Portugal conseguiu 352 medalhas na 34.ª edição do Mundus Vini e foi o terceiro país mais premiado no concurso de vinhos a seguir a Itália e a Espanha. Além de 219 medalhas de ouro (em inglês, Gold; como surge escrito no selo que os produtores podem agora exibir nas garrafas dos vinhos premiados) e 118 de prata (Silver), os vinhos nacionais conquistaram 15 medalhas “Grande Ouro” (Grand Gold), a distinção mais alta do concurso internacional, que tem duas edições por ano. A região do Tejo, por exemplo, conseguiu 29 medalhas de ouro e 8 de prata.
A entrega dos prémios do concurso Mundus Vini, um dos maiores eventos vínicos mundiais e onde Portugal teve mais de 300 produtores representados, aconteceu no dia 10 de março na Alemanha, estando entre eles o enólogo e produtor Nuno Falcão Rodrigues, dos vinhos Casal da Coelheira, que conquistou duas medalhas de ouro e uma de prata com os vinhos produzidos no Tramagal.

ÁUDIO | NUNO RODRIGUES, ENÓLOGO E PRODUTOR CASAL DA COELHEIRA:
“É um reconhecimento de um trabalho já de várias décadas que o Casal da Coelheira tem vindo a fazer e que, obviamente em primeiro lugar enche-nos de orgulho por esse mesmo reconhecimento. Por outro lado, é efetivamente uma consolidação daquilo que tem sido feito e mostrar que as apostas, as estratégias e a qualidade têm seguido no caminho correto”, disse Nuno Rodrigues ao mediotejo.net.
“Embora nesta questão dos vinhos não é fácil, muitas vezes, conseguir acompanhar tendências, acompanhar modas, mas plantar uma vinha hoje, escolhendo uma casta hoje, só vamos ter uma primeira vindima ao fim de cinco anos. A vinha só vai atingir a sua maturidade ao fim de 10/12 anos e portanto, são coisas muito lentas e nós não conseguimos reagir àquilo que são as tendências do mercado”, notou.
“Mas, efetivamente, estes prémios vêm mostrar que temos seguido nesse caminho, no caminho da qualidade, também da diversidade, é uma estratégia que o Casal da Coelheira tem procurado. É ir lançando algumas novidades, coisas diferentes, coisas novas, uma aposta muito forte nas castas portuguesas, porque entendemos que temos um património riquíssimo e isso é, sem dúvida, uma mais-valia, não só a nível do mercado português, mas principalmente a nível dos mercados internacionais, em que nós aparecemos com coisas diferentes que os outros países não têm e isso acaba também por, de certa forma, facilitar o nosso trabalho e dar-nos também um pouco mais de visibilidade”, indicou o enólogo.
A mais valia deste prémios passa pelo destaque conferido por um concurso especializado e que é “um dos maiores a nível mundial”.
“O Mundos Vini que decorreu na Alemanha tem uma particularidade. É um concurso que tem duas edições anuais, têm a edição de primavera e tem a edição de verão. Portanto, neste momento, nós concorremos à edição de primavera de 2024 com três vinhos e tivemos 3 medalhas. Duas medalhas de ouro e uma de prata. No ouro foi o Casal da Coelheira o Reserva Tinto 2021, o Private Collection Alicante Bouschet 2021 e na prata, o Casal da Coelheira Tinto 2021. A somar a isto, nós neste momento temos o nosso portefólio, na prática, cinco vinhos medalhados no concurso dos Mundo Vini, porque como eu comecei a explicar, tivemos também, na edição do ano passado, da prova de verão, também dois vinhos medalhados com ouro, neste caso, o Mithos 2021 e o Private Collection Blend 2021”, estando todos disponíveis neste momento no mercado.
Questionado sobre o segredo do sucesso, Nuno Falcão Rodrigues disse que tal, hoje em dia, “não há”, tendo indicado que o fator principal está na vinha e na qualidade das uvas.
