CLUBE ATLÉTICO RIACHENSE 2 TRAMAGAL SPORT UNIÃO 0
Campeonato Distrital da AFS – 2ª Divisão – 10ª jornada
Campo Coronel Mário Cunha em Riachos – 12-01-2025 (15H00)

Em Riachos, terra de tradições ancestrais, a tradição ainda é o que era… O Atlético local venceu as últimas sete partidas, até este jogo, disputadas com o TSU, adversário deste domingo.
Os “metalúrgicos” venceram o último jogo em Riachos na já longínqua época de 1995/96 quando ganharam (1-2) para a Taça de Portugal.

Como tem sucedido nas últimas épocas os dois emblemas enfrentam-se numa altura em que os “azuis” lideram a tabela classificativa, sem perda de qualquer ponto e os riachenses, no 4º lugar, andam no encalce dos primeiros.
Esta jornada era importante para as contas do campeonato da segunda divisão distrital já que se digladiavam entre si os quatro primeiros classificados.

A primeira nota a reter assim que Pedro Ferreira apitou para dar início à partida foi que a tática adotada por cada uma das equipas iria ser fator de relevo já que são equipas de valor semelhante. A equipa da casa, liderada pelo treinador Miranda, um homem da casa, apostou na solidez defensiva, criando condições para lançar o contra golpe já que dispõe de jovens avançados muito rápidos.
O Tramagal, usando o esquema habitual, cedo percebeu que teria dificuldade em impor o jogo interior, sendo obrigado a “esticar” o jogo pelas alas, o que também não é novidade…

Ainda se testava a validade dos esquemas e já a velocidade de Gabriel fazia estragos. Esgueirou-se aos defesa obrigando ao corte “in-extremis” de Bruno Lemos. Pedro Ferreira marcou falta, muito contestada pelos visitantes, deixando o veterano jogador tramagalense sem sanção disciplinar.
O livre, cobrado para o coração da área, encontrou Filipe Faia que, do alto do seu metro e 93 centímetros, subiu mais alto que Belé e bateu Daniel Marques. Diogo Madeira, em posição irregular, participou ativamente na jogada, mas a equipa de arbitragem teve outra leitura e validou o golo.

Inaugurado o marcador, logo aos três minutos, anteviam-se dificuldades para a equipa de Wilson Leite que teria de subir linhas, tentando igualar a partida, mas abrindo a porta à velocidade dos riachenses.
A resposta pronta dos visitantes podia ter dado frutos mas sofreram grandes calafrios. Valeu a tarde de acerto do guarda redes Daniel Marques. Aos seis minutos foi o travessão a negar o golo a Diogo Madeira e a diferença mínima manteve-se.

Continuavam os da casa a ser a equipa mais esclarecida e logo a seguir João Ferreira tentou a meia distância mas o remate saiu fraco e sem direção. A equipa de Tramagal ia explorando os flancos com Luís Ferreira a cruzar ao 11 minutos, agora do lado direito, levando o perigo à área contrária.
Pouco depois Belé foi forçado a parar um contra ataque do Riachense de forma faltosa. Viu ser-lhe exibida a cartolina amarela. À passagem do quarto de hora, Gabriel ganhou uma bola no seu meio campo defensivo e encetou uma verdadeira “cavalgada”, com Belé à ilharga, e só a defesa oportuna de Daniel Marques com o pé evitou que a vantagem fosse dilatada.

Na resposta, a equipa de Wilson Leite desenhou uma boa transição ofensiva, com a participação de vários jogadores e ganhou um canto. Aos 18 minutos, Belé calculou mal a distância num atraso para o seu guarda redes e permitiu a intromissão de Pedro Ferreira. Daniel Marques saiu de forma corajosa afastando o esférico que ainda tocou em João Ferreira.
Ao vigésimo minuto os “azuis” beneficiaram dum livre na meia direita. Belé, ao segundo poste, teve dificuldade no controle mas emendou Luís Ferreira contra a cortina defensiva. Na segunda vaga Miguel Domingues rematou cruzado com o esférico a passar muito perto da base do poste mais distante.

