TRAMAGAL SPORT UNIÃO 2 CLUBE ATLÉTICO RIACHENSE 2
Campeonato Distrital da AFS – 2ª Divisão – Série B – 23ª jornada – 04-05-2025 (16H00)
Campo de Jogos Comendador Eduardo Duarte Ferreira – Tramagal

Depois dum “match point” perdido em Ortiga, com um empate 2-2, os pupilos de Wilson Leite não queriam defraudar as expectativas dos seus apaniguados que se deslocaram em grande número ao bem cuidado recinto tramagalense. Apenas com uma derrota em todo o campeonato, em Riachos, o TSU mostrou em campo, ao longo da época, a valia do seu conjunto e a mais que merecida subida de divisão.

Os riachenses, numa impressionante recuperação, pontuada pela tragédia, estão na corrida à vaga no “play off” da subida. São três galos para um poleiro: Vilarense, Vasco da Gama e Riachense. Com Vilarense, que tem ainda de folgar, a receber o Vasco da Gama, qualquer resultado positivo no Tramagal servia os objetivos dos de “alvi-negro”.
Tendo perdido um jogador em acidente de trabalho, e logo a seguir o seu carismático presidente, Miguel Cunha, os riachenses foram alvo de uma singela homenagem por parte dos “azuis” com Bruno Lemos, atleta que representou ambos os emblemas, a fazer a entrega duma camisola com o número “5” e o nome de Miguel Cunha estampado. Gesto bonito, com o futebol no que tem de melhor: respeito e amizade.

As homenagens não iriam ficar por aqui. Atendendo a que se celebrava o Dia da Mãe, os jogadores da casa trocaram as habituais mascotes entrando em campo acompanhados pelas respetivas Mães, num gesto que calou fundo e emocionou a multidão presente no Comendador.

Foi também lembrado João Perdigão, vítima de um brutal acidente de viação na A1. João Perdigão era um jovem acarinhado por todos já que fazia da alegria e companheirismo o farol da sua vida.
Filho único, o jovem de 26 anos, natural e residente em Riachos, preocupado com grandes causas, deixou muita saudade. Depois de praticar futebol, era árbitro dos quadros nacionais e foi homenageado antes do início da partida, guardando-se um minuto de silêncio.

Foi num ambiente de comoção que o árbitro João Lamas apitou para o início do encontro. Ambas as equipas queriam ganhar mas começaram por mostrar segurança defensiva. Com a posse de bola dividida, ambas mostravam bons movimentos na construção mas sem criar perigo no último terço do campo.
O primeiro sinal de alerta foi aos sete minutos, após cruzamento largo para a área dos visitantes. O guarda redes João Sousa tentou socar e chocou violentamente com Filipe Faia, ficando ambos caídos no relvado a necessitar de ajuda médica. Faia, na viagem, derrubou Miguel Domingues pelas costas sem qualquer vislumbre de protesto. A prioridade era o estado de saúde de João Sousa.

Foi demorada a recuperação do jovem guarda redes e a preocupação era evidente no banco dos visitantes. Na ficha de jogo não figurava outro guarda redes. João Sousa recuperou e aos 16 minutos Xavi rematou sobre o travessão da sua baliza após lance de ataque bem desenhado.
Apesar do equilíbrio, os donos da casa pareciam estar melhor mas num movimento atacante do Riachense, aos 25 minutos, a bola foi jogada com a mão por Bruno Lemos na área, após ressalto no sintético que o traiu. Grande penalidade assinalada e, dos onze metros Diogo Moreira rematou forte, a meia altura, traindo o guarda redes Daniel Marques.

Com os visitantes a alcançarem a vantagem, competia aos da casa responderem rápido e de forma eficaz. Foi o que fizeram e, passados dois minutos do golo riachense, o Tramagal ganhou um canto que a defensiva visitante afastou. Numa segunda vaga, Miguel Martins cruzou tenso a partir da direita.
Acossado por Xavi o marcador do penalti, Diogo Madeira, desviou o esférico de forma infeliz, traindo o seu guarda redes e empatando a contenda.

Este golo, numa fase em que o adversário ainda festejava, galvanizou a equipa metalúrgica que assumiu as “despesas do jogo” e esteve sempre mais perto da baliza contrária. À passagem da meia hora, uma boa combinação na área dos visitantes culminou com um passe atrasado para a entrada da área onde surgiu Rafa a rematar para defesa atenta de João Sousa.

