A proposta da Infraestruturas de Portugal (IP) para ligar as zonas industriais de Riachos (Torres Novas) e do Entroncamento à A23, um investimento do Governo na ordem dos 8,35 milhões de euros, não agrada ao Bloco de Esquerda (BE) de Torres Novas, que já alertou em reunião camarária para o facto do acesso passar por zonas habitacionais. O partido tem uma proposta alternativa, apresentada à comunicação social na sexta-feira, 4 de agosto, que quer ver discutida em executivo. A dois meses das autárquicas, as novas acessibilidades às zonas industriais, anunciadas em fevereiro, parecem longe de estar fechadas.
Ainda não há data agendada para que a proposta do BE seja discutida em reunião de câmara, mas a vereadora Helena Pinto (BE) garante que foi o seu alerta para os perigos do traçado proposto pela IP que fez a proposta ser retirada de votação. Qual o problema? Esta passa por várias zonas habitacionais, saindo da A23 por Torres Novas e passando por localidades como o Nicho e Casais Novos (contempla aliás um conjunto de expropriações), e acaba por servir apenas o Entroncamento e não a parte de Riachos, que também necessita de ser potenciada. “Isto é o futuro do sul do concelho. É estruturante”, defendeu na mesma ocasião o deputado bloquista António Gomes.
Na conferência de imprensa a palavra foi de João Luz, candidato do BE à junta de Riachos, que recordou os muitos problemas e acidentes de que a vila foi vítima até que se criasse o acesso alternativo dos camiões à zona industrial. “Se esta solução for para a frente é um erro estruturante”, defendeu.

A proposta do BE é que a saída da A23 para acesso às duas zonas industriais contíguas se faça pelo nó da Atalaia, via IC3 e N365. Este desvio afastará, defende o BE, a circulação dos camiões das zonas de habitação, passando pelo campo desocupado e aproveitando acessos já existentes. Para tal “os custos das ex-scuts têm que baixar”, constatou João Luz, pois é essa taxa que faz os camiões desviarem-se para zonas habitadas. O caminho torna-se mais seguro e com passagem também pela zona industrial de Riachos.
“Nós conhecemos a realidade”, frisou João Luz, mas “parece que estamos presos a duas perceções que parece que não conhecem o terreno”, a da IP e a da maioria socialista. “A proposta do BE parte do conhecimento do terreno e traz racionalidade a estas opções”, declarou.
Os autarcas afirmaram que já contactaram algumas das empresas das zonas industriais e que a resposta é, no geral, positiva a esta nova abordagem da acessibilidade. Helena Pinto referiu que a proposta segue de seguida para o Governo e a IP, por forma a ser discutida.
Um pequeno placar com estas informações foi colocado pelo BE no largo de Riachos.
