José Trincão Marques, na tomada de posse como presidente da Câmara de Torres Novas. Créditos: Sónia Sousa

Democracia, liberdade, justiça. Civismo, elevação, educação, ética, verticalidade, transparência, frontalidade, honestidade, coragem. Igualdade, diálogo, tolerância, cooperação, participação, inclusão, equidade, inovação, competência, responsabilidade, dedicação. Liderança, proximidade, sustentabilidade, equilíbrio, coesão. Esperança. Futuro.

Todas estas palavras estiveram em destaque no discurso de 7 minutos que José Trincão Marques (PS) fez no Teatro Virgínia, no domingo à noite. Numa sala cheia, onde houve quem tivesse de ficar à porta e de pé, falou ainda de respeito mútuo, desenvolvimento sustentável, qualidade de vida, desenvolvimento local, espírito democrático. Prometeu “dedicação à causa pública, com rigor, com frontalidade, com convicção, com liderança, com foco nos problemas que têm de ser resolvidos, com disciplina e com trabalho”.

Fez também questão de frisar que será um presidente “solidário com os mais pobres e com os mais carenciados”, um presidente “aberto e de diálogo com todos os munícipes, independentemente das suas opções políticas e origens sociais”.

ÁUDIO | Discurso da tomada de posse de José Trincão Marques

Num momento mais emotivo, invocou aqueles que o antecederam, exercendo funções na presidência do município após o 25 de Abril de 1974: Carlos Trincão de Oliveira Marques, Agostinho Alves dos Santos, Pedro Manuel Natal da Luz, Casimiro Gomes Pereira, Arnaldo Filipe Rodrigues dos Santos, António Manuel Oliveira Rodrigues e Pedro Paulo Ramos Ferreira.

“Todos estes homens se dedicaram ao serviço público e cívico com coragem e dedicação, muitas vezes em prejuízo das suas próprias vidas pessoais, profissionais e familiares”, frisou.

Foi o momento mais pessoal do discurso, sem o ser explicitamente – o primeiro presidente em democracia, entre junho de 1974 e janeiro de 1976, foi o seu pai. Cinquenta anos depois, ali estava outro Trincão Marques, a assumir o mesmo cargo, ao serviço da causa pública. E os princípios fundadores da democracia pontuaram todo o seu discurso, defendendo que o poder autárquico deve ser “exercido sem arrogância, sem autismo, sem autoritarismo”, mas sim com diálogo.

“Pretendo afirmar a Câmara Municipal como agente da democracia, aprofundar e rejuvenescer a democracia ao nível local, transformando a autarquia num agente proativo de democratização da sociedade e da economia, (…) fortalecer o poder local como instância aberta e confiável, pautando o seu funcionamento por critérios éticos de transparência, equidade e sustentabilidade” e “reforçar o papel do poder local como promotor da inovação social, cultural, económica e ambiental e defensor da inclusão da diversidade territorial nas agendas políticas e na formulação de políticas e programas”.

José Trincão Marques foi eleito presidente da Câmara Municipal de Torres Novas numa das disputas mais renhidas da região do Médio Tejo, por apenas 83 votos. O PS obteve 34,64% dos votos e o PSD 34,18%. O Chega elegeu um vereador.

Prometendo ser “o presidente de todos os torrejanos”, deixou uma palavra de agradecimento a quem nele votou: “Não os desiludirei. Serei fiel aos compromissos que assumi antes das eleições autárquicas e que não se alteraram. Serei um presidente de Câmara solidário com os mais pobres e com os mais carenciados. Serei um presidente aberto e de diálogo com todos os munícipes, independentemente das suas opções políticas e origens sociais. Pretendo exercer este meu mandato com ética, com verticalidade, com honestidade, com coragem, com proximidade, com resolução dos problemas concretos, com rapidez e eficácia, com dedicação à causa pública, com rigor, com frontalidade, com convicção nos princípios em que acredito, com liderança, com foco nos problemas que têm de ser resolvidos.”

Antes de terminar, citou ainda Kant, no que poderá ser entendido como um “recado” para o seu antecessor: “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal” . Por outras palavras, como disse Trincão Marques, “não faças aos outros aquilo que não queres que façam a ti”.

“Tenho a certeza que o presidente da Câmara cessante, Pedro Ferreira, me auxiliará nesta sua passagem de testemunho com a sua experiência, não caindo na tentação de dificultar nem condicionar o trabalho que pretendo desenvolver.”

José Trincão Marques deu assim início a um novo ciclo político em Torres Novas, reiterando ter “muita motivação para trabalhar e esperança no futuro do concelho” – um futuro onde “democracia” e “liberdade” nunca sejam palavras vãs.

Pedro Ferreira “troca de cadeira” com Trincão Marques e é o novo presidente da Assembleia Municipal

Os holofotes estavam naturalmente focados em José Trincão Marques, e foi ele que desde o primeiro momento esteve em palco – mas não no papel de novo presidente da Câmara Municipal. Presidente da Assembleia Municipal cessante, teve de liderar todos os trabalhos de instalação dos novos eleitos, inclusive de si próprio. Um a um, todos foram chamados a prestar o juramento de cumprir as funções que lhes são confiadas e a assinar as atas da tomada de posse.

No caso dos eleitos para o Executivo camarário, Trincão Marques deu conta da renúncia ao mandato apresentada previamente pelo nº 2 do PSD, Jorge Salgado Simões, que foi substituído na vereação por António Abreu. Jorge Salgado Simões é o segundo-secretário executivo na Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, onde se manterá em funções.

Logo após a tomada de posse do novo Executivo, teve início a primeira reunião da nova Assembleia Municipal, presidida para o efeito pelo representante mais votado, que foi Pedro Ferreira (PS), o presidente da câmara cessante. Foi um momento de literal mudança de cadeiras: Trincão Marques da Assembleia para a Câmara, Pedro Ferreira da Câmara para a Assembleia.

Dos 31 elementos da Assembleia Municipal estavam presentes 30 – falava um elemento do PS. Ainda assim, a votação nas duas listas apresentadas (uma do PS, outra do PSD) iniciou-se com a expectativa de uma vitória para os socialistas, uma vez que PS, BE e CDU, com os presidentes de junta de freguesia do PS, somariam 15 votos (ou 16, se contasse com a Freguesia de Assentiz), enquanto a AD (PSD/CDS-PP) com Chega e do Movimento Pela Nossa Terra somariam apenas 14 votos.

Contudo, a lista A obteve 17 votos e a lista B 13 votos. O resultado final foi o esperado, mas houve alguém que a lista B contaria como “apoiante” que acabou por decidir de forma diferente. Quem terá sido? O mistério ficou o ar, naquele final de noite mais feliz para uns do que para outros.

O voto é secreto e a grande arma da democracia: até à contagem do último boletim, tudo pode acontecer. Ou como disse um dia um filósofo do futebolês, “prognósticos só mesmo no final do jogo”.

Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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