Aos 23 minutos nova falta a meio campo valeu o cartão amarelo a Miguel Martins. Três minutos volvidos Rafa, em excelente trabalho individual, foi tirando adversários do caminho, guarda redes incluído. Levou demasiado longe o esforço e a segura defensiva “alvi-negra” resolveu.
Pouco depois Luís Ferreira é travado de forma dura à entrada da área da equipa da casa. A falta foi marcada sem que o árbitro tivesse qualquer atitude disciplinar, gerando forte protesto nas bancadas, onde se viam muitos adereços alusivos aos visitantes. Na cobrança do livre, Bruno Lemos “disparou” por cima dos ferros da baliza de João Sousa.

À meia hora de jogo a equipa da casa defendia a vantagem e podiam ter surgido mais golos numa ou noutra baliza. As defesas iam-se superiorizando aos ataques. Aos 34 minutos, num ataque à profundidade, explorando uma vez mais a velocidade, Gabriel dividiu o esférico com o guarda redes Daniel que levou a melhor, amarrando à segunda.
Quatro minutos depois foi a vez de Francisco Estevão, após cobrança dum canto, levar o esférico a rondar a baliza dos visitantes. Passou perto do poste…

Daniel Marques era figura de destaque a defender a sua baliza das arremetidas riachenses. Aos 39 minutos Belé não teve velocidade para acompanhar Gabriel e valeu a coragem de Daniel que tirou para canto.
Minutos depois, Rocha sofreu falta dura que o debilitou sem que o infrator fosse admoestado. No seguimento o Tramagal carregou na área e João Sousa afastou, apesar das dificuldades devido à posição muito baixa do astro-rei.

Em cima do tempo regulamentar Pedro Ferreira cruzou da esquerda para Gabriel no centro da área. Belé, imperial, cortou para canto. Já nos descontos o Tramagal dispôs duma boa ocasião para empatar. Na cobrança dum pontapé do quarto de circulo, Carola surgiu ao segundo poste mas rematou ao lado.

Pedro Ferreira apitou pela última vez no primeiro tempo decretando tempo de descanso no Coronel Mário Cunha. Resultado aceitável, sendo o empate o resultado que melhor se ajustava ao futebol produzido num jogo emotivo, nem sempre bem jogado. Tudo em aberto para o tempo complementar.

Wilson Leite teria de procurar soluções no banco para tentar aumentar o potencial atacante sem comprometer a segurança defensiva. A “manta” estava, de facto, curta, e o técnico dos “azuis” deixou Diogo Rocha no balneário lançando na partida José Garcia, mais jovem e com mais disponibilidade física para fazer toda a ala esquerda e recuperar rápido.
E foi pela ala esquerda que Xavi, aos 48 minutos, se esgueirou, deixou o marcador direto para trás e rematou forte. A bola não passou longe do poste da baliza de João Sousa.

O Tramagal pareceu entrar forte mas a equipa da casa ia tapando os caminhos da sua baliza a todo o custo.
Aos 51 minutos, Ricardo Mota travou um contra ataque dos “metalúrgicos” a meio campo e viu ser-lhe exibida a cartolina amarela.
Poucos minutos depois Rafa conduziu o esférico ao longo de toda a ala esquerda e quando rematou surgiu, providencial, Filipe Faia em “carrinho”, cortando para lá da linha de fundo. O árbitro assinalou pontapé de baliza sob um coro de protestos.

Com uma hora de jogo, um corte de Belé não só anulou mais uma arremetida dos “alvi-negros” como lançou Rafa para uma rápida transição. Levou demasiado longe o esforço acabando desarmado. No melhor período dos visitantes, com mais posse de bola e iniciativa ofensiva, José Garcia sofreu falta já perto da área descaído pelo lado esquerdo.
Encarregue da cobrança Bruno Lemos atirou contra a barreira defensiva e ganhou um canto. O cronómetro assinalava 68 minutos de jogo.

Com os pupilos de Miranda remetidos a defesa porfiada, os lance de ataque dos visitantes sucediam-se mas sem se materializar em golos. Aos 71 minutos, Miguel Domingues cruzou tenso da direita obrigando a defesa a cortar para canto de qualquer maneira. Reclamaram os visitantes uma “mão na bola” que Pedro Ferreira, bem, não atendeu.
Minutos passados, José Garcia cruzou, agora da esquerda para o centro da área, onde estava Jota, que rematou contra um defensor. Na sequência do canto, Rafa atirou por cima dos ferros.