“Quando eu comecei nestas lides dos vinhos, havia alguns segredos, havia algum empirismo, havia muito conhecimento, havia muito conhecimento que era passado de pai para filho… hoje em dia as coisas estão diferentes, o conhecimento evoluiu, difundiu-se, expandiu-se, portanto, hoje em dia, acho que o efeito diferenciador é a matéria-prima que nós utilizamos. É a qualidade das nossas uvas. Eu costumo dizer, um pouco em termos de brincadeira, mas acho que não estará muito longe da verdade, se é que podemos quantificar as coisas desta forma, 80 ou 85% da qualidade do vinho faz-se na vinha e os outros é não estragá-lo na adega”, indicou, num trabalho dedicado, longo e persistente.
“É um trabalho longo, duro, às vezes com alguns amargos de boca, porque pode vir uma geada e destruir toda a produção de um ano. Pode ver um granizo, um escaldão e cada vez mais, com estas alterações climáticas que todos nós sentimos, a vinha começa-se a sentir e nós próprios temos de ir tomando algumas medidas para nos adaptar, para nos tentar proteger e proteger a nossa uva dessas alterações climáticas. Mas a qualidade da uva é o essencial, é o segredo, se é que podemos dizer”.

Os vinhos e os prémios
“O prémio, para além de ser o reconhecimento e o orgulho de toda uma equipa que está envolvida no processo, é naturalmente uma ferramenta comercial importante. Porque, o Casal da Coelheira é um pequeno produtor, num pequeno país, aqui à beira-mar plantado e, naturalmente, desconhecido nos grandes mercados. Portanto, aparecer uma garrafa de um vinho com uma medalha de ouro vai dar naturalmente uma confiança acrescida a alguém que olha para aquela garrafa e fica na dúvida se há de comprar, se não há de comprar”.
A importância comercial dos prémios
“É naturalmente uma ferramenta comercial importante e que, felizmente, nos tem permitido hoje, irmos expandindo a nossa presença. Nós estamos em mais de 20 países. Praticamente em todos os continentes. Apenas uma curiosidade, este mês colocámos, como se costuma dizer, uma lança em África. Entrámos no Congo e portanto, foi mais um país para o nosso leque muito diversificado, muito alargado de países, que vão desde a Coreia do Sul até aos Estados Unidos, Brasil, Costa Rica… são países um bocadinho esquecidos em termos dos mercados dos vinhos mas, felizmente, conseguimos… são pequenas produções, às vezes as pessoas pensam como é que o Casal da Coelheira tem produção para conseguir estar em tantos países, mas a questão é que pelo facto de nós produzirmos qualidade, produzirmos pequenas quantidades também, os nossos vinhos não são os mais baratos do mercado. Nós não conseguimos fazê-lo”.
“Portanto, são vinhos que são destinados a mercados de consumidores mais exigentes, consumidores que procuram essa qualidade e, portanto, vão muito ao encontro de alguns nichos de mercado. Nós não estamos em mercados de grandes volumes e vamos, efetivamente, à procura daquele consumidor, daquele cliente, daquele parceiro, valorizar qualidade, valorizar diversidade e é onde nós nos sentimos mais confortáveis”.
Um vinho para brindar
“Eu se calhar não serei muito comercialmente correto, porque neste concurso, nas duas edições do Mundos Vini, como referimos, tivemos cinco medalhas. Curiosamente, todos em tintos. Isso passa um bocadinho também pela nossa estratégia, porque normalmente é mais fácil nós sermos reconhecidos nesse concurso a nível dos tintos do que nos brancos. Isto tem a ver com os estilos do próprio júri, com os gostos do júri e tudo isso. Portanto, nós normalmente não fazemos uma aposta tão grande em enviar os vinhos brancos para esses concursos, mas eu atrevia-me em brindar com um vinho branco.
Já que estamos a entrar num período de primavera, temperaturas mais altas, um dos nossos ex libris, dos nossos cartões de visita que é o Casal da Coelheira Private Collection Verdelho é um vinho que tem conquistado os mercados de uma forma transversal a nível internacional e, portanto, acho que seria um vinho excelente para um clima mais quente para fazermos esse brinde”.
Ao todo foram premiados 352 vinhos nacionais no concurso Mundus Vini, que decorreu em Düsseldorf, na Alemanha, com cinco vinhos de Tramagal a ostentarem esse selo de qualidade.
