TRAMAGAL SPORT UNIÃO 4 CASA DO POVO DO PEGO 0
2ª divisão – série B – 5ª jornada – 17-11-2024 (15 horas) – Campeonato Distrital da AFS
Campo de Jogos Comendador Eduardo Duarte Ferreira – Tramagal
Dérbis são isso mesmo, dérbis… São jogos especiais carregados de fervor clubístico que resultam em romarias de adeptos que esperam ver um espetáculo de resultado imprevisível, fazendo figas para que a vitória tombe para as suas cores. Um jogo que todos os jogadores querem jogar…

As estatísticas dizem-nos que antes deste jogo ter início os pegachos levam uma ligeiríssima vantagem nos duelos entre ambos. Em 23 jogos oficiais em que os dois emblemas se defrontaram a Casa do Povo de Pego venceu 11 partidas contra nove do Tramagal Sport União, registando-se ainda três empates. Verifica-se que o fator casa não é decisivo com as vitórias caseiras a terem um registo semelhante às dos visitantes.
Contrariando este equilíbrio, verifica-se que os metalúrgicos levam oito vitórias consecutivas, sendo a última vitória dos pegachos no já longínquo dia 11 de novembro de 2018. Até essa data o Pego detinham um invejável palmarés de resultados contra o vizinho Tramagal.

Nestes jogos o favoritismo vale muito pouco e, se o clube da borboleta teve um arranque de campeonato 100% vitorioso, a equipa de Zeca São Bento queria retificar os resultados menos bons no início da época.
Em quatro jogos, o Pego apenas pontuou na vitória caseira sobre o Caxarias. Nas bancadas muitos adeptos faziam a festa quando o árbitro João Simões apitou, dando início ao clássico.

Foi em tom de equilíbrio que se jogou o primeiro quarto de hora, sem perigo para as balizas. Muito jogado sobre o o meio campo, o jogo ofensivo esbarrava, invariavelmente, nas defensivas bem escalonadas.
Foi à passagem dos 15 minutos que a equipa pegacha conseguiu subir, através de Pista, até à área do Tramagal e assistiu rasteiro para remate de Macide. O guarda redes Daniel Marques defendeu a dois tempos mas com segurança. Estava dado o “tiro de partida”…

Este lance teve o condão de aquecer o jogo, lançado a equipa da casa um verdadeiro “blitz” sobre a defensiva forasteira. Com as unidades mais criativas da equipa da casa a acelerar o jogo, o Pego respondeu com dureza travando as ofensivas o mais cedo possível.
Aos 17 minutos, Diogo Rocha, integrado no ataque, sofreu falta dura de Pista, ficando impune disciplinarmente o que gerou o primeiro momento de contestação nas bancadas do Comendador. Na reposição, Miguel Martins sofreu igualmente uma entrada dura, ficando no ar a ideia de que iria haver “mosquitos por cordas”. Imperou o bom senso…

Na cobrança da falta, Miguel Domingues surgiu sem marcação na cara do guarda redes João Mascate mas a bandeirola já tinha subido assinalando posição irregular. Os tramagalenses desdobravam-se em iniciativas de ataque e, num cruzamento “venenoso”, João Mascate cedeu canto.
À passagem do minuto 20 o capitão Grilo sofreu uma entrada dura e Bruno Lemos, encarregue da cobrança, fê-lo contra a barreira. O Pego aproveitou o adiantamento dos “azuis” para criar perigo mas o fora de jogo inviabilizou as intenções.

A equipa da casa estava muito balanceada no ataque obrigando a defesa pegacha a defesa porfiada. Aos 23 minutos, Miguel Domingues, em diagonal da ala direita para o centro, entrou na área e tentou assistir dois companheiros que surgiam de trás. O passe foi mal medido, para as costas, e a defensiva resolveu com facilidade.
No minuto seguinte, após o esférico triangular por vários jogadores “azuis”, sobrou para Miguel Domingues que rematou contra um adversário ganhando um canto. Na cobrança o mesmo Miguel Domingues executou um vistoso pontapé de bicicleta a que se opôs Mascate.
Aos 26 minutos, em mais uma transição atacante, Jota cruzou com propósito para a cabeça de Grilo que subiu bem alto e a bola só parou nas redes. Estava aberto o marcador plenamente justificado pelo labor da equipa de Wilson Leite.

No recomeço, a postura atacante manteve-se com a equipa da casa a empurrar os visitantes para a sua área e voltando a construir lances passíveis de finalização vitoriosa. Após um canto, a defensiva do Pego não foi lesta a afastar o esférico e uma bola “morta” foi aproveitada para Luís Ferreira tentar um chapéu. Sem sucesso, passou sobre o travessão.
Aos 33 minutos voltaram-se a ouvir protestos no Comendador. Pepê entrou duro sobre o capitão da equipa da casa, Grilo, que ficou queixoso. A falta foi assinalada sem que houvesse lugar a amostragem de qualquer cartão.