Responderam os de “alvi-negro” e ganharam um livre em zona de perigo, perto da área, descaído pela esquerda. Batido com muita força ficou na barreira defensiva. Insistiram os donos da casa e o veloz Miguel Domingues cruzou da ala direita com boa conta para Xavi carimbar a “remontada” e despoletar uma enorme onda azul no Comendador. O cronómetro assinalava o minuto 36.

A equipa de Tó Miranda passou a correr atrás do prejuízo e não se poupou. Aos 39 minutos ganhou um livre a meio do meio campo, descaído pelo lado direito. O cruzamento a procurar a cabeça de Faia saiu pela linha de fundo. Na resposta o donos da casa ensaiaram rápida transição ofensiva explorando a velocidade de Miguel Domingues.
O último defesa, Filipe Faia, sem pernas para acompanhar o movimento, carregou o tramagalense, arrumando a questão. O gesto faltoso beneficiou do perdão de João Lamas gerando um coro de protestos. Faia deveria ter sido admoestado.

Já em tempo de compensação, um bom movimento atacante do Riachense foi inviabilizado por carga sobre o guarda redes Daniel Marques. Nos últimos momentos do primeiro tempo o Tramagal poderia ter ampliado a vantagem. Luís Ferreira entrou na área e descobriu Xavi em boa posição. O remate foi desviado para canto. Logo após, João Lamas decretou que era tempo de descanso.
Primeira parte interessante, com emoção, equilíbrio, e um resultado a premiar um leve ascendente dos “azuis”. A expectativa era elevada para o segundo tempo num jogo que estava longe de estar fechado.

A equipa de Tó Miranda queria vencer o jogo para se colocar na corrida à subida de divisão mas do outro lado sonhava-se com a festa e o regresso imediato à 1ª distrital, sendo a vantagem no marcador um tónico.
De Vilar de Prazeres chegavam boas notícias para ambos os emblemas. O Vilarense superiorizava-se ao Vasco da Gama. Entrou a todo o gás a equipa que viajou de Riachos e logo no minuto inicial ganhou um canto. Daniel Marques resolveu e lançou o contra golpe. Jota embalou e quando tentava assistir Xavi atrapalhou-se acabando por inviabilizar o lance por mão na bola.

Pouco depois, Miguel Martins, em apoio ofensivo, cruzou e a defensiva visitante cortou para canto. As bolas paradas eram os momentos em que as equipas criavam maior perigo. Aos 53 minutos, o Riachense beneficiou de novo pontapé do quarto de círculo que a defensiva da casa afastou. Na insistência, José Jacinto encheu o pé, da meia distância, mas o esférico perdeu-se para lá da linha de fundo.
À passagem da hora de jogo, com o Riachense mais ofensivo e o Tramagal expectante, os visitantes cobraram um livre em zona frontal, perto da área. Daniel Marques resolveu com defesa segura.

Dois minutos volvidos e registo para um lance polémico na área tramagalense. Carola, que havia ido ao chão, viu uma bola rematada por um adversário bater-lhe na mão, apoiada no solo, ao levantar-se. Protestos dos visitantes ignorados pelo juiz João Lamas, no que nos pareceu num bom julgamento.
Aos 74 minutos, Bruno Lemos, que se assumia como “patrão” da equipa do TSU, sofreu falta à entrada da área que ele próprio cobrou. Valeu a estirada do guarda redes João Sousa cedendo canto. Pouco depois, Miguel Domingues tem um bom remate ao primeiro poste que valeu novo canto.
Do outro lado do campo, o Atlético ganhou uma falta, pelo lado esquerdo do seu ataque. A cobrança visou o 1,93 metros do central Filipe Faia. Nas alturas, cabeceou e bateu Daniel Marques, repetindo o feito da primeira volta, em Riachos.

Reposta a igualdade que servia a ambas as equipas, o jogo ainda teve bons momentos e o marcador podia ter tido outra expressão. Aos 84 minutos, Alejandro, entrado no decorrer do segundo tempo, acelerou o jogo e serviu André Lente que rematou para boa defesa de João Sousa. No minuto seguinte foi o jovem Dinis Godinho a ganhar a linha de fundo e a cruzar para Hugo Costa, que não acertou na baliza riachense por muito pouco.
Os jogadores frescos que Wilson Leite lançou no jogo faziam das suas. Aos 87 minutos, Hugo Costa cruzou para Miguel Domingues. O guarda redes tentou disputar o lance mas a bola escapou cedendo canto.

