Foto arquivo: Jorge Santiago

O Museu da Metalúrgica Duarte Ferreira (MDF), fábrica que operou em Tramagal e que tornou a borboleta num símbolo de poderio industrial, foi inaugurado esta segunda-feira, dia 01 de maio, respondendo a uma antiga aspiração da comunidade tramagalense. Perante uma multidão de populares, trabalhadores, patrões da antiga MDF e eleitos locais, a festa do Dia do Trabalhador começou ao som da Banda Filarmónica Riomoinhense com a tradicional cerimónia de deposição de uma coroa de flores junto ao busto de Eduardo Duarte Ferreira (1856-1948), o empreendedor tramagalense que criou um império a partir das asas de uma borboleta, símbolo da empresa. A partir dali, as centenas de pessoas deslocaram-se a pé, ao som da banda, para inaugurar o Museu da Metalúrgica Duarte Ferreira.

Foi quatros anos após a morte de Eduardo Duarte Ferreira, a 1 de maio de 1952, que foi inaugurado este monumento, à entrada do Tramagal, no miradouro com vista sobre o Tejo, seguindo um projeto do arquiteto Keil do Amaral, com um busto em bronze do escultor Vasco da Conceição. Desde então, não há um único registo de vandalismo no monumento e todos os anos, mesmo quando se interromperam as cerimónias oficiais de homenagem ao Comendador, surgia como que misteriosamente, sempre no dia 1 de maio, muitas vezes de madrugada, um ramo de flores junto ao busto do “velho patrão”.

Curiosamente, no mesmo dia 1 de maio de 1952, foi inaugurado o abastecimento público de água à freguesia, perante a presença de dezenas de personalidades.

As cerimónias de inauguração do novo Museu de Tramagal, situado nos antigos escritórios da MDF, e o lançamento de um livro sobre a Metalúrgica Duarte Ferreira – “1879-1997: Metalúrgica Duarte Ferreira – Uma história em constante metamorfose”, da autoria de Patrícia Fonseca, marcaram o dia em Tramagal, aliado à festa do 95º aniversário do Tramagal Sport União (TSU), clube que ostenta a borboleta ao peito e cujo campo de jogos denomina-se de “Comendador Eduardo Duarte Ferreira”.

Hoje, dia 1 de maio de 2017, cumpriu-se a tradição, com os trabalhadores e os antigos patrões unidos nas cerimónias do Dia Mundial do Trabalhador, com a família Duarte Ferreira representada por cerca de 50 elementos de todas as idades e gerações.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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