Com fortes raízes na tradição e na cultura torrejanas, a Feira Nacional dos Frutos Secos, que decorre até domingo, dia 5 de outubro, “tem como objetivo principal dinamizar e dignificar o setor dos frutos secos e passados, a preservação dos saberes e sabores associados aos frutos secos, com principal destaque para a tradição, cultura e património” locais.
Durante a cerimónia de inauguração, o presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, Pedro Ferreira, destacou a importância do certame para a identidade e economia local, sublinhando o papel central das dezenas de produtores, expositores e visitantes.
“Sem os expositores não havia feira e sem os visitantes não tinha razão de ser a feira existir. Independentemente de ser o primeiro dia e da zona de onde venham e quanto mais longe melhor sinal de que esta feira vai tendo cada vez mais um implemento grande”, afirmou o autarca.
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Pedro Ferreira recordou ainda a evolução histórica da feira ,”que tem mais anos do que estes 38 anos” e a sua ligação ao passado agrícola de Torres Novas.
“Os frutos secos são uma imagem de marca, não estão no brasão de Torres Novas, só estão de uma forma indireta, mas fazem parte da vida dos torrejanos, das famílias de há muitos anos ligadas à agricultura, que era uma das grandes fontes de riqueza em todas as freguesias do nosso concelho”, declarou.
Entre os produtos em destaque, o autarca sublinhou a singularidade do figo preto de Torres Novas, considerando-o “único no mundo”, fruto das características do solo calcário e do “microclima local”.


Na sua intervenção, Pedro Ferreira não esqueceu as gerações passadas, afirmando que esta feira “é uma homenagem ao povo de Torres Novas, aos que já não estão cá, aos nossos avós e bisavós que trabalharam no campo e que ainda hoje nos deixaram figueiras desse tempo, merecendo o nosso respeito e aplauso”.
Mais do que uma mostra, a iniciativa pretende reforçar a ligação do concelho a um setor que faz parte da sua identidade. O figo preto de Torres Novas, produto distintivo da região, assume-se como protagonista, representando não só a tradição agrícola local, mas também a aposta na valorização e diferenciação do território.





Michele Rosa, responsável pela marca “Doce Terra”, é uma das produtoras presentes na 38ª edição da Feira dos Frutos Secos de Torres Novas. Porta-voz da associação Go Figo, que reúne 11 produtores de Torres Novas, é também a única produtora da associação a marcar presença no certame.
“As expectativas são sempre elevadas, até porque nós trabalhamos para isso e para este momento: para que as pessoas possam vir realmente degustar e comparar os produtos que estamos todo o ano a tratar e a cuidar, para chegar a esta altura com a banca cheia de figos e tudo o resto”, afirmou.
A produtora sublinhou a importância do evento como espaço de promoção e valorização do figo preto de Torres Novas.
“O certame é fundamental para dar a conhecer os figos que temos em Torres Novas. Aconselho sempre a procurar a produção, para realmente saberem o que é o figo de Torres Novas e poderem identificar e diferenciar. Podem gostar mais de uns ou de outros, mas o fundamental é valorizarmos aquilo que é nosso”, defendeu.

Michele Rosa explicou ainda que, apesar de ser atualmente a única produtora com pomares já em plena produção, o objetivo é que em breve outros membros da Go Figo se juntem com maior expressão. “Os outros produtores ainda estão a crescer. Este é um projeto iniciado em 2020, e embora já tenham começado a colher, ainda não é significativo. Por isso, estou aqui em representação da Doce Terra e naturalmente da Go Figo, que esperamos vir a ser a grande impulsionadora da comercialização do figo preto”, destacou.
Além do figo preto e do conhecido pingo de mel, Michele apresentou no certame outras variedades menos comuns no mercado, como o figo princesa, o figo lanjal e o corigo. “São figos diferentes: uns mais doces, outros com mais ou menos grainha. Mas nada como vir cá provar, para depois saber do que estamos a falar”.
Sobre o futuro, deixou ainda uma nota de esperança. “Esperemos que a feira continue a crescer, com mais produtores, e que possamos chegar a ter a dimensão que já teve em tempos. Esse é também o objetivo da Go Figo, não deixar morrer o figo em Torres Novas, porque realmente temos condições excecionais para a produção.”




Carlos Oliveira, responsável pela empresa C&C Frutos Secos, voltou a marcar presença na Feira dos Frutos Secos de Torres Novas, onde participa há três anos consecutivos. No setor há quatro anos, considera que a experiência tem sido positiva, razão pela qual continua a apostar no certame.
“Já estou neste ramo há 4 anos e já faço a feira também há 3 anos. Têm sido positivos estes últimos anos, daí nós também continuarmos a fazer. O facto de sermos de cá também ajuda, estamos próximos dos nossos, conseguimos mostrar um bocadinho daquilo que fazemos, daquilo que produzimos, daquilo que é nosso”, afirmou.
O produtor alertou, no entanto, para a diminuição do número de agricultores e para as dificuldades em garantir matéria-prima local. “Cada vez há menos produtores e a falta de produto nosso acaba por ser grande. Depois temos alguma dificuldade em encontrar os produtos, porque hoje em dia é complicado encontrar pessoas que realmente queiram trabalhar no campo. Mas temos que tentar melhorar esse aspeto”, explicou.

Ainda assim, Carlos Oliveira reforçou o papel da feira na promoção da produção local e nacional. “Esta feira acaba por ser importante para nós enquanto produtores e revendedores, porque conseguimos divulgar aqui o que é nosso e aquilo que temos de bom, não só na nossa terra, mas também no país. Acho que isso é importante e espero que continue assim por muitos anos”, concluiu.
Valter Gameiro, responsável pela Frutorres Secos, é já um nome incontornável da Feira dos Frutos Secos de Torres Novas. Com uma ligação familiar ao setor que atravessa três gerações, recorda que o negócio começou com o avô, produtor, e passou depois para o pai, comerciante e fornecedor. Há cerca de 10 anos, decidiu avançar com o seu próprio projeto, apostando não só na revenda, mas também na venda direta ao público.


“Eu iniciei o projeto há 10 anos, mas o negócio já vem de família. O meu pai está no negócio há 40 anos, antes dele já estava o meu avô. Eu, com a Frutorres Secos, dediquei-me mais à venda direta ao público, apesar de também termos quantidades para revenda. Faço a feira há cerca de 8 anos, mas acompanho o meu pai na feira há 30 anos”, contou.
Para o empresário, a feira é uma montra privilegiada do que de melhor se produz e comercializa em Torres Novas. “Enquanto há uns anos era muito pelos produtos da produção, agora já temos uma grande variedade. Nota-se que em Torres Novas é dos sítios onde se encontra mais variedade de frutos secos. Os próprios comerciantes de cá têm uma paixão por este negócio que nos faz correr atrás de várias coisas, de tudo um pouco”, destacou.

Valter Gameiro sublinhou ainda o fator diferenciador do certame em comparação com outros eventos nacionais. “Estou em feiras de norte a sul do país e, a nível de frutos secos, não há nenhuma feira que tenha tanta variedade, a bom preço e qualidade.”
Entre os produtos mais procurados, o responsável da Frutorres Secos destaca o figo preto, embora o figo branco também tenha grande saída. “Vendemos tanto o figo branco como o preto, mais ou menos nas mesmas quantidades”.
“Além disso, não se fala muito, mas nós temos também a passa de uva seca, que é a passa D. Maria em moscatel, que só se faz ainda à antiga aqui na zona das aldeias de Torres Novas. Enquanto que nos outros lados as pessoas não têm essa noção e não se vende muito, aqui as pessoas procuram muito a passa de uva também aqui da nossa zona”, acrescentou.
Ao longo dos quatro dias, o evento contará ainda com momentos etnográficos, exposições, atividades culturais e espetáculos, numa fusão entre tradição e inovação que procura envolver a comunidade e atrair visitantes de várias regiões.
Com esta feira, o município tem por objetivo consolidar Torres Novas como “capital dos frutos secos”, preservando saberes antigos, promovendo a qualidade e projetando a cidade no panorama nacional de eventos gastronómicos e culturais.
O certame é de entrada gratuita e decorre na quinta e sexta-feira entre as 18h00 e as 24h00; no sábado entre as 11h00 e as 24h00 e no domingo entre as 11h00 e as 21h00.
Programa:
Sexta-feira, 3 de outubro
• Tarde | Fanfarra Bizarra . música . itinerante
• 21h00 | 50-60 . música . Praça dos Claras
• 22h00 | Noite de Fados (com Manuel João Ferreira, Ana Paula Santos, Andreia Coelho e André Heitor) música . Praça dos Claras
Sábado, 4 de outubro
• Tarde | BOT’a RUFAR . música . itinerante
• Tarde | Torres Farra. música . itinerante
• Tarde | Ceirões, Passas e Barrões . teatro de rua
• Tarde e noite | José Marques . magia . itinerante
• 17h00 | Rancho Folclórico de Torres Novas . dança/música . Praça dos Claras
• 18h30 | Showcooking com Bruna Simões . gastronomia . Praça 5 de Outubro
• 22h00 | Classics Band . música . Praça dos Claras
Domingo, 5 de outubro
• Tarde | Torres Farra . música . itinerante
• Tarde | Companhia A TAL . teatro de rua . itinerante
• Tarde | Bandinha Mirense . música . itinerante
• Tarde | Ceirões, Passas e Barrões . teatro de rua . itinerante
• Tarde e noite | José Marques . magia . itinerante
• 18h00 | Rancho Folclórico «Os Camponeses» de Riachos . dança/música . Praça dos Claras
• 19h30 | Ricardo Dias . música . Praça dos Claras













Infelizmente, mais uma vez não me apercebi das datas da feira anual de Torres Novas. Se houvesse pelo menos uma newsletter.