Momento de emoção caracterizam os derbis entre Pego e Tramagal. Foto: mediotejo.net.

CASA DO POVO DE PEGO 1 TRAMAGAL SPORT UNIÃO 2

Campeonato Distrital da AFS – 2ª Divisão – Série B – 18ª jornada

Campo de Jogos do Pego – 23-03-2025 (16H00)

Os derbis regionais nunca atribuem favoritismo antecipado a nenhuma das equipas mas o percurso dos dois conjuntos que se encontraram no Pego dizia-nos que o Tramagal Sport União, líder incontestado da série B com apenas uma derrota em Riachos, apresenta índices acima da equipa da Casa do Povo de Pego.

Apesar do equilíbrio estatístico o Tramagal era favorito.

Já as estatísticas dizem-nos que em 24 jogos disputados o Pego venceu 11 e o Tramagal 10, tendo o empate prevalecido em três ocasiões. O equilíbrio é notório no derbi abrantino sendo o fator casa pouco relevante.

Derbi intenso no Pego.

A equipa da Vila metalúrgica tem legítimas ambições à subida mas esta curta deslocação dentro do concelho de Abrantes encerra sempre algum perigo e um grau de dificuldade elevado.

Os pegachos, sem nada a perder, iam jogar o jogo pelo jogo, sem qualquer sombra de ansiedade. Além disso apresentam uma equipa muito jovem, mesclada de jogadores muito experientes e de inegável qualidade como Pedro Rosado (Pepê) ou o capitão Fábio Santos.

Já a equipa de Wilson Leite, apesar da onda de lesões, vai apresentando alterações na equipa mas mantém a qualidade e estilo de jogo.

Atacantes dos “azuis” criam dificuldades à marcação.

A forma como se movimentam as “pedras” mais adiantadas, com trocas constantes de posições, fazem da equipa tramagalense um verdadeiro quebra-cabeças para as defensivas contrárias.

Conscientes das dificuldades que os donos da casa, uma equipa lutadora e que nunca se entrega, os “azuis” entraram deliberadamente ao ataque, procurando desde cedo o golo tranquilizador.

Escolha de campo e primeira posse de bola.

Logo aos cinco minutos, Alejandro entrou na área pegacha em luta com um defensor e apareceu caído no solo. Nem esboçou protesto pelo que o lance terá sido disputado dentro das leis do jogo.

Com o Tramagal por cima, aos oito minutos, o mesmo Alejandro, muito ativo, entrou na área pelo bico esquerdo e assistiu Rafa Silva que rematou por cima. Na resposta, o pegacho André Batista encheu o pé da meia distância mas o esférico ganhou altura e perdeu-se para lá da linha de fundo.

Equipas procuraram o golo desde o apito inicial.

Aos 11 minutos o Tramagal esteve muito perto de abrir o marcador. José Garcia, em tarefas ofensivas pela ala esquerda, rematou prensado num adversário e o esférico, caprichoso, sobrou para Alejandro.

Com o guarda redes João Elisbão batido, atirou onde “dorme o mocho” ou seja na interseção dos ferros da trave e do poste esquerdo. Grande perdida…

Alejandro acertou no poste.

O Pego tardou em reagir mas fê-lo em grande estilo aos 18 minutos Com a bola a circular por várias unidades no ataque, os defensores visitantes sentiram dificuldades na marcação. A posição irregular de Vasco Mascate inviabilizou o lance.

Na insistência, André Batista ganhou a linha de fundo pela direita e cruzou milimetricamente para a cabeça de Pedro Rosado. O guarda redes Daniel Marques, num gesto técnico com tanto de dificuldade como de estética, gorou os intentos pegachos em abrir a contagem. Momento sublime de futebol

Boa reação pegacha.

A reação dos donos da casa refreou os ímpetos atacantes dos visitantes. O futebol ficou mais pausado e as correrias menos frequentes. O Tramagal, no entanto, continuava a ter maior tempo de posse de bola e pertenciam-lhe as melhores iniciativas atacantes.

O Pego ia defendendo de forma competente, com o capitão Fábio Santos só no ataque e sem que o esférico lhe fosse endossado.

Derbi entre Pego e Tramagal é sempre vivido de forma intensa

Aos 27 minutos, a equipa da borboleta beneficiou dum livre à entrada da área, em zona frontal descaído pela esquerda. A bola, batida com força, sofreu o oportuno desvio de Xavi Silva, batendo Elisbão e inaugurando o marcador para o Tramagal.

Xavi desviou para o primeiro golo.

Ainda ecoavam os festejos na bancada destinada aos adeptos “azuis” e já Rafa Silva se isolava, com João Elisbão pela frente e apertado por um defensor. O guarda redes levou a melhor e o defesa completou o alívio, impedindo o avolumar do resultado.

Nos “mentideros” do futebol diz-se que quem não marca, sofre e, de facto, é habitual acontecer…

À passagem da meia hora, André Batista, do “meio da rua”, tirou as medidas à baliza de Daniel Marques e fez o esférico viajar ao encontro das redes num golo de levantar qualquer estádio do mundo. Grande golo!

André Batista empatou com golo monumental.

O fantástico golo da equipa do Pego colocou alguma justiça no “placard”, sendo, no entanto, a equipa de Wilson Leite a equipa mais esclarecida no relvado. Acreditavam os pegachos e Fábio Santos “comandava as tropas” em busca duma vitória que no início parecia pouco provável. O capitão, isolado na área, rematou para boa defesa de Daniel Marques. Respondeu bem a equipa visitante.

Aos 35 minutos o capitão do Tramagal, Luís Ferreira, fez jus à sua experiência e temporizou, guardando a bola à entrada da área enquanto obliquava para o interior.

A desmarcação de Xavi Silva pela esquerda foi a “senha” para o segundo golo da equipa tramagalense. O remate de Xavi só parou no fundo das redes colocando os “azuis” de novo no comando do marcador.

Xavi bisou e deu a vitória à sua equipa.

Embalados pelo golo, os visitantes foram atrás do golo da tranquilidade e dois minutos depois Luís Ferreira assistiu Xavi e a defensiva cortou. Sobrou o esférico para Miguel Domingues que rematou longe do alvo.

Aos 44 minutos José Garcia, em mais uma ida ao ataque, cruzou da ala esquerda e o esférico, caprichoso, encaminhou-se para a baliza de Elisbão. O jovem guarda redes, com uma enorme estirada, deu uma sapatada na bola que se encaminhava para a baliza num golo mais que certo. Enorme defesa…

Já nos descontos, Valdir Gomes rematou por cima da baliza do Tramagal e logo depois Paulo Raposo decretou que era tempo de descanso no Campo de Jogos do Pego.

Primeira parte bem interessante no Pego.

Uma primeira parte bem disputada, com as equipas disponíveis para praticarem um futebol positivo, sem quezílias, tão habituais nos derbis, deixava “água na boca” para os segundos 45 minutos. A diferença mínima espelhada no marcador acentuava a ideia de que muita coisa ainda podia acontecer.

No recomeço Xavi podia ter chegado ao “hat trick” com uma cabeçada que deixou a sensação de ser golo. Ainda se festejou mas foi mesmo ao lado…

Com o Tramagal mais expectante, dando a iniciativa ao adversário, o futebol apresentado ganhou novos contornos. O Pego aproveitou a aparente apatia do adversário e aos 52 minutos José Garcia aliviou para a zona de tiro e Valdir Gomes encheu o pé mas o remate saiu à figura de Daniel Marques.

Tramagal defendeu o resultado e foi feliz.

Foi preciso esperar pelos 59 minutos para que a equipa pegacha voltasse a levar o perigo à área contrária. Na cobrança dum canto, Fábio Santos, de cabeça, obrigou o guarda redes visitante a ceder novo canto.

Com uma toada morna, com o jogo a ser jogado preferencialmente a meio campo, longe das balizas, as oportunidades de golo iam escasseando. Das bancadas, compostas, vinham incentivos a ambas as equipas.

Público afeto a ambas as equipas gostava do que via.

Com algum cansaço a fazer-se notar e a sonolência instalada, foi necessário um remate acrobático de Alejandro na área pegacha, aos 69 minutos, para despertar atenções. A bola sobrou para Luís Ferreira que rematou prensado e caiu carregado pelas costas. Paulo Raposo, juiz da partida, entendeu mandar jogar e pareceu ter ajuizado bem o lance.

Três minutos depois, o Pego voltou a ter, de bola parada, nova oportunidade para empatar a contenda. O remate de André Batista ficou na barreira e na segunda vaga Valdir não fez melhor.

Angolanos da equipa pegacha em bom nível.

Na resposta, Miguel Domingues caiu na área dos pegachos mas o árbitro da partida, apesar dos protestos, assinalou falta do atacante tramagalense.

Enquanto a equipa de Wilson Leite geria a vantagem, com as substituições a trazerem apenas frescura, a equipa da casa acreditava que podia empatar o derbi e conquistar o “pontito”…

Aos 78 minutos, um livre, muito longe da baliza de Daniel Marques, permitiu a cabeçada a Tiago Figueiredo, entrado já no decorrer do segundo tempo. Não passou longe. Pouco depois, Guilherme Bispo imitou-o, após a cobrança dum canto.

Pego bem procurou o empate sem êxito.

A disposição atacante dos pegachos ia-lhe sendo fatal… Aos 83 minutos Xavi aproveitou o adiantamento dos da casa e embalou para a área. Cara a cara com João Elisbão, permitiu a defesa ao guardião pegacho e o resultado manteve-se inalterado, após uma enorme perdida.

Na resposta, o Pego entrou na área contrária com muitas unidades e foi com dificuldade que a defensiva “azul” afastou o perigo. O jogo continuava animado e de resultado incerto.

Paulo Raposo concedeu cinco minutos de compensação e no último deles David Monteiro embalou pela ala direita, e cruzou largo para Luís Ferreira no segundo poste. O remate desviou num adversário e e valeram os ferros da baliza pegacha para manter o resultado inalterado.

Elisbão nega o terceiro a Xavi.

Pouco depois Paulo Raposo deu por terminado um jogo interessante, com bons momentos, futebol positivo, incerteza no resultado e um “fair play” enorme dentro e fora das quatro linhas. O resultado justo poderia ser o empate mas a vitória do Tramagal assenta-lhe bem. Continua com estrelinha de campeão, ganhando mesmo quando joga menos bem… Tem sabido superar as dificuldades das lesões e castigos.

A equipa do Pego, com resultados inconstantes, vai complicando a vida aos candidatos e não se pode pedir muito mais à equipa de Zeca São-Bento. Arbitragem sem influência no resultado. Geriu bem o jogo.

Jogo teve índices elevados de correção.

Com o cruzar de resultados da jornada, onde os favoritos ganharam, tudo ficou como dantes na frente e ao que à subida diz respeito. Os tramagalenses mantêm-se firmes na liderança a cinco pontos (menos um jogo) do Vasco da Gama, que também não desarma. O Vilarense é terceiro, já a 11 pontos, e um jogo a mais. O Pego está em oitavo e desloca-se ao Espinheiro na próxima jornada. O Tramagal recebe o Pernes.

Bis de Xavi manteve a vantagem da equipa “metalúrgica”.

FICHA DO JOGO:

CASA DO POVO DE PEGO:

João Elisbão, André Salvador, Valmir Gomes, André Batista, Valdir Gomes, Diogo Lopes (Paulo Capela), Vasco Mascate, Pedro Rosado (Tiago Figueredo), Manuel Pista, Fábio Santos (Vasco Bioucas) e David Fontinha (Guilherme Bispo).

Suplentes não utilizados: Gabriel Ferreira, Diogo Marchante e Duarte Fontinha.

Treinador: Zeca São-Bento.

Casa do Povo de Pego.

TRAMAGAL SPORT UNIÃO:

Daniel Marques, José Garcia, Francisco Oliveira, Bernardo Carola, Miguel Martins, Jota, Luís Ferreira, Alejandro (Bruno Caldeira), Xavi (Vasco Rosa), Miguel Domingues (David Monteiro) e Rafa Silva (Hugo Costa).

Suplentes não utilizados: João Serafim, Miguel Lourenço e Duarte Ribeiro.

Treinador: Wilson Leite.

Tramagal Sport União.

GOLOS:

André Batista (Pego) e Rafa Silva (2) (Tramagal)

EQUIPA DE ARBITRAGEM:

Paulo Raposo, Bruno Franco e André Silva.

Equipa de Arbitragem: Paulo Raposo, Bruno Franco e André Silva com os capitães.

No final fomos ouvir os treinadores de ambas as equipas:

ZECA SÃO-BENTO, treinador do Pego:

Zeca São-Bento, treinador do Pego.

WILSON LEITE, treinador do Tramagal:

Wilson Leite, treinador do Tramagal.

C/ DAVID PEREIRA (fotos e multimédia)

Nasceu a 30 de Janeiro de 1961 em Lisboa e cresceu no Alentejo, em Santiago do Cacém. Dali partiu em 1980 para ingressar no Exército e no Curso de Enfermagem. Foi colocado em Santa Margarida e por aqui fez carreira acabando por fixar-se no Tramagal em 2000. A sua primeira ligação à Vila "metalúrgica" surge em 1988 como Enfermeiro do TSU. Munido da sua primeira câmera digital, em 2009 e com a passagem à situação de reserva, começou a registar a fauna do Vale do Tejo, a natureza e o património edificado da região, as ruas, as pessoas... Com colaborações regulares em jornais da região e nacionais este autodidata acaba por conseguir o reconhecimento público, materializado em alguns prémios. Foi galardoado na 8ª Gala de Cultura e Desporto de Tramagal na categoria de Artes Plásticas (Fotografia) em 2013. Fez parte da equipa desportiva da Rádio Hertz que ganhou o prémio Artur Agostinho (CNID) em 2020.

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