Crime ambiental visível na ribeira de Alcolobre, em Crucifixo, Tramagal. Foto: DR

Um crime ambiental com despejo de entulhos para as margens da ribeira de Alcolobre, junto ao Moinho do ‘Poeta’, em Crucifixo, Tramagal foi detetado e denunciado esta semana por populares, indignados com a situação.

Como as fotos atestam, para aquele local paradisíaco foi despejado entulho de obras, incluindo restos de tubos, plástico, ferro, maços de tabaco vazios, entre outros, ou seja, tudo o que se encontra no “desperdício” de um obra de construção.

O mediotejo.net contactou o presidente da Junta de Freguesia de Tramagal tendo o autarca afirmado que, “alertado para a situação”, que classificou como “um crime ambiental”, se deslocou ao local na tarde deste sábado e que os montes de entulho já haviam sido retirados, sendo visíveis, no entanto, pequenas partes do que havia ali sido depositado.

“Quem fez aquilo, arrependeu-se ou foi alertado para ir limpar aquilo, o que deve ter acontecido de madrugada, e vê-se que o entulho foi retirado com uma máquina porque nota-se bem e vê-se que ficaram ali alguns resíduos”, acrescentou Vitor Hugo Cardoso, relativamente a uma situação que “não pode acontecer”.

“São situações que não podem acontecer, é um crime ambiental junto a uma linha de água, e num espaço de natureza pelo qual as pessoas têm muita estimação”, disse Vitor Hugo, dando conta que a própria Junta de Freguesia tem feito esforços de preservação e requalificação para aquele percurso”, com cerca de 10 quilómetros, e que conta com cerca de 10 moinhos antigos de azeitonas e cereais.

“É um espaço muito procurado para passeios e caminhadas e todos os anos limpamos a ribeira e as margens entre a zona da EN118, na fronteira com Constância, e as Bicas, um percurso com cerca de 10 km que queremos preservar e melhorar, nomeadamente com a implementação de placas identificativas dos moinhos e dos vários locais de passagem e as pessoas têm de ter cuidado e não podem fazer isto”, acrescentou.

A ribeira de Alcolobre foi uma das fotos que esteve em destaque recentemente na revista National Geographic Portugal. Da autoria de Carlos Correia, a qualidade do registo fotográfico não só deu o destaque a esta ribeira como questiona: “Pode uma fotografia confundir-se com uma pintura?”

A ribeira de Alcolobre, em Crucifixo, Tramagal, foi recentemente foto do mês na revista National Geographic Portugal. Foto: NG/Carlos Correia

Na ribeira de Alcolobre, perto da aldeia do Crucifixo (freguesia de Tramagal, concelho de Abrantes), “o fotógrafo deparou com esta metáfora do Outono expressa no espelho de água. A vegetação tombava sobre a água, um moinho vizinho (apropriadamente conhecido como o Moinho do Poeta) emprestava contexto a este afluente do Tejo”, pode ler-se na descrição feita pela revista.

A ribeira de Alcolobre marca o limite entre o concelho de Abrantes e Constância e desagua na margem esquerda do rio Tejo, representando seguramente um dos locais mais belos do Ribatejo Interior. Ao longo do seu percurso atravessa um vale encaixado e profundo que involuntariamente condicionou a utilização de todo o ecossistema ribeirinho, preservando-se o património natural ali existente.

Com uma galeria ripícola bem conservada composta pelo amieiro (Alnus glunitosa), freixo (Franxinus angustifolia), borrazeira-preta (Salix atrocinerea), borrazeira-branca (Salix salvifolia) e amieiro-negro (Frangula alnus), a ribeira de Alcolobre alberga ainda uma comunidade representativa de gilbraldeira (Ruscus aculeatus) e de feto-real (Osmunda regalis).

Ribeira de Alcolobre. Foto: DR

No que diz respeito ao património construído realça-se a presença de várias ruínas de azenhas e respectivas levadas que conduziam a água.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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