GD Alcaravela 1 GDRC Tramaga 1 (0-3 GP)
Taça Fundação INATEL – Meias Finais – 19 de Março de 2023
Campo Futebol de Santa Clara (Alcaravela – Sardoal)
Tarde quente a cheirar a verão e com muito público a assistir a um jogo de futebol de interesse elevado, não só porque estava em causa a passagem à final da Taça Fundação Inatel 2022/2023, como se iriam defrontar duas formações candidatas ao título de campeão, a ver pelos desempenhos de ambas no campeonato.

A equipa de Alcaravela (Sardoal), uma das poucas equipas nacionais sem derrotas oficiais em Portugal, recebia no seu reduto a de Tramaga (Ponte de Sor), apenas com uma derrota nesta que é a sua primeira participação no Inatel, após longos anos sem dar futebol aos seus adeptos.

As duas equipas lideram os seus respetivos grupos no campeonato distrital e chegar à final de uma competição é sempre ambição e objetivo para qualquer uma. Mas este era um encontro de “mata-mata” em que só uma poderia passar, nem que fosse nos penáltis, e chegar ao destino desejado: a final da Taça a disputar dia 25 de abril, em Pontével.
O encontro começou vivo, tal como se esperava, com a equipa de Tramaga a beneficiar de um pontapé de canto logo no primeiro lance do jogo. Dele nada resultou, graças à atenção da defesa alcaravelense que afastou o perigo.

Três minutos depois, foi a vez de Nando Lopes colocar à prova os reflexos do guarda-redes Ângelo, que seria determinante no desfecho da eliminatória (mas sobre isso já lá vamos).
A primeira grande oportunidade de golo pertenceu ao Alcaravela, através de uma jogada de antologia, com a bola a ser transportada em velocidade por Nando Lopes pelo flanco direito a cruzar para o centro da área solicitando remate de João Mourato que viu Ângelo negar-lhe o festejo. Na sequência da defesa incompleta, a bola ainda sobra para Frederico Silva que atira muito por cima, quando tinha tudo para fazer melhor.

O esférico não tinha descanso num jogo vivo e com as equipas a proporcionarem um bom espetáculo. Só faltava a eficácia dos atacantes, mas para isso estavam lá as linhas defensivas (bem definidas e atentas).
Sucediam-se lançamentos longos de linha lateral, pontapés de canto, livres diretos e indiretos que não chegaram para atormentar em demasia os guardiões das redes dos dois emblemas.

Chegados ao minuto 23, numa excelente arrancada individual de João Mourato que tirou três adversários do caminho, rematou forte à baliza com a redonda (caprichosamente) a embater num dos defesas e a sair pela linha final, quase traindo o guarda-redes de Tramaga.
Na melhor fase do jogo, é a equipa forasteira que chega à vantagem. Jogada rápida pelo lado direito do seu ataque, cruzamento para a zona da marca de penalty e (após) alguma confusão, o esférico “espirra” para Francisco Rodrigues, que mesmo no meio de dois centrais, consegue bater João Simão e colocar a Tramaga em vantagem à passagem do minuto 25. Erro coletivo dos homens da casa que até então estavam com mais clareza nos processos.

Acusando o golo sofrido, o Alcaravela quase sofria o segundo, a cinco minutos do termo do primeiro tempo. João Simão é testado por Edgar Rodrigues que o obriga a esforço extra e a afastar para canto um golo quase cantado.
Até final da primeira metade de jogo e já a pensar no que poderiam fazer nos últimos 40 minutos, as equipas “encolheram-se” um pouco (talvez também devido ao calor que se fazia sentir) e o jogo foi para intervalo, sem mais oportunidades de golo.

Era tempo da tradicional romaria ao bar para refrescar as gargantas e a alma, porque não só o tempo estava quente como a segunda parte prometia. E, de facto, não podia ter começado melhor para as cores da casa (a maior parte da falange de apoio saiu do bar a correr para ver).
Decorriam apenas dois minutos após o apito de Júlio Paixão para o reinício da partida quando João Gaspar é carregado dentro da área quando fugia a João Antunes. O árbitro não teve dúvidas (nem ninguém) e, sem hesitar, aponta para a marca dos onze metros onde, Marco Lopes também não hesitou e restabeleceu a igualdade que tanto o Alcaravela procurou no primeiro tempo.

O Campo de Santa Clara virou um autêntico caldeirão com os adeptos afetos aos azuis a não mais se calarem a partir de então.

E as bancadas só não vieram abaixo, porque Frederico Silva, aos 6 minutos, fez o mais difícil que foi falhar num lance onde só tinha o guarda-redes pela frente. Demorou na decisão e deixou-se antecipar por um defesa contrário que, vindo de trás, lhe tirou o pão da boca. Que perdida!
Ao minuto 9, Rui Serras decide tirar de campo o esgotado Nando Lopes (muito correu e fez correr), entrando para o seu lugar Eduardo Dias.

A equipa ganhou maior amplitude e ia construindo lances atrás de lances em que, de uma forma ou de outra, a equipa de Tramaga (e principalmente o seu guarda-redes Ângelo Barata) lá ia resolvendo.
O mínimo 20 foi de grande emoção onde alguns corações iam parando. O Alcaravela, fruto do seu autêntico poder de ataque, beneficia de três pontapés de canto, alternados entre os lados direito e esquerdo, onde (definitivamente) surgiu o homem do jogo: Ângelo Barata, guarda-redes do Tramaga, fazia aquilo que os companheiros de equipa não iam conseguindo.

E até final do jogo assim foi. No espaço de dez minutos, a escuderia de Santa Clara beneficiou de mais de dez pontapés de canto e o protagonista em destaque era sempre o mesmo.

E foi assim até ao fim do tempo regulamentar. O Alcaravela deve a si próprio (é um facto) não ter conseguido resolver a eliminatória nos 80 (e poucos) minutos de jogo. Oportunidades não faltaram mas, ou por inércia, infelicidade ou por encontrar pela frente um homem com luvas de aço, o que é certo é que tudo se iria resolver no desempate de pontapés de grande penalidade.
O Tramaga trabalhou muito e acabou por tirar daí os seus dividendos. Sobre aproveitar quando o adversário falhou e soube aguentar quando o adversário apertou. A mágica marca de 11 metros iria decidir um dos finalistas da Taça Fundação Inatel desta época.

E aí chegados, adivinhem quem brilhou? Só foram necessários três “tiros” para cada lado. O Alcaravela não conseguiu converter nenhum contra os três certeiros do adversário e com Ângelo Barata (Tramaga) a ser o herói da partida que teve honras de glória por parte dos companheiros.
Arbitragem sólida e sem qualquer interferência no jogo nem no resultado. A Tramaga carimbou assim o acesso à final da Taça Fundação Inatel de Santarém, troféu que vai disputar com o Seiça, que eliminou o Pontével (também nos penaltis), no próximo dia 25 de abril, precisamente em Pontével.
FICHA DE JOGO:
Grupo Desportivo de Alcaravela:

João Simão, David Santos, Bruno Santos (cap.), Marco Lopes, Fernando Lopes, João Mourato, Eduardo Monteiro, Marco Covas, Frederico Silva, João Paulino e João Gaspar.
Suplentes: Vasco Lopes, Eduardo Góis, Bruno Gaspar, Ricardo Dias, André Lobato, André Bento, e Francisco Reis.
Treinador: Rui Serras.
Grupo Desportivo RC Tramaga:

Ângelo Barata, Mário Moreno, João Antunes, David Nobre, Francisco Matos, Edgar Rodrigues (cap.), Francisco Pepe, Ricardo Cunha, Rúben Nunes, Francisco Rodrigues e Milton Neto.
Suplentes: Paulo Mendes, Miguel Ferreira, Luis Rosa, Carlos Real, David Silva e José Galveias.
Treinador: Cláudio Simões.
GOLOS: Marco Lopes (Alcaravela); Francisco Rodrigues (Tramaga).
GRANDES PENALIDADES: Ricardo Cunha, Francisco Rodrigues e Rúben Nunes (Tramaga).

EQUIPA DE ARBITRAGEM: Júlio Paixão, José Tavares e Luís Ernesto.
No final ouvimos os treinadores das duas equipas que expressaram sensações antagónicas:

ÁUDIO | RUI SERRAS, TREINADOR DO GD ALCARAVELA:

ÁUDIO | CLÁUDIO SIMÕES, TREINADOR DO GDRC TRAMAGA:
