Câmara Municipal do Entroncamento. Foto: Arlindo Homem

A mais recente reunião do executivo municipal do Entroncamento foi marcada por um confronto político em torno do desempenho da vereadora Maria Alexandra Figueira e do funcionamento do executivo, com o vereador Rui Madeira (coligação “Viva o Entroncamento – PSD/CDS”) a questionar a falta de trabalho visível na área da educação e a rejeitar qualquer bloqueio por parte da oposição. O presidente da Câmara, Nelson Cunha, defendeu a atuação da vereadora, assegurou que projetos estruturantes estão em desenvolvimento e criticou a postura que considera negativa do eleito social-democrata.

Rui Madeira começou por referir-se ao elogio feito durante as comemorações do 25 de Abril à vereadora Maria Alexandra Figueira, destacando que, embora considere positivo incentivar a participação feminina na política, a atual vereadora “não é a primeira mulher na política, nem a primeira vereadora, nem a primeira presidente da Assembleia Municipal, nem a primeira presidente da Câmara Municipal do Entroncamento”.

O vereador da oposição criticou ainda aquilo que considera ser uma tentativa de criar a ideia de que existem entraves ao trabalho da vereadora, rejeitando essa leitura. “Não é da nossa parte que colocamos problemas ao trabalho da senhora vereadora, nós queremos é que trabalhe”, afirmou, apontando como exemplos a ausência de desenvolvimentos na carta educativa e no plano municipal educativo, temas que, segundo disse, têm sido repetidamente questionados sem respostas concretas.

ÁUDIO | Rui Madeira, durante a última reunião do executivo

Rui Madeira sugeriu também existir uma “sintonia” entre o PS e o Chega no executivo, alegando que várias iniciativas atuais resultam de mandatos anteriores socialistas. Ao mesmo tempo, levantou dúvidas sobre o desempenho da vereadora, afirmando que “tem trabalhado pouco” face às funções e ao vencimento, acrescentando que “nunca conseguimos ver nada”.

O vereador relatou ainda um episódio que lhe terá sido transmitido, segundo o qual a vereadora terá recusado intervir num evento na área da educação por não se sentir preparada, questionando: “se não está preparada para falar num evento sobre educação, então está preparada para quê?”. Rui Madeira concluiu defendendo que não constitui uma “força de bloqueio” e que pretende ver o trabalho do executivo “acelerar”.

Na resposta, o presidente da Câmara, Nelson Cunha, optou por não “alimentar polémicas”, mas acusou Rui Madeira de manter uma postura “ressabiada política”, associando-a a derrotas eleitorais anteriores. Ainda assim, garantiu que a vereadora está a cumprir as suas funções: “está a fazer o trabalho que lhe compete”, assegurando que tem estado ativa, sobretudo na área da ação social, e “em cima de todos os assuntos que se passam na cidade”.

Nelson Cunha indicou que a carta educativa está em elaboração e que os documentos estratégicos do município serão apresentados em breve, sublinhando que, em seis meses de mandato, já foram realizadas auditorias em áreas como a segurança e as escolas, algo que, disse, “nunca tinha sido feito”.

ÁUDIO | Nelson Cunha, presidente da Câmara Municipal do Entroncamento

Quanto às críticas sobre o desempenho e o salário da vereadora, o presidente respondeu que essa avaliação deverá ser feita no final do mandato: “vamos fazer o balanço final daqui a quatro anos”.

O autarca rejeitou ainda entrar em discussões baseadas em publicações de redes sociais, defendendo que esse tipo de debate “não leva a nada que seja profícuo para o concelho”. Criticou também o que considera ser uma postura excessivamente negativa por parte de Rui Madeira, contrastando-a com uma atitude que classificou como mais “construtiva” por parte de outros eleitos.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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