Entretanto foi exibida a placa indicativa dos seis minutos para jogar a título de compensação. Tempo para Hugo Costa entrar na área com muito perigo para um fantástico corte “in extremis” de Estevão.
Em cima do final da partida um livre para o Riachense “morreu” nas mãos de Daniel Marques. João Lamas apitou pela última vez na partida e o Tramagal Sport União, 18 anos depois, estava de volta ao convívio com os “grandes” do futebol distrital. A partir daí a festa estalou e encheu a “Vila Convívio”…

Em suma, assistiu-se a um bom jogo de futebol, interpretado por duas das melhores equipas do campeonato, com golos e emoção a rodos. Resultado ajustado mas a vitória poderia ter sorrido aos novos primodivisionários, já que dispôs de maior número de oportunidades de golo, contrariando a boa segunda parte da equipa de Tó Miranda.
Arbitragem com decisões corretas nos lances capitais, deixou jogar e permitiu alguns excessos. João Lamas, árbitro principal, poupou cartões no primeiro tempo sendo obrigado a exibi-los na segunda para segurar um jogo “nervoso” mas correto. Esteve ao nível do jogo.

Com este empate o Tramagal “carimbou o passaporte” para a Divisão principal do futebol distrital quando faltam três jornadas para o final do campeonato e tem lugar reservado na final para apurar o Campeão Distrital da segunda divisão.

Na próxima jornada desloca-se a Boleiros, casa do Vasco da Gama, outro dos candidatos à subida. O Atlético Riachense alcançou o segundo posto, numa fantástica recuperação, superando perdas enormes. Recebe o Espinheirense num jogo que poderá começar a definir muita coisa.
O TSU, com 56 pontos em 21 jogos, tem 11 pontos de avanço sobre o Riachense (com 45 pontos), quando faltam disputar três jornadas. Confira AQUI os resultados nas duas séries e as classificações.

FICHA DO JOGO:
TRAMAGAL SPORT UNIÃO:
Daniel Marques, Luís Ferreira, Francisco Oliveira (Dinis Godinho), Bernardo Carola, Bruno Lemos, Jota (Rafael Bráz)Miguel Martins, Xavi (Alejandro), Miguel Domingues, José Garcia André Lente) e Rafa (Hugo Costa).
Suplentes não utilizados: João Félix e Ricardo Félix.
Treinador: Wilson Leite.

CLUBE ATLÈTICO RIACHENSE:
João Sousa, Gonçalo Rodrigues (Bruno Gomes), Estevão, Filipe Faia, João Duarte (Ricardo Mota), Diogo Madeira, Manuel Faria, José Jacinto (Gonçalo Monteiro), Gabriel Gomes, Pedro Ferreira (Tomás Mira) e Tomás Gomes.
Suplentes não utilizados: Ivo Miguel, Afonso Cordeiro e Pedro Gouveia.
Treinador: Tó Miranda.

GOLOS: Xavi e Diogo Madeira[a.g.] (Tramagal), Diogo Madeira e Filipe Faia (Riachense)
EQUIPA DE ARBITRAGEM: João Lamas, Douglas Rodrigues e Gabriel Ramos.

No final, como é hábito, fomos escutar o responsáveis técnicos de ambas as equipas, e ouvimos ainda o capitão de equipa do TSU, Luís Ferreira, e o presidente do TSU, João Serafim:
WILSON LEITE, treinador do Tramagal:

TÓ MIRANDA, treinador do Riachense:

Tramagal em festa com o regresso à Divisão maior… Assim que João Lamas apitou para o final da partida que terminou empatada, sabendo da vitória do Vilarense sobre o Vasco da Gama, uma onda azul invadiu o Comendador. Uma alegria incontida, partilhada entre os adeptos e os protagonistas da subida.

O capitão Luís Ferreira, nesta função após lesão prolongada de Gonçalo Grilo, está neste projeto pelo terceiro ano consecutivo, vindo do Gavionenses, depois de ter representado clubes como a Amoreira, o Pego, UD Abrantina e Sport Abrantes e Benfica. Com a alegria estampada no rosto falou à comunicação social em pleno relvado:
LUÍS FERREIRA, capitão do Tramagal:

Responsável máximo por esta conquista no final do terceiro mandato, João Serafim, presidente do Tramagal, era um homem feliz, dividido entre a euforia e a serenidade do dever cumprido de forma brilhante. Falou aos jornalistas com as lágrimas a quererem soltar-se e a voz embargada pela emoção:
JOÃO SERAFIM, presidente do Tramagal

GALERIA DE FOTOS:





















C/ DAVID PEREIRA (fotos e multimédia)