Aos 78 minutos, Jota executou uma cabeçada na área que teve tanto de acrobático como de inútil. O guarda redes João Sousa agarrou sem dificuldades. Quatro minutos depois o Riachense encontrou forma de reagir e Manuel Faria tentou a meia distância sem sucesso. Fácil para Daniel Marques.
Na resposta, José Garcia cruzou com boa conta para André Lente, entrado pouco antes. A cabeçada não encontrou o alvo. O assédio à baliza dos donos da casa mantinha-se como se mantinha, teimosamente, o resultado.

Aos 87 minutos, já com o final da partida no horizonte, o Atlético encontrou nova oportunidade para desenhar o contra golpe. O remate de João Ferreira saiu fácil para o guarda redes tramagalense. Com o aproximar do “terminus” da partida os nervos começaram a falar mais alto…
Miguel Martins sofreu falta dura à entrada da área da equipa da casa e os desentendimento vieram ao de cima com grande parte dos jogadores a rodearem o juiz da partida. Rapidamente sanado o incidente, sem qualquer sanção disciplinar, do livre nada resultou.

Já em tempo de descontos, um bem gizado contra golpe por parte da equipa da casa permitiu o remate de Ivo Miguel ao lado. No último minuto da compensação, o árbitro Pedro Ferreira descortinou uma rasteira de Carola a Rúben Lopes…
Discordaram os tramagalenses, dentro e fora do campo, mas, da marca dos onze metros, Gabriel não vacilou e fixou o resultado em 2-0.

Com o tempo de jogo esgotado e o resultado “feito”, inexplicavelmente, começaram as provocações na bancada entre adeptos de ambos os emblemas obrigando a intervenção policial que rapidamente restituiu a ordem no Coronel Mário Cunha.
No rescaldo do “sururu”, João Félix, guarda redes suplente dos “azuis”, viu o cartão vermelho e o jogo terminou com um ambiente crispado que o futebol dispensa bem.

Até porque se assistiu a um bom jogo, emotivo e com vários motivos de interesse. Ganhou a equipa mais produtiva na concretização, o Riachense, com todo o mérito. A equipa de Wilson Leite, que continua líder, não soube lidar com a estratégia ardilosa montada por Miranda. Resultado justo podendo haver mais golos na partida.
O trabalho de Pedro Ferreira, com auxiliares pouco dentro do jogo, continua a pecar pelas oscilações ao longo da partida, avaliando faltas iguais com critérios diferentes, sem benefício de qualquer das equipas, enervando jogadores e público. E em ambos os golos, que é o que define o resultado, ficaram muitas dúvidas nas decisões tomadas.

Com esta vitória o Clube Atlético Riachense, que assinalou a oitava vitória consecutiva sobre este adversário, mantém o quarto posto classificativo mas encurtou distância para a frente e está na luta pela promoção. Vai ao Espinheiro na próxima jornada.
O Tramagal Sport União continua líder isolado e tem outra prova de fogo já no próximo domingo. Recebe o atual segundo classificado, o Vasco da Gama, naquele que será certamente o “Jogo da Jornada”. Confira AQUI os resultados completos da jornada e a classificação atualizada.

FICHA DO JOGO:
CLUBE ATLÉTICO RIACHENSE:
João Sousa, Zuca (Bruno Gomes), Francisco Estevão, Filipe Faia, João Duarte (Gonçalo Rodrigues), Diogo Madeira, Ricardo Mota (Rúben Lopes), Manuel Faria (Ivo Miguel), Gabriel Gomes, Pedro Ferreira (Tomás Mira) e João Ferreira.
Suplentes não utilizados: Gonçalo Monteiro e Pedro Gouveia.
Treinador: Miranda.

TRAMAGAL SPORT UNIÃO:
Daniel Marques, Luís Ferreira, Bernardo Carola, Diogo Rocha (José Garcia), Belé, Bruno Lemos, Jota (Francisco Oliveira), Miguel Martins, Xavi (André Lente), Miguel Domingues e Rafa.
Suplentes não utilizados: João Félix, Alejandro, Ricardo Félix e David Monteiro.
Treinador: Wilson Leite.

GOLOS: Filipe Faia e Gabriel Gomes.
EQUIPA DE ARBITRAGEM: Pedro Ferreira, Diogo Gonçalves e Rafael Silveiro.

No final fomos ouvir os técnicos intervenientes na partida:
MIRANDA, treinador do Riachense

WILSON LEITE, treinador do Tramagal

C/ DAVID PEREIRA (multimédia)
