Os serviços da MEO são alvos de críticas em várias zonas de Tramagal, no concelho de Abrantes, tendo alguns dos habitantes relatado estarem sem televisão, telefone fixo e internet desde o dia 10 de dezembro. A quadra natalícia foi passada “sem nada” e a passagem de ano e dia de Ano Novo “vai ser uma tristeza”, contam, revoltadas. Contactado pelo mediotejo.net, o presidente da Junta de Freguesia de Tramagal diz que já enviou mails para a MEO a alertar para a gravidade da situação. “Nunca recebi uma resposta”, critica.

“É de lamentar o serviço que a MEO presta nesta freguesia, com cerca de 4 mil habitantes, com um serviço muito lento e remodelação de linhas por fazer, sendo que as zonas da Lamacheira, Terra Nova e Crucifixo são as mais afetadas quando aparecem os tempos de chuva e aumentam as humidades”, disse Vitor Hugo Cardoso, tendo relatado que na última Assembleia de Freguesia foram vários os populares que ali foram manifestar o seu descontentamento e pedir ajuda ao executivo.

“Já enviámos um mail à Meo a informar e a pedir resposta para os serviços na freguesia, mas até hoje nunca recebi uma resposta. A partir de dia 2 de janeiro vamos ter de voltar a insistir e a protestar pelo serviço deficiente que aqui prestam”, afirmou, tendo observado que também as empresas estão a ser prejudicadas devido aos alarmes que ficam desligados pela falta de serviço.
Lucinda Figueiredo, 76 anos, residente na zona da Lamacheira, disse estar sem telefone fixo, internet e televisão desde o dia 10 de dezembro, um serviço que lhe “faz falta para ligar ou receber chamadas” dos netos, filhos e familiares emigrados.

“Tem sido muito complicado passar o natal sem os serviços e agora ir passar outra vez o ano novo sem falar com ninguém da minha família”, lamentou, tendo relatado as despesas já efetuadas com os carregamentos de telemóvel.
Laurinda e Arsénio Estriga, casal de 70 e 72 anos, respetivamente, confirmou ter o mesmo problema, em avaria que decorre desde o dia 10 de dezembro, dia do temporal ‘Ana’. “Entre o dia 10 e 27 ficámos sem nada [tv, internet e telefone]. No dia 27 voltou e na sexta-feira foi-se tudo outra vez”.

Revoltada estava também Conceição Félix, 57 anos, que criticou a falta de respostas na reposição dos serviços e lamentou não poder ter os familiares perto de si, em casa, em altura de natal, ano novo, e férias escolares.
“Querem ver televisão, não tenho televisão. Vêm cá a casa e querem ir à internet, não tenho serviço. Quero fazer uma chamada não tenho telefone. É uma tristeza passarmos esta altura do ano sem nada. E da Meo não respondem, nem dão previsões. Não fazem nada. É uma tristeza e das grandes”, afirmou.

Os habitantes contactados pelo nosso jornal continuam a esta hora a espreitar nervosamente o telefone, a televisão e a internet na esperança da reposição de serviços. Mas as esperanças já eram poucas ou nenhumas ao final da tarde deste domingo.

“Já não acredito que venha ninguém. É muito triste passar o natal e o ano novo sem serviços. Mas dia 2 [terça-feira] vou voltar a queixar-me, seja lá onde for”, assegurou Conceição. Entretanto, para não passar a noite de passagem ‘às escuras’, vou para casa da filha, para ter companhia.
Contactado pelo mediotejo.net, a chamada telefónica remeteu para o departamento de apoio técnico da MEO e esta revelou-se inconsequente, obtendo apenas dos serviços a informação que o tempo de espera poderia ser “superior ao habitual”.
A MEO é uma marca da Altice Portugal, e mantém no final de 2017 a liderança destacada nos serviços móveis, de acordo com o relatório que a ANACOM divulgou recentemente. Para o regulador do setor, a MEO lidera com 43,8% de quota de mercado, somando mais 0,6pp relativamente ao período homólogo de 2016 e mais 13,8pp do que o segundo operador.
Se a MEO é o operador de eleição dos portugueses, também o é em termos de insatisfação. Segundo o Portal da Queixa, no campo das empresas privadas, os operadores de telecomunicações, nomeadamente a Meo e a Nos, continuam a liderar as queixas dos consumidores. Em dezembro, a operadora da Altice registou 4.965 queixas e a Nos 3.607.
Este ano, a Segurança Social passou a liderar a lista das instituições públicas com mais queixas e a ser a quarta entidade com maior número de reclamações, atrás da Meo, da Nos e dos CTT – empresas que lideram o ranking.

Falta uma informação neste artigo. A MEO é o único fornecedor disponível no Tramagal?
Bom dia. Não é o único prestador de serviços mas foi só deste que as pessoas se queixaram na Assembleia de Freguesia realizada no dia 27 de dezembro. obrigado
também estamos sem serviço na minha casa, mas só faz 9 dias (Amadora).