A resposta não veio das bancadas… Aos 37 minutos, Alejandro apoderou-se do esférico para, em dribles consecutivos, ir tirando adversários do caminho e, à entrada da área, disparou para a direita do guarda redes, batendo-o sem apelo nem agravo.
A boa iniciativa de Alejandro elevou a contagem para os tramagalenses, começando a deixar antever que os metalúrgicos iriam continuar na senda das vitórias. Mas ainda havia muito para jogar…

A cinco minutos do intervalo, Alejandro, inspirado, ganhou na raça e lançou o contra golpe. Foi travado de forma faltosa e desta vez o árbitro exibiu o cartão amarelo a Valdir Gomes, jogador raçudo mas sem maldade.
Alejandro, conhecido no grupo de trabalho por Ali, fazia jus ao nome e começava a ser o “mágico” de serviço… Logo na reposição teve nova arrancada até à linha de fundo, arrancando um cruzamento rasteiro, muito perigoso. Atento, Macide cortou para canto.

Na cobrança, Jota tem um toque de habilidade a servir Alejandro que executou um chapéu que passou perto dos ferros da baliza à guarda de João Mascate. Com o tempo da primeira parte a esgotar-se e o Pego remetido a defesa constante, surge um excelente movimento de contra ataque que poderia mudar o rumo à “estória”…
Uma subida rápida, aproveitando o desposicionamento da equipa da casa, levou muito perigo. Com o guarda redes batido, foi Francisco Oliveira a salvar, “in extremis”, sobre a linha de baliza.

Já nos descontos novo cruzamento remate obrigou o guarda redes Daniel Marques a defender para a trave, mantendo a sua baliza inviolada. O jovem árbitro João Simões apitou, decretando tempo de descanso.
O resultado ao intervalo ajustava-se aquilo que se passou no relvado. A equipa com mais argumentos adiantou-se e os dois golos até sabiam a pouco tal foi o caudal ofensivo. A equipa que viajou da Aldeia das Casas Baixas, mesmo a perder por dois golos, não se entregou, e o final do primeiro tempo deixou a sensação que muita tinta ainda iria correr…

Zeca São Bento não estava contente com o rumo dos acontecimentos e deixou o capitão Pepê e João Horta nos balneários e lançou Vasco Mascate e o são tomense Paulo Capela. Os dois lances de perigo a terminar o primeiro tempo serviram de aviso para os da casa que regressaram dispostos a não dar veleidades ao seu adversário.
E logo no recomeço Miguel Domingues foi à linha de fundo cruzar para Jota que mediu mal o chapéu a João Mascate e a bola perdeu-se para lá da baliza.
Logo a seguir o Tramagal surgiu em superioridade numérica na área contrária e no meio de muita cerimónia Alejandro decidiu-se pelo remate, que saiu por alto.

Aos 48 minutos, com os da casa a carregarem, procurando o terceiro golo, André Salvador travou Jota em falta em zona frontal já muito perto da área. O livre, perigoso, foi executada de forma estudada e bem executada, acabando com Alejandro a escorregar quando se encontrava em posição privilegiada para alvejar a baliza de Mascate.
Entretanto Zeca São Bento voltou a mexer no xadrez da sua equipa entrando Diogo Marchante para o lugar do angolano Valdir Gomes, aos 50 minutos.
Dois minutos depois uma falta não assinalada a meio campo permitiu a recuperação do Pego e a ida à área onde Valdir Gomes caiu, queixando-se de ter sido tocado. O juiz da partida mandou jogar.

Aos 54 minutos, na marcação dum canto a favorecer a equipa da casa, João Mascate foi corajoso e num feixe de jogadores socou para longe. Alejandro continuava a fazer a “cabeça em água” aos defensores pegachos e um derrube à margem da lei valeu a amostragem da cartolina amarela a Guilherme Bispo.
Na conversão do livre Bruno Lemos levantou para enorme defesa de João Mascate. Numa segunda vaga Belé cabeceou para nova defesa do guarda redes visitante, para canto. Na conversão Alejandro cabeceou ao lado, muito perto do poste.

Com o Tramagal por cima no jogo, a equipa da Casa do Povo de Pego deu um ar da sua graça à hora de jogo. Uma rápida transição foi travada em falta, com excessiva dureza, pedindo o banco dos visitantes a sanção disciplinar que até se justificava.
À semelhança doutras situações análogas o árbitro marcou a falta e não agiu disciplinarmente. Recuperada a bola, a equipa “azul”, a equipar com uma camisola alternativa, ganhou um canto. Após alguma dificuldade de decisão, a bola chegou a Alejandro que, por não estar à espera, falhou o remate.

