Três semanas após Kristin e cheias, Médio Tejo enfrenta atraso na prevenção florestal. Foto arquivo: mediotejo.net

“Estamos ainda a recuperar das cheias e da tempestade, com estradas submersas na Lezíria e populações sem energia em Ourém, Tomar e Ferreira do Zêzere, e isso está a atrasar claramente os trabalhos de prevenção para a época de incêndios”, afirmou o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo.

Segundo David Lobato, o Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo foi desagravado de vermelho para amarelo na segunda-feira, mas mantém-se ativo, já que os caudais continuam acima do nível considerado normal.

Ao meio-dia desta terça-feira, no ponto de medição em Almourol, o caudal era de 1.835 m³/s, acima da referência de 1.500 m³/s necessária para desativar o alerta amarelo, mas muito abaixo do pico de cheia – 9.057 m3/s – registado em 06 de fevereiro, já em alerta vermelho.

Apesar de, no Médio Tejo, o rio já estar praticamente dentro do leito, na Lezíria “persistem múltiplas estradas submersas e cortadas”, notou.

No distrito de Santarém continuam afetadas mais de 140 vias, distribuídas por 16 municípios, entre submersões, abatimentos de via, movimentos de massa, colapso de infraestruturas e quedas de taludes que dificultam as deslocações.

Por isso, o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo reiterou os apelos para que as populações tenham precaução a circular e procurem vias alternativas que já estejam desimpedidas.

Paralelamente, e quando se assinalam 22 dias da passagem da depressão Kristin, que foi seguida depois pelas depressões Leonardo e Marta, mais de duas mil pessoas permanecem sem energia elétrica e comunicações, sobretudo nos concelhos de Ourém, Tomar e Ferreira do Zêzere.

Alguns municípios já desativaram os respetivos planos municipais de emergência, mas outros deverão mantê-los ativos nos próximos dias, face aos constrangimentos ainda existentes.

Com o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais a arrancar em 15 de maio, a Proteção Civil admite que os trabalhos de prevenção estão atrasados.

“Devíamos estar já a fazer limpezas de caminhos florestais, faixas de gestão de combustível e desobstrução, mas muitos caminhos desapareceram, outros estão alagados ou cheios de árvores. Não conseguimos ainda meter maquinaria pesada no terreno”, explicou David Lobato.

O comandante reconheceu que este será “um trabalho em contrarrelógio”, numa região maioritariamente florestal, sublinhando que a forte pluviosidade deste inverno deverá potenciar o crescimento de matos e combustíveis finos, aumentando o risco com a subida das temperaturas.

Três semanas após Kristin e cheias, Médio Tejo enfrenta atraso na prevenção florestal. Foto mediotejo.net

“Atualmente, temos de lamber as nossas feridas e recuperar o território, mas ao mesmo tempo já estamos a preparar o dispositivo de incêndios”, afirmou, indicando que se mantêm ativos o plano de emergência para cheias do Tejo, em nível amarelo, e o estado de prontidão especial de emergência no nível 2.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

c/LUSA

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