Jorge Rosa plantou uma vinha com 9 cepas, simbolizando cada um dos modelos de camiões Canter produzidos durante os 42 anos de ligação à fábrica de Tramagal. Foto: mediotejo.net

Jorge Rosa, presidente da Mitsubishi Fuso, decidiu plantar na hora da despedida não uma árvore mas uma vinha com 9 cepas, simbolizando cada um dos modelos de camiões Canter ali produzidos durante os 42 anos de ligação à fábrica de Tramagal. “Este já foi chão que deu uvas. E vai continuar a dar”, pode ler-se na placa descerrada na presença dos trabalhadores, a quem incumbiu de a fazer crescer e cuidarem dela. Todos os dias.

“Alguém me sugeriu que devia plantar uma árvore e eu disse que uma árvore não, quanto muito uma vinha. Isto foi uma vinha, temos fotografias, e o que está ali escrito por baixo diz exatamente: “este foi chão que já deu uvas e vai continuar a dar”, portanto a ideia foi exatamente fazer uma plantação simbólica de uma vinha para dar continuidade. Deu no passado e vai continuar a dar”, disse Jorge Rosa aos trabalhadores presentes.

“Mas fiz mais”, continuou. “Pedi aos meus amigos, com quem me reúno com alguma frequência, que por aqui passaram e de quem herdei, enfim, tudo aquilo que aprendi, e pedi-lhes para testemunharem esta passagem de testemunho, e portanto é um bocadinho isto que aqui está, a vinha tem um duplo simbolismo, o facto de já ter sido uma vinha e ter produzido uvas, e que do meu ponto de vista vai continuar a produzir, e por outro lado fazer esta passagem entre uma geração que já deixou de trabalhar – à qual me junto brevemente – e pedirmos a quem cá fica que tratem da vinha e que a façam dar uvas com todo o simbolismo que isso tem. Dar uvas não no sentido literal, mas fazer com que esta empresa continue a produzir como produziu até agora”, disse o gestor, que de seguida plantou uma das cepas e descerrou a placa que eternizará o momento.

Jorge Rosa plantou uma vinha com 9 cepas, simbolizando cada um dos modelos de camiões Canter produzidos durante os 42 anos de ligação à fábrica de Tramagal. Foto: mediotejo.net

Uma cerimónia simbólica e emotiva que transportou os presentes para as raízes de uma fábrica que já foi vinha, antes de se tornar Metalúrgica Duarte Ferreira e, depois, Mitsubishi Fuso Truck Europe (MFTE), sendo uma marca da ligação histórica à empresa de um homem que chegou à MDF há 42 anos e que deixa o cargo de presidente da MFTE no dia 31 de dezembro, sendo atualmente o mais antigo trabalhador da unidade de produção de camiões.

“A ideia foi mesmo essa, ligar um pouco a origem deste sítio, deste local, onde no passado se produziam uvas e que depois se passaram a produzir camiões, e de alguma forma ligá-lo àquilo que eu espero que venha a ser o futuro brilhante desta unidade de produção na continuação da produção de veículos”, disse ao mediotejo.net Jorge Rosa.

O gestor falou ainda da ideia de plantar uma vinha com 9 cepas e do escreveu na placa que descerrou: “Este foi chão que já deu uvas. E vai continuar a dar”.

“Aquilo que plantei é uma pequena vinha com 9 cepas, cada uma relativa a um modelo da Canter que foi produzido durante estes 42 anos da minha presença aqui. Desde o modelo inicial, FE110, o primeiro Canter a ser produzido aqui em 1980, até ao modelo que estamos neste momento a lançar que é o Canter Step E e que vai ser lançado no mercado a partir de janeiro.

Jorge Rosa plantou uma vinha com 9 cepas, simbolizando cada um dos modelos de camiões Canter produzidos durante os 42 anos de ligação à fábrica de Tramagal. Foto: mediotejo.net

“O meu colega que vai assumir a presidência da empresa a partir de 1 de janeiro vai com certeza ter também aqui uma fonte inspiradora e que o pode e deve guiar, do meu ponto de vista, relativamente à sua atividade”, concluiu, tendo entregue a vinha aos cuidados dos trabalhadores, a quem pediu que a reguem e façam crescer. Todos os dias.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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