DÓi receber notícias como a da morte da Maria Eugénia. Não porque possa ser surpresa que a morte chegue aos quase 89 anos, não porque as últimas perguntas sobre o seu estado de saúde fossem tranquilizadoras, pelo que já não a encontrámos, com aquele seu sorriso confiante e terno, na última Festa do avante!
Morreu um ser humano de grande riqueza interior e de amor pelo outro, que se reflectiam em poemas simples, em contos muito curtos e belíssimos, em trabalhos de jornalista
De Maria Eugénia Cunhal foram editados O Silêncio do Vidro, História de Um Condenado à Morte, As Mãos e o Gesto, Relva Verde Para Cláudio e Escrita de Esferográfica (com crónicas publicadas no jornal Voz do Operário); entre 1947 e 1951 publicou, na revista Vértice, poemas com o pseudónimo de «Maria André».
Já nos falta, e tanto…, mas hoje vou relê-la/revê-la.
RÉplica, e dura, é o que merece o uso e abuso de algumas palavras e expressões que entraram, por portas travessas, no nosso léxico corrente e são utilizadas perversamente.
Por tudo e por nada se fala de mais-valia, agora particularmente nos excessivos tempos de antena de desporto, perdão, de futebol. E mais-valia, para um economista, tem significado que se confronta com outros conceitos como valor acrescentado, ou significados condicionados por opções ideológicas.
Outra expressão que justifica réplica é a de direitos humanos. Vindo tal expressão do final da guerra, de 10 de Dezembro de 1948, adaptando declaração dos direitos do homem de 1789, o que logo no título representa um avanço pois “homem” é redutor relativamente a “seres humanos” – homens e mulheres –, e a estes se dirige tal declaração universal, isto é, para todos.
E réplica dura se exige quando se usa a expressão como arma política com a selecção de alguns direitos como sendo de primeira – políticos e de propriedade privada – e outros como secundários ou subalternos – vida, saúde, educação, trabalho.
MInorias e maioria é (ou são) tema que nos tem ocupado. Este debate, esta luta política, representou uma mudança da maior importância. Houve, claramente, uma passagem do centro da política (da democracia) para a Assembleia da República, com a sua formação que faz dela a chamada “Casa da Democracia”, a que se deve acrescentar representativa, pois só por representação do povo o pode ser, e o povo tem formas de exprimir o seu poder que são de democracia participativa.
Esta mudança de centro da democracia representativa está a provocar evidentes incómodos a quem (partidos e interesses) estaria acomodado a ser centro do poder (democrático constitucional…).
Sucedem-se as “guerras”, em várias frentes. Por vezes estranhas. Como, se me não engano…, a dos 5 dos 19 membros do Conselho de Estado que cabem ser escolhidos pela Assembleia da República.
Pois este órgão constitucional e consultivo do Presidente da República, que Cavaco Silva – apesar das inerências, de 5 por ele escolhidos e de 3 dos 5 saídos da AdaR serem ex-presidentes do PSD – desvalorizou e substituiu por “conselheiros só seus”, entre os quais banqueiros e empresários.
Este eventual confronto ganhou destaque por ser já não entre PS e PSD, com CDS a servir de “bengala” se um deles precisasse, mas entre “direita” e “esquerda” no parlamento.
