A afluência da população foi grande à reunião em Casais de Igreja (freguesia de Assentis, concelho de Torres Novas). Foto: CUSMT

O flagelo da falta de médicos continua a atingir as populações, pelo que a comunidade da freguesia de Assentis (Torres Novas) reuniu-se em peso no dia 13 de novembro com a CUSMT (Comissão de Utentes de Saúde do Médio Tejo) para debater a prestação de cuidados de saúde e reivindicar a colocação de médicos. Para sábado, dia 19 , está marcado novo encontro, desta vez com a população de Ribeira Ruiva.

Na opinião da CUSMT “as populações não podem ficar prejudicadas e ficar caladas”, pelo que têm de “procurar reagir para que a sua voz possa ser ouvida e alguém se lembre que as dificuldades estão ali e que é preciso resolvê-las”.

Em termos de balanço, a reunião com a população da freguesia de Assentis na localidade de Casais de Igreja ultrapassou até as expetativas da Comissão de Utentes, disse ao nosso jornal José Paixão, porta-voz da CUSMT, em substituição de Manuel José Soares, sendo que além da presença, houve também uma boa participação por parte das pessoas que disseram “presente” para discutir os cuidados de saúde primários.

Na reunião estiveram também presentes Pedro Ferreira (PS), presidente da Câmara de Torres Novas, Luís Silva (PS), vice-presidente da autarquia, e Leonel Santos (independente), presidente da Junta de Freguesia de Assentis.

Entre as questões abordadas, levantou-se a questão de neste momento em Assentis a médica ter deixado de ir dar consultas – supostamente por ir para os Açores – e de, em Casais de Igreja, só ir uma médica uma vez por semana e que mesmo assim deixou de ir por ter sido deslocada para o processo de vacinação exatamente no dia em que deveria estar em Assentis (terça-feira).

Estas preocupações foram depois levadas pela CUSMT numa reunião com o ACES (Agrupamento dos Centros de Saúde) do Médio Tejo, onde Diana Leiria, a sua diretora, explicou que as escalas são feitas com algum tempo de antecedência e que “não houve de facto ali alguma atenção ou reparo no sentido em que naquele dia, a ter de ser transferida aquela médica para a vacinação, ficaria uma população em que a médica só ia uma vez por semana, sem médica, e que iria naturalmente ter isso em conta para que não voltassem a acontecer coisas desta natureza”, relatou José Paixão, sobre a situação de Casais de Igreja.

Quanto à situação de Assentis e sobre a informação de que a médica que estava a prestar ali serviço teria saído na perspetiva de ir para os Açores mas em que afinal não foi, a diretora do ACES “nessa perspetiva naturalmente se dispôs a ir perceber o que se passava com a médica”, disse José Paixão.

Uma das soluções mais imediatas para esta questão em Assentis e outras no concelho de Torres Novas, pode passar pelo alargamento da ação da USF (Unidade de Saúde Familiar) do Centro de Saúde de Torres Novas aos polos de saúde do concelho, deixando José Paixão o aviso de que mesmo esta não é uma solução imediata porque “tem de haver uma vontade de fazer a extensão para estes polos, mas também o tempo que depois demora a que isso aconteça e que sejam autorizadas”.

A “mais imediata é, obviamente, a procura de profissionais, principalmente médicos, sendo que “pode também começar a haver alguma dificuldade em enfermeiros e em outros profissionais de saúde”, notou.

Estes problemas no entanto, são comuns à restante região do Médio Tejo. Conforme explicou José Paixão, na reunião com o ACES, aproveitou-se a questão de Assentis para colocar a questão para todo o Médio Tejo, nomeadamente de “todos os problemas que há no ACES do Médio Tejo na dificuldade que tem de ter profissionais suficientes para poderem dar satisfação a toda a população e em todos os locais onde existem portas abertas para prestar cuidados de saúde primários”.

Além da questão de Assentis foi também analisada a situação de Ourém, “que tem uma perspetiva de ficar pior”, Abrantes, “que tem 10 mil utentes sem médico de família”, Alcanena, “que está com problemas”, e também o Entroncamento, adiantou o porta-voz da comissão de utentes.

“A questão continua a não ser fácil, continua a não haver médicos suficientes, nem mesmo para contratar, procuram-se soluções, é preciso dar soluções imediatas e essas soluções imediatas estão a ser cada vez mais difíceis porque os médicos que concorrem nem todos têm a expetativa de ficar”, disse José Paixão, adiantando ainda que foram informados na reunião que houve mais dois médicos a pedirem a exoneração, o que “apresenta de facto uma situação difícil em soluções imediatas”.

As soluções definitivas existem em perspetiva mas demoram, afirmou ainda José Paixão ao nosso jornal, sendo que estas “não tem tanto a ver com o ACES (…) tem a ver com as opções que têm de ser feitas pela ARS Lisboa e Vale do Tejo mas também pelo ministério, que é encontrar soluções para que os médicos se possam estabilizar na zona da ARS nos cuidados primários e que possam ser criadas condições para que eles se sintam bem e queiram ficar e continuar”.

“Isso passará naturalmente por questões financeiras, salariais, mas também por criar condições onde se sintam bem, de funcionamento, de estruturas, e isso aí tem muito a ver com as decisões que forem tomadas quer pelo ministério quer pela ARS Lisboa e Vale do Tejo”, defendeu.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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