Vitória do Tramagal sobre o Espinheirense com Luís Ferreira em destaque. Foto: mediotejo.net

TRAMAGAL SPORT UNIÃO 4 – ATLÉTICO CLUBE RECREATIVO ESPINHEIRENSE 2

Campeonato Distrital da AFS – 2ª divisão – Série B – 3ª jornada – 27-10-2024 (15H30)

Campo Comendador Eduardo Duarte Ferreira – Tramagal

Equipas apresentaram-se com espírito ganhador.

A mudança da hora e a remarcação do jogo para meia hora mais tarde baralhou um pouco as contas aos adeptos que rumaram ao Comendador para a estreia em casa dos azuis, depois da vitória em Vilar dos Prazeres e a folga logo à segunda jornada.

A equipa que viajou do Espinheiro, pequena povoação do concelho de Alcanena, depois dum promissor empate em Minde, hipotecou um bom arranque ao perder em casa com o Vilarense na segunda jornada.

Este jogo em Tramagal iria servir para aferir o real valor da equipa liderada por José Moço, já na sexta época à frente do Atlético Espinheirense.

Equipa de José Moço vinha tentar contrariar mau início de campeonato.

Sob um céu carregado de nuvens tempestuosas cujo sol, muito baixo no horizonte, dava um tom alaranjado, criando um ambiente surreal o jogo começou sob o signo do equilíbrio. Com as equipas em estudo mútuo havia alternância na posse de bola e nas iniciativas de ataque.

Os primeiros 12 minutos não tiveram muita história e percebia-se que na ausência de Paulito, a contas com grave lesão, a necessitar de cirurgia, era na ala esquerda do ataque metalúrgico que combinavam Alejandro, Jota e Luís Ferreira, criando dificuldades de marcação aos visitantes.

Rotação na ala esquerda do Tramagal baralhava as marcações.

Aos 12 minutos, Grilo cruzou da direita com boa conta para Alejandro que amorteceu para o remate forte de Miguel Domingues da cabeça da área. Era a primeira jogada a criar algum entusiasmo nas bancadas.

Responderam os visitantes com um cruzamento remate de Pedro Lourenço a testar a atenção de Daniel Marques. Mantinha-se o equilíbrio e até se vislumbrava alguma falta de soluções quando, aos 14 minutos, um cruzamento do lado direito do ataque da equipa da casa obrigou a defesa visitante a ceder canto.

Na cobrança Luís Ferreira bateu tenso, o guarda redes mediu mal o tempo de saída e Jota cabeceou ao lado.

Jota quase inaugurava o marcador.

Pedro Lourenço era, sem sombra de dúvidas, o jogador mais em foco no Espinheirense. Sempre que tinha a bola em seu poder decidia bem e criava perigo. Foi assim à passagem do quarto de hora, cruzando com a propósito para defesa de Daniel Marques.

Aos 18 minutos o TSU respondeu por Alejandro, que, em jogada de insistência, solicitou Luís Ferreira à entrada da área. Este tirou as medidas à baliza de Zé Guilherme e rematou em arco, com conta, peso e medida.

Nem o voo do guarda redes impediu que o esférico fizesse balançar as redes pela primeira vez. Grande golo que colocou a equipa de Wilson Leite na frente do marcador.

Luís Ferreira tirou as medidas para um grande golo.

Pedro Lourenço era o jogador dos “alvi-rubros” e logo na resposta rematou cruzado, a partir da ala direita, levando muito perigo ao último reduto tramagalense. Uma disputa de bola mais acesa junto à lateral valeu um livre para os visitantes, sem consequências.

Numa jogada de insistência, Pedro Lourenço, quem mais poderia ser, surgiu descaído pela esquerda na área dos da casa, explorando um erro defensivo, para rematar a contar, apesar da oposição de Daniel Marques.

Volvidos três minutos a equipa do Espinheiro repunha a igualdade através do seu jogador mais em foco.

Durou três minutos a vantagem dos “metalúrgicos”.

O jogo crescia em emoção e intensidade com o passar dos minutos. Os golos vieram trazer o que faltava…
Aos 29 minutos, um centro remate de Alejandro levou o esférico a embater com estrondo na trave da baliza à guarda de Zé Guilherme. A bola acabaria por sair pela linha de fundo.

