Os negócios proporcionados pelos feirantes e clientes do mercado semanal retalhista voltaram a animar as manhãs de sábado em Tramagal, com o regresso das tradicionais bancas de roupa, calçado, rádios e telefonias, roulotes de comes e bebes, frangos assados e os mais diversos artigos, depois da atividade dos feirantes ter sido interrompida há três meses devido à pandemia. Regressaram os pregões e os feirantes, os clientes e a romaria, contida é certo, num dia em que a economia local voltou a dar um ar da sua graça.
Além dos vendedores de hortícolas e frutícolas, a fazerem negócio no mercado ali ao lado, o dia de sábado ficou ainda marcado pela inauguração da Florista Jardim, um novo estabelecimento comercial no centro de Tramagal. Um dia pontuado pelo regresso a uma certa normalidade, em tempos que as máscaras, algum distanciamento social e os cuidados de higiene passaram a fazer parte do quotidiano.
“O negócio não foi muito, que as reformas ainda não chegaram”, notaram alguns comerciantes que hoje regressaram à atividade após meses de ausência e pouca ou nenhuma faturação. A muitos deles, que também marcam presença habitual nos mercados mais próximos, valeu a reabertura do negócio na feira de Abrantes há cerca de um mês para começarem a obter algum rendimento. No entanto, os feirantes que marcaram presença e com quem o mediotejo.net falou eram unânimes na importância da retoma da atividade, dos negócios efetuados, e do retomar das relações de proximidade com os clientes, muitos deles de longa data.
“Hoje foi o primeiro dia, muitos se calhar nem sabiam, mas para a semana vai ser melhor. Muitos clientes são reformados e só recebem as suas pensões para a semana”, notaram. O mercado retalhista apresentou-se de cara renovada devido a várias alterações e adaptações, implementadas pela junta de freguesia local.
Para além do uso de máscara ou viseira por parte de comerciantes e clientes e a higienização regular das mãos, o plano de contingência da Junta de Freguesia de Tramagal obriga a outras regras, nomeadamente quanto ao acesso, ocupação, permanência e distanciamento físico, assim como as orientações da DGS, e observa um conjunto de procedimentos de prevenção e controlo da infeção. “Tivemos uma reunião prévia com todos os feirantes, tivemos de mudar alguns deles de localização, explicámos como ia funcionar doravante o mercado retalhista e penso que correu tudo bem”, contou ao nosso jornal Vítor Hugo Cardoso, presidente da Junta, ao final da manhã.
A pandemia, que bloqueou o mercado retalhista e muitas atividades comerciais e empresarias durante uns meses, não chegou ao Tramagal em termos de casos de cidadãos que tivessem ficado infetados pelo novo coronavírus, notou. “Tivemos aí um susto com uma situação no Crucifixo mas os testes foram todos negativos e até hoje a freguesia de Tramagal não regista nenhum caso de covid-19”, assegurou, tendo feito notar que “ninguém está livre” que tal possa suceder. Neste sentido, o melhor é mesmo prevenir, proteger, e seguir as recomendações que já são sobejamente conhecidas de todos.
Ainda a lamber as feridas de vários meses com a economia praticamente paralisada, e que levou mesmo ao encerramento de alguns espaços em Tramagal, o dia ficou ainda marcado por mais um sinal de esperança e de retoma. Ana Maximiano, formadora florista há 12 anos, inaugurou a loja Florista Jardim no Largo dos Combatentes, para venda de flores, plantas e decoração.

“É uma paixão trabalhar com as flores e as plantas e fazer decorações com as mesmas. Abrir um espaço comercial meu é um sonho que hoje realizo”, confidenciou-nos quem apostou em tempos de incertezas sabendo que não há pandemia que obscureça o nascer do sol ou o desabrochar das plantas e das flores. Uma fonte de inspiração segura e contínua, que a família da profissional incentiva e aplaude, que acaba por preencher um certo vazio neste nicho de mercado. Uma aposta que dá alento e tem cheiro a retoma.