Logo no minuto seguinte, também na cobrança dum canto, Jota imitou Alejandro e o lance gorou-se. Aos 65 minutos, Miguel Domingues, no coração da área, executou forte remate para uma defesa de Mascate de elevado grau de dificuldade, enviando o esférico para lá da linha de fundo, cedendo canto.
Cheirava a golo no Comendador… E a pressão dos da casa, procurando o terceiro golo, havia de dar frutos.
Jota surgiu isolado, após boa jogada de envolvimento, rematou certeiro batendo o desamparado Mascate.

Com o jogo a ficar mais fácil para a equipa metalúrgica, assistiu-se ao desespero de alguns jogadores visitantes. Diogo Marchante, após subida à área contrária perdeu a bola, perseguiu o adversário e com o lance perdido travou a progressão com uma “tesoura” por trás que lhe valeu um amarelo “alaranjado”…
Se as coisas estavam difíceis para Zeca São Bento pior ficaram ao minuto 73. Alejandro preparava-se para entrar na área pegacha, junto à linha de fundo, e Guilherme Bispo derrubou-o mesmo no limite da grande área. A falta, dura, valeu-lhe a amostragem do segundo cartão amarelo que o excluiu da partida.

O livre cobrado por Bruno Lemos encontrou a cabeça do central Francisco Oliveira mas a cabeçada saiu por cima da trave. Entretanto Wilson Leite ia refrescando a equipa, aproveitando para dar minutos a miúdos da equipa de juniores de grande qualidade.
Caminhava-se para o final da partida com um jogo agora de sentido único, e com o Tramagal instalado na área contrária criando inúmeras ocasiões para marcar.

Aos 82 minutos José Garcia, entrado para o lugar de Rocha, subiu pela ala esquerda e já na área assistiu Alejandro, ao primeiro poste. A bola passou perto do ferro da baliza de Mascate. Minutos depois, Bruno Caldeira esgueirava-se pelo corredor direito e foi rasteirado por trás. Mais uma vez a falta foi assinalada sem que houvesse lugar a sanção disciplinar, elevando o coro de protestos. Do livre, em posição perigosa, nada resultou.
Em cima do último minuto do tempo regulamentar, Alejandro ganhou na raça a Sérgio Salgado e assistiu o jovem Santiago Coxinho que, demonstrando grande maturidade, tirou um adversário da frente e rematou de forma a não dar hipóteses de defesa a Mascate. Estava feito o 4-0 que seria resultado final. Bom momento de futebol…

Nos cinco minutos dados a título de compensação nada se alterou e quando João Simões apitou pela última vez na partida estava consumada a quarta vitória do Tramagal Sport União em outros tantos jogos.
Resultado justo, podendo ter sido ampliado com maior eficácia na hora de rematar, com boa atitude da Casa do Povo de Pego, nomeadamente em resposta ao 2-0, no final do primeiro tempo.
A arbitragem, sem problemas de ordem técnica, foi permissiva no capítulo disciplinar, gerando algum descontentamento. Globalmente bem, teve nos assistentes dois bons auxiliares.

O Tramagal ocupa agora a segunda posição, partilhada com Caxarias e Vilarense com doze pontos, mas com menos um jogo e atrás do Vasco da Gama (13 pontos). A Casa do Povo de Pego mantém os três pontos, ocupando o 10º posto em igualdade com a Atalaia e Abrantes e Benfica B.
Na próxima jornada o Tramagal viaja até Pernes (12ª lugar com 2 pontos) e o Pego joga em sua casa com o Espinheirense (8º lugar com 4 pontos). Confira AQUI os resultados completos e a classificação atual.

FICHA DO JOGO:
TRAMAGAL SPORT UNIÃO:
Daniel Marques, Belé, Francisco Oliveira, Diogo Rocha (José Garcia), Miguel Martins, Bruno Lemos (Tiago Vital), Jota (Bruno Caldeira), Alejandro, Grilo (Santiago Coxinho), Miguel Domingues e Luís Ferreira (Rafael Brás).
Suplentes não utilizados: João Serafim e Miguel Lourenço.
Treinador: Wilson Leite.

CASA DO POVO DE PEGO:
João Mascate, Pista, Macide, João Horta (Vasco Mascate), David Fontinha (Gabriel Ferreira), Diogo Lopes, Pepê (Paulo Capela), Sérgio Salgado, André Salvador, Valmir Gomes e Valdir Gomes (Diogo Marchante).
Suplentes não utilizados: João Ruivo, Duarte Fontinha e Vasco Bioucas.
Treinador: Zeca São Bento.

GOLOS: Grilo, Alejandro, Jota e Santiago Coxinho (Tramagal)
EQUIPA DE ARBITRAGEM: João Simões, Ana Neves e Adelino Dias.

No final fomos escutar os treinadores de ambas as equipas:
WILSON LEITE, Treinador do Tramagal

ZECA SÃO BENTO, Treinador do Pego

C/ DAVID PEREIRA (multimédia)
