Já não houve passageiros de pé na viagem de autocarro das 7:30 entre Tramagal e Abrantes (e vice-versa), num circuito que foi hoje reforçado com uma carrinha de apoio. A solução para responder aos protestos de quem teve de viajar de pé na ultima semana, pela supressão de um dos dois autocarros que fazia o percurso, não será esta, tendo fonte oficial da Rodoviária do Tejo assegurado que a resposta passa por alocar um autocarro com maior capacidade de acomodação dos passageiros (de 53 para 63 lugares sentados), o que deverá suceder já a partir de terça-feira.
Vários estudantes e cidadãos da freguesia de Tramagal foram confrontados na semana passada com a necessidade de irem em pé na viagem matinal de ligação às escolas e à cidade de Abrantes, num percurso sinuoso e que passa por cerca de 50 curvas entre as duas localidades, gerando desconforto, preocupação e protestos que mereceram a atenção da Rodoviária do Tejo.
O problema surgiu com a redução do número de autocarros a fazer a ligação entre Tramagal e Abrantes devido a um “ajustamento na oferta”. Certo é que a procura obrigou a que a lotação de lugares sentados fosse sempre ultrapassada, tendo a empresa anunciado na sexta-feira a solução passa por alocar um autocarro com maior capacidade a este circuito.
“Procedemos a alguns ajustamentos na oferta tendo em conta a procura atual e a contínua diminuição de passageiros, em termos gerais, e na linha que passa em Tramagal entrou em vigor na segunda-feira o novo procedimento [com redução de dois para um autocarro a passar em Tramagal às 7:30], que estivemos a monitorizar ao longo da semana”, disse ao mediotejo.net a diretora da Unidade Operacional de Torres Novas da empresa transportadora, tendo confirmado as situações de passageiros a viajar de pé, em números diferentes nos diferentes dias, situação que disse estar em conformidade legal.
“O atual autocarro tem capacidade para 53 lugares sentados e 27 em pé e, embora os números de passageiros verificados em Tramagal não ultrapassem a lei, vamos colocar na segunda-feira um viatura de características diferentes e com capacidade para 63 lugares sentados e 11 a 12 de pé”, situação que Teresa Fernandes disse acreditar que vai resolver a situação e ultrapassar o desconforto dos passageiros e a preocupação de encarregados de educação, isto depois de ter reunido com responsáveis da Câmara de Abrantes e Junta de Freguesia de Tramagal. Sendo certo que o autocarro de maiores dimensões ainda não entrou hoje ao serviço, também é certo que a carrinha de apoio resolveu o problema da população e ninguém viajou de pé.
A autarquia de Abrantes emitiu um comunicado onde o presidente Manuel Jorge Valamatos manifesta “preocupação em relação à segurança e conforto dos utilizadores”, e deu conta à população abrangida sobre as diligências que desenvolveu para melhor resolução desta situação:
“Nos dias 05 e 06 de março, o Presidente da Câmara esteve em contacto com a Rodoviária do Tejo que reconheceu a situação, tendo assegurado que a partir de 3ª feira, dia 10 de março, será disponibilizado um autocarro de maior dimensão (mais lugares)”, tendo acrescentado ter sido “também assumido pela Rodoviária do Tejo que, caso não seja suficiente, um outro autocarro complementar assegurará esse circuito”.
O mediotejo.net questionou na sexta-feira a Rodoviária do Tejo se age sempre em conformidade com as preocupações e reclamações de passageiros, tendo a diretora da Unidade Operacional de Torres Novas dado conta que esta situação mereceu a atenção porque o “percurso é sinuoso e gerador de desconforto e preocupação” e porque a solução não implica a alocução de mais meios.
“Sempre que possível, e desde que não implique a alocução de mais meios, estamos cá para ouvir as preocupações das pessoas e tentar agir em conformidade”, afirmou.

Celeste Simão, vereadora da Educação e Ação Social na Câmara de Abrantes, disse ao mediotejo.net que estava satisfeita com a postura da empresa por a mesma ter revelado “sensibilidade e capacidade de analisar e decidir caso a caso e não a regra e esquadro”, tendo feito notar que o problema decorreu depois de ter sido suprimido um autocarro, o que levou a que apenas uma viatura fosse insuficiente para acomodar todos os passageiros em lugares sentados.

Vários pais e encarregados de educação fizeram chegar os seus protestos a quem de direito, juntando fotografias a um processo que acompanharam sempre de perto, exigindo que a empresa procedesse a uma análise e revisão da situação temendo pela segurança dos seus filhos.
Esta segunda-feira já ninguém viajou de pé.