Em jeito de resposta, os visitantes ganharam um livre perigoso, em zona frontal, ligeiramente descaído pela direita. Ricardo Rei, encarregue da cobrança, colocou ao segundo poste onde a defensiva dos azuis resolveu a contento.

Luís Ferreira, aos 37 minutos, apresentou a candidatura a “MVP”, ou seja Homem do jogo. A uns bons trinta metro voltou a tirar as medidas à baliza contrária e desta vez tirou tinta da trave e anichou-se nas redes. O voo de Zé Guilherme foi inglório…

Voo de Zé Gama foi inglório.

Com o Tramagal de novo por cima no marcador, a equipa do concelho de Alcanena puxou do brio e coragem dos seus atletas e voltou a correr atrás do prejuízo. Aos 35 minuto o inevitável Pedro Lourenço arrancou um cruzamento bem medido para Romeu, que não concretizou.

A cinco minutos do tempo regulamentar Luís Ferreira travou um perigoso contra golpe de forma faltosa. O jovem árbitro, quiçá deslumbrado com a exibição do tramagalense, perdoou-lhe a cartolina amarela.

Estava bem o Espinheirense e aos 42 minutos desenhou um bem gizado lance de ataque com muito perigo. Valeu a experiência de Bruno Lemos que acabou por sofrer uma falta atacante já no coração da área.

Equilíbrio a meio campo.

Aos 44 minutos, na conversão dum canto, a equipa da casa teve o ensejo de ver vários jogadores a rematarem, criando muitas dificuldades ao adversário. Carola cabeceou por cima.

Já depois dos 45 minutos, Alejandro tem mais uma boa arrancada, em lance individual e acaba tocado, caindo na área. De nada valeram os protestos…

No seguimento, Miguel Martins cruzou da direita, Zé Guilherme desvia para o segundo poste onde Alejandro surge a concretizar, dilatando a vantagem tramagalense mesmo em cima de tempo de intervalo.

Golo de Alejandro tranquilizou a equipa da casa em cima do descanso.

Se a diferença de dois golos era penalizadora para a equipa de José Moço, por aquilo que deu ao jogo, assentava bem à equipa da casa que foi bastante eficaz nas poucas ocasiões de que dispôs.

Sem deslumbrar, teve momentos de alta qualidade, principalmente nos golos.

Jogo com bons momentos de futebol.

A atitude mostrada no primeiro tempo pela equipa do Atlético Espinheirense, deixavam antever uma reação positiva ao golo sofrido mesmo antes do descanso.

Só que do outro lado estava uma equipa de Tramagal moralizada, e que se superiorizou em todas as fases do jogo. Numa correria dominadora, só pecou no campo da concretização.

Tramagal regressou muito forte do intervalo.

Logo no recomeço Alejandro rematou por cima numa boa iniciativa individual. Aos 47 minutos, o luso-espanhol do Tramagal, ex Lank-Vilaverdense, dono de boa técnica, voltou a assumir o jogo e entrou na área contrária rematando de pronto.

Zé Guilherme defendeu com dificuldade, dando início a uma exibição de alto nível na baliza do Espinheirense.

Alejandro manteve uma luta constante com os defensores contrários.

Aos 50 minutos surgiu o lance que maiores protestos gerou nas bancadas do Comendador. Miguel Domingues isolou-se e em velocidade dirigiu-se para a baliza dos visitantes. Batido, Diego, entrou de “sola” ao jovem tramagalense derrubando-o com alguma dureza.

O árbitro António Oliveira assinalou a falta mas para espanto geral não usou da sua competência disciplinar que se justificava plenamente. Na cobrança do livre, Bruno Lemos atirou contra a barreira.

Miguel Domingues foi muito castigado pelos adversários.

O lance anterior pareceu desestabilizar o jovem árbitro. Três minutos depois, Miguel Domingues voltou a cair, de novo em disputa com o possante Diego, só que, desta feita, já na área.

Pediu-se penalti mas António Oliveira mandou jogar, sob um coro de protestos vindo das bancadas do Comendador.

Quedas constantes na área não mereceram qualquer sanção.

O jogo ganhou contornos de sentido único com a equipa da casa a tentar, de todas as formas, alcançar o quarto golo. Aos 56 minutos, o TSU ganhou um livre junto à lateral esquerda. Jota levantou para a área onde, ao segundo poste, Carola, de cabeça, obrigou Zé Guilherme a defesa de qualidade.

À hora de jogo, Miguel Domingues, um verdadeiro quebra-cabeças, entrou na área e sofreu uma carga nas costas, sendo desviado do lance. O árbitro assistente assinalou fora de jogo, voltando a ouvir alguns protestos.

Da discussão gerada saíram dois cartões amarelos, para João Lourenço e Miguel Domingues, numa decisão salomónica que se compreende.

Confusões rima com cartões.

No minuto seguinte ressurgiu no jogo Luís Ferreira que, já dentro da área, tirou um adversário do caminho e obrigou Zé Guilherme a uma enorme defesa para canto. Aos 63 minutos, Miguel Domingues voltou a ser derrubado por trás, dentro da área do Espinheirense, sem que a equipa de arbitragem vislumbrasse qualquer irregularidade.

Rafa, recém-entrado em campo, teve boa iniciativa individual, já dentro da grande área do Espinheiro, e obrigou Zé Guilherme a aplicar-se. Nova defesa de elevado grau de dificuldade.

Rafa acrescentou qualidade ao ataque da sua equipa.

Aos 68 minutos, o Espinheirense resolver “dizer” que estava no jogo. Ganhou um livre descaído pela esquerda do seu ataque e o guarda redes, Daniel, com tarde tranquila, defendeu com classe.

Rafa tentava carregar a equipa da casa para o ataque e aos 70 minutos acabou no chão e de novo os protestos fizeram-se ouvir.

Quem não quis saber disso foi o incontornável Pedro Lourenço, o jogador que mais brilhou no conjunto de José Moço, que seguiu com a bola, esgueirou-se, e à saída de Daniel Marques atirou a contar.

Pedro Lourenço, com dois golos, manteve a esperança num bom resultado.

Este golo dos visitantes, aos 71 minutos, com muito para jogar, veio trazer o Espinheirense de regresso à disputa do resultado, intranquilizando a equipa “metalúrgica”.

Aos 75 minutos, Pedro Lourenço, quem mais poderia ser, aproveitou um mau atraso para se interpor entre a linha defensiva e o guarda redes Daniel. Valeu a enorme defesa a negar o que seria o empate a três golos.

Tramagal procurava o golo da tranquilidade.

Aos 77 minutos, Alejandro, numa tentativa de disputar o esférico com o guarda redes Zé Guilherme, atingiu-o no chão gerando um “sururu” de fraca intensidade. Rapidamente sanado o incidente, saltou a cartolina amarela para Alejandro e Ricardo Rei, que se terá excedido nos protestos.

Aos 81 minutos, com 3-2 no marcador, Zé Guilherme acrescentou novo momento de enorme espetáculo à sua exibição. Rafa, isolado, encheu o pé, e só a soberba intervenção do guarda redes impediu o golo.

Entrada imprudente de Alejandro sobre Zé Gama gerou “sururu”.

O jogo, a aproximar-se do seu final, ganhava contornos de algum dramatismo. Apesar do ascendente da equipa da casa, sentia-se que os “alvi-rubros” tinham argumentos para discutir o resultado até final.

Os ataques e tentativas de contra golpe sucediam-se, apesar da frescura já ser pouca ou nenhuma.

Ataques e contra ataques enriqueceram o jogo.

A cinco minutos do tempo regulamentar, o Tramagal beneficiou dum livre do lado esquerdo do seu ataque. Batido ao segundo poste, viu Carola cabecear fraco para defesa fácil de Zé Guilherme.

Zé Garcia, entrado para refrescar a ala esquerda do TSU, cruzou com boa conta para Jota que rematou por cima. Em cima do minuto 90, Rafa rematou para defesa incompleta, com os defesas a completarem o alívio.

Jogada aérea a meio campo.

Com o árbitro a conceder cinco minutos de compensação, foi ao terceiro deles que Luís Ferreira deu o “cheque mate” e chegou ao seu terceiro golo na partida.

Rafa rematou para boa defesa de Zé Guilherme e o esférico sobrou para Grilo, que cabeceou para a baliza. O guardião voltou a defender, mas não amarrou, sendo incapaz de travar o remate final de Luís Ferreira.

Luís Ferreira fixou o resultado.

Pouco depois António Oliveira deu por findo um jogo emotivo com um justo vencedor. O Espinheirense vendeu cara a derrota e teve em Zé Guilherme, apesar dos golos sofridos, uma barreira muito difícil de transpor, e em Pedro Lourenço o seu melhor elemento. O seu desempenho valeu dois oportunos golos que manteve a sua equipa sempre no jogo.

A exibição e Pedro Lourenço só encontrou paralelo na magnífica tarde de Luís Ferreira, a assinar o primeiro “hat trick” da sua já longa carreira e a assumir o papel de homem do jogo.

Luís Ferreira dedica “hat trick” aos adeptos da borboleta.

O trabalho da equipa de arbitragem foi colocada em causa por responsáveis de ambos os emblemas. Depois de uma primeira parte onde apenas a queda de Alejandro à entrada da área deixou dúvidas, o segundo tempo foi cheio de lances que criaram polémica, desde logo a não amostragem de qualquer cartão a Diego no lance aos 50 minutos.

As sucessivas quedas na área dos visitantes, pelo menos algumas, não pareceram casuais. Felizmente não interferiu na repartição dos pontos. É um árbitro jovem e irá de certeza ter tardes de qualidade. Para bem do futebol…

Com este resultado, o Tramagal segue em 2º lugar, com duas vitórias em dois jogos. A série B da 2º divisão distrital é liderada pelo Vasco da Gama, que empatou neste jornada com o Alferrarede, e tem 7 pontos nos três jogos que já disputou. Vilarense e Caxarias dividem o 2º lugar com o TSU, todos com seis pontos. Confira AQUI a classificação atualizada. A 4ª jornada joga-se a 10 de novembro, às 15h00. O próximo fim de semana é dedicado à Taça do Ribatejo com o Tramagal a jogar em Almeirim, frente ao União. (AQUI).

Jovem árbitro com jogo de difícil gestão.

FICHA DO JOGO:

TRAMAGAL SPORT UNIÃO:

Daniel Marques, Luís Ferreira, Bernardo Carola, Diogo Rocha (Rafa), Belé, Gonçalo Grilo, Bruno Lemos, Jota (Chico Oliveira), Miguel Martins, Miguel Domingues (André Lente) e Alejandro (Zé Garcia).

Suplentes não utilizados: João Serafim, Ricardo Félix e Tiago Vital.

Treinador: Wilson Leite.

Tramagal Sport União.

ATLÉTICO CLUBE RECREATIVO ESPINHEIRENSE:

Zé Guilherme, Ricardo Batista (Rúben Oliveira), Guerra, Diego, Ricardo Rei, Romeu, Ricardo Pedro, Carrapito (Simões), Pedro Lourenço, João Pedro e Gonçalo Martins (Cintrão).

Suplentes não utilizados: Tiago, João Pimpão e Mota.

Treinador: José Moço.

Atlético Clube Recreativo Espinheirense.

GOLOS: Luís Ferreira [3] e Alejandro (Tramagal), Pedro Lourenço 2

EQUIPA DE ARBITRAGEM: António Oliveira, Adelino Dias e Íris Simões.

Equipa de Arbitragem: António Oliveira, Adelino Dias e Íris Simões com os capitães de equipa.

No final fomos ouvir os responsáveis técnicos de ambos os clubes:

ÁUDIO | WILSON LEITE, TREINADOR DO TRAMAGAL:

Wilson Leite, treinador do Tramagal.

ÁUDIO | JOSÉ MOÇO, TREINADOR DO ESPINHEIRENSE:

C/ DAVID PEREIRA (multimédia)

Nasceu a 30 de Janeiro de 1961 em Lisboa e cresceu no Alentejo, em Santiago do Cacém. Dali partiu em 1980 para ingressar no Exército e no Curso de Enfermagem. Foi colocado em Santa Margarida e por aqui fez carreira acabando por fixar-se no Tramagal em 2000. A sua primeira ligação à Vila "metalúrgica" surge em 1988 como Enfermeiro do TSU. Munido da sua primeira câmera digital, em 2009 e com a passagem à situação de reserva, começou a registar a fauna do Vale do Tejo, a natureza e o património edificado da região, as ruas, as pessoas... Com colaborações regulares em jornais da região e nacionais este autodidata acaba por conseguir o reconhecimento público, materializado em alguns prémios. Foi galardoado na 8ª Gala de Cultura e Desporto de Tramagal na categoria de Artes Plásticas (Fotografia) em 2013. Fez parte da equipa desportiva da Rádio Hertz que ganhou o prémio Artur Agostinho (CNID) em 2020.

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