Rui Rio sublinhou ainda a necessidade de se investir mais no setor agrícola Foto: mediotejo.net

O candidato do PSD às eleições legislativas de 30 de janeiro, Rui Rio, esteve na manhã desta sexta-feira, dia 14, na empresa Digidelta, em Torres Novas, iniciando assim um dia de visita ao distrito de Santarém. Para Rui Rio, a empresa torrejana dedicada a equipamentos de comunicação digital é demonstrativa daquilo que o seu programa eleitoral pretende: criar empregos e melhores salários.

Sendo a “primeira prioridade” da sua campanha criar “melhores empregos e melhores salários”, a Digidelta representa para o candidato o que se pretende em termos globais para a economia. Um crescimento sustentado, com bons níveis de produtividade que permitam um aumento de salários sem ser por decreto, ou seja, explicou, “que seja a realidade a levar ao aumento de salários e que não seja uma coisa artificial, que depois se paga mais tarde”, nomeadamente pelos mais frágeis, por norma os primeiros prejudicados.

Questionado pelo mediotejo.net sobre as mais valias da região do distrito de Santarém para a estratégia nacional, Rui Rio focou a agricultura. “Tem diversas potencialidades, é um distrito onde a agricultura é muito relevante”, defendendo que o país tem que olhar mais para esse setor, que tem estado muito dependente das importações alimentares.

Rui Rio visitou a Digidelta, uma empresa torrejana de comunicação digital Foto: mediotejo.net

Observou ainda o envelhecimento da população ativa ligada à agricultura, boa parte situando-se acima dos 60 anos. “Nenhum setor tem futuro se não tiver jovens”, comentou, pelo que “é aqui que temos que atuar”.

Também em declarações ao mediotejo.net, a cabeça de lista da distrital do PSD de Santarém, Isaura Morais, frisou que o objