilo na minha vida. Aquilo que me dá prazer é poder ajudar os outros.

Se pudesse voltar atrás e encontrar o jovem Massimo que saiu de Itália para conhecer o mundo, que conselho lhe daria?

Dir-lhe-ia apenas uma palavra: “Continua.” Porque todas aquelas viagens, todos os trabalhos que tive, todas as experiências, boas e más, fizeram de mim aquilo que sou hoje. Se não tivesse vivido tudo isso, não seria a mesma pessoa.

Quando as luzes da QuARTel se apagarem e esta exposição terminar, como gostaria que as pessoas se lembrassem de si?

Gostava que se lembrassem de mim como um operário do pincel. Como alguém que trabalhou todos os dias. Mas, sobretudo, como uma pessoa que esteve sempre disponível para os seus alunos. Ainda hoje recebo mensagens de antigos alunos que vivem na Noruega, em Lisboa ou noutros países a pedir uma opinião sobre um quadro. E eu respondo. Porque essa relação nunca acaba. É isso que gostaria que ficasse. Mais do que os quadros, as amizades”.

Trinta anos depois, o Atelier do Massimo continua a ser uma escola de arte e de afectos. Foto: mediotejo.net

Paralelamente à exposição, Massimo Esposito está a preparar um livro que reunirá fotografias, testemunhos e memórias dos 30 anos do Atelier do Massimo. A obra, ainda sem data de publicação, pretende preservar a história de um projeto que marcou a vida de mais de 600 alunos e do próprio pintor italiano.

QuARTel – Galeria Municipal de Arte de Abrantes

Horário de funcionamento:

Terça-feira a sábado das 14:00 – 17:30. Encerra ao domingo, segunda-feira e feriados (exceto 14 de junho). Última entrada 30 minutos antes do encerramento.

Localização:

Largo de Sant’ana – Abrantes

Coordenadas GPS: 39,46423°N 8,20093°O

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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