Sónia Sousa tem 35 anos e é a mais jovem vereadora da Câmara de Torres Novas. FOTO: mediotejo.net

Sónia Sousa, 35 anos, é o rosto dos jovens no executivo socialista de Torres Novas. Em outubro substituiu Paulo Tojo, que renunciou ao mandato, e tem pela frente o último ano do mandato de Pedro Ferreira. Tem dois filhos e um percurso profissional como assistente social, tendo-se envolvido em vários projetos de voluntariado ao longo da carreira. Há dois anos um problema de saúde fê-la viver um dos momentos mais difíceis da sua vida. Recuperou e seguiu em frente. Ao mediotejo.net frisa: “o que nos caracteriza como mulheres é a capacidade de resiliência”.

Não foi uma conversa de mulheres, mas a faixa etária e o género terão ajudado à empatia entre jornalista e entrevistada. Sónia Sousa chegou há pouco tempo à Câmara de Torres Novas, mas há muitos anos que faz parte da vida autárquica do concelho. Foi líder da juventude socialista de Torres Novas, deputada municipal e integrou a comissão política concelhia do PS de Torres Novas. Nesta terra nasceu, apesar da vida a ter movido entre várias localidades, como o Entroncamento, Castro Verde, Vila Franca de Xira ou Lisboa. Apesar de tudo, sempre quis regressar a Torres Novas. “Sou uma pessoa saudosista. Mesmo em Santarém tinha orgulho de dizer que era de Torres Novas”, comenta.

Enquanto estudante foi uma interessada pelos movimentos de cariz social, tendo sido presidente do Núcleo de Direitos Humanos do Instituto Superior de Ciências Sociais e Humanas. “Tive a oportunidade de organizar várias conferências com a Amnistia Internacional. Uma em particular sobre violência doméstica, nos primeiros tempos em que se falou no tema”, tendo conseguido juntar para o debate um número considerável de pessoas. “Durante a minha vida académica tive oportunidade de juntar pessoas e organizar coisas”, recorda.

“Tudo isto é política”, constata. “Toda esta aprendizagem académica e mesmo a vontade de aprender mais. Aprender a Ser”. Lentamente foi-se identificando ideologicamente e fez a entrada no movimento partidário. A oportunidade de integrar o executivo de Pedro Ferreira foi assim para ela “uma honra” por “estar desta forma a contribuir”.

Sónia Sousa ficou com os pelouros da Juventude, do Turismo, das Geminações, acompanhando ainda a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) e a gestão do Canil Intermunicipal. Uma das suas prioridades neste momento é a instalação da Loja Ponto Já em Torres Novas, que procurará apostar em dar formações e ir ao encontro das necessidades dos jovens. “Estamos a unir esforços”, salienta, no objetivo de “motivar os jovens a participar na vida social, desenvolver os valores da cidadania”, por meio da promoção de atividades, como um Festival da Juventude. Pensado já para este ano, terá concertos e debates, com temas como o cyberbullying ou a violência no namoro.

Vereadora tem os pelouros da Juventude, do Turismo, das Geminações e acompanha o Canil Intermunicipal e a CPCJ. FOTO: mediotejo.net

No que toca ao Canil, parece estar para breve a construção do gatil e assim aumentar a capacidade de resposta da estrutura, adianta. A vereadora destaca a colaboração com a Associação Protetora dos Animais (APA) de Torres Novas, salientando a necessidade de trabalhar em rede. “Estamos a trabalhar no sentido de lhes facultar um espaço para que possam trabalhar”.

Sendo uma das vozes da juventude de Torres Novas, Sónia Sousa destaca a importância do recentemente criado Conselho Municipal de Juventude. “É o órgão consultivo por excelência do município sobre questões de juventude”, explica, adiantando que os participantes, associações de juventude e representantes dos partidos locais, poderão colaborar nas execução das políticas de juventude, como em questões de emprego, educação, desporto, etc. “Estamos a sensibilizar as associações de jovens a registarem-se, porque podem passar a candidatar-se às ações do Instituto Português de Desporto e Juventude”, refere.

Sobre a juventude na política é uma otimista. “Penso que os jovens estão cada vez mais a ser chamados a dizer o que pensam”, constata. “Trazem motivação, nova dinâmica, trazem sempre algo novo” e permitem “alavancar as coisas” com perspetivas diferentes. “É importante os jovens terem voz e serem chamados a participar”, refere.

O facto de ser mulher e não ter um elevado número de pares na política não a inibe. “Tenho muito apoio familiar. Não precisei assinar um contrato com o marido. Viver em família não é diferente de viver em comunidade. Todos os elementos são importantes”, frisa. “As mulheres têm um poder excepcional de criarem novos meios de rentabilização dos recursos existentes. Têm a imaginação para dar a volta à questão”, comenta rindo.

Sónia Sousa nota que as novas gerações estão mais preocupadas com as questões de género. Com o crescimento do número de mulheres a chegarem a cargos de direcção, vai-se perdendo também o medo de “levantar o dedo”. “Temos que nos erguer e dizer: Nós queremos melhorar o mundo!”, sublinha. O facto de estar na sua posição deixa-a por tal orgulhosa. “Gosto de servir de exemplo. Espero ser o rosto das mulheres jovens que não têm receio de enveredar pela vida política e de procurar um mundo melhor”.

Sobre o futuro de Torres Novas, constata que o concelho está a crescer e que é necessário saber utilizar o quadro legar existente para encontrar soluções. “Os conselhos municipais são um avanço nas políticas públicas, envolvendo a comunidade. Tenho expetativa que no próximo conselho municipal de juventude possam participar mais observadores”.

Sónia Sousa faz também yoga e meditação. Já no final da entrevista recorda um problema grave de saúde que a obrigou a um doloroso processo de recuperação. Conseguiu recuperar, seguiu em frente, mas a vida ganhou uma nova perspetiva, elogiando o trabalho que médicos e enfermeiros desempenham nos Hospitais. “O que nos caracteriza como mulheres é a nossa capacidade de resiliência”, termina.

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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