Câmara de Abrantes quer avançar para a segunda fase de ampliação e requalificação do Museu MDF em Tramagal. Foto: mediotejo.net

O livro “Berliet, Chaimite e UMM – Os Grandes Veículos Militares Nacionais”, de Pedro Manuel Monteiro, editado pela Contra a Corrente em abril deste ano, foi apresentado em Tramagal no dia 1 de maio, no Museu Metalúrgica Duarte Ferreira, tendo as características do camião Berliet merecido especial atenção dos presentes e do autor, para além de várias histórias ligadas à Metalúrgica contadas na primeira pessoa por Carlos Duarte Ferreira.

O ex-administrador da MDF e neto do fundador da empresa, lembrou a seriedade da MDF, em palavras atribuídas a Paul Berliet, e revelou pormenores da história da empresa desconhecidos de muitos dos presentes.

A sessão contou com a presença de dezenas de antigos trabalhadores da fábrica do Tramagal, que chegou a empregar mais de 2500 pessoas, tendo sido presidida por Vitor Hugo Cardoso, presidente da Junta de Freguesia de Tramagal, Luís Correia Dias, vereador da Cultura da Câmara Municipal de Abrantes, e Carlos Duarte Ferreira, neto do fundador da MDF e antigo administrador da fábrica,  numa mesa que contou ainda com a presença do autor do livro, Pedro Monteiro, um apaixonado pela história das viaturas militares.

Para além de muitos outros convidados, militares no ativo e aposentados, e ex-trabalhadores da MDF, também Jorge Rosa, atual CEO da Mitsubishi Fuso Truck Europe, marcou presença, ele que é o mais antigo funcionário da empresa instalada no Tramagal, e que ainda trabalhou vários anos na antiga MDF.

Sobre o livro “Berliet, Chaimite e UMM – Os Grandes Veículos Militares Nacionais”, agora ao dispor no Museu MDF, pela internet e na Junta de Freguesia de Tramagal, Pedro Monteiro, o autor, contou histórias da Berliet e pormenores da sua fiabilidade e importância para os militares no Ultramar, destacando “as vidas que o camião ajudou a salvar pela sua forte resistência e pelo facto do motor queimar de tudo, desde gasolina a champanhe e óleo de fígado de bacalhau”.

“A vida dos grandes veículos militares nacionais dava um livro, já se sabia há muito. O desafio era que tipo de livro, porque ela foi tão longa e fascinante quanto polémica e cheia de segredos. Amados por uns e odiados por outros, os camiões Berliet-Tramagal, blindados Chaimite e jipes UMM cumpriram missões de guerra e paz e foram exportados para vários cantos do mundo”, lembrou Pedro Monteiro, em declarações ao mediotejo.net.

Lembrando como surgiu a ideia, o autor refere que “a história da indústria militar nacional passa necessariamente por estes modelos e eles confundem-se com as décadas mais fascinantes da História recente do país – a guerra de África, o 25 de Abril a 25 de novembro e as missões de paz no exterior, incluindo em Timor-Leste. O livro revela finalmente as suas histórias e segredos, mas também dos que os construíram, usaram em condições difíceis e hoje os preservam para gerações futuras”, resumiu.

O livro tem também por base 70 entrevistas a militares e colaboradores das empresas, 25 reportagens com unidades militares em Portugal, no Kosovo e na Lituânia e pesquisas em arquivos em Portugal, França, Holanda e Estados Unidos.

O ilustrador Paulo Alegria criou, especialmente para este livro, 25 perfis de viaturas nacionais. Entre as mais de 470 fotografias a cores e preto e branco encontram-se, por exemplo, as de Alfredo Cunha, antigo fotógrafo oficial da Presidência da República, das operações do 25 de Abril, feitas no Terreiro do Paço e no Largo do Carmo.

Fotos: Jorge Santiago

*Pedro Manuel Monteiro nasceu em 1987 na cidade de Viseu, possui um Mestrado Europeu em Psicologia Organizacional pelas Universidades de Coimbra e Bolonha. Estudou na Portland State University, nos Estados Unidos, e trabalhou depois no setor financeiro na Suíça e em Singapura. Atualmente vive na Holanda onde é responsável por treino e formação numa multinacional de bens de grande consumo. Na área do jornalismo e fotografia, fez cursos avançados em Singapura e na Holanda e publicou mais de 50 artigos em revistas nacionais e estrangeiras. Na área militar, realizou reportagens com forças da Aliança Atlântica durante grandes exercícios multinacionais, nomeadamente no Kosovo e na Lituânia. É correspondente para Portugal da revista espanhola “Fuerzas Militares del Mundo” e, a partir de 2008, publicou artigos sobre veículos nacionais na revista “Motor Clássico” e, em 2011, a monografia “Military Vehicles of the Portuguese Army”.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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2 Comentários

  1. A Berliet Tramagal foi de facto uma viatura importante no contexto da guerra colonial. Em muitos casos foi susbstituir as velhinhas GMS da 2ª grande guerra que também desempenharam bem as suas missões apesar da idade que já tinham. Por último, convém ainda realçar que as Berliet Tramagal também tiveram um papel importante, já no final da sua vida, ao serviço dos Bombeiros um pouco por todo o país.

  2. Com 21 ofereceram-me uma Berliett Tramagal para eu brincar nas matas dos Dembos Norte de Angola …eu que nem de bicicleta ou num burro sabia andar …
    Mas criámos rápidamente uma “Química fantástica eu e a Berliett começámos a entender-nos ás maravilhas …eu conhecendo a sua força (com a baixa tracção e a sua legeiresa” com a alta tracção .
    Ela a aturar as minha duplas mal metidas ao princípio ….eu habituei-me aos seus “maneios de anca ” a dançar a “lambada ” nas curvas barrentas do rio Luika até ao Mucondo , ela foi-se habituando ás minhas maluqueiras de a levar a dar o máximo nas rectas de Santa Eulália quando passávamos aquela zona que não se via do Quartel …Enfim por ultimo éramos uma dupla fantástica …se há coisas boas de que recordo da Guerra a primeira é da “MINHA BERLIETT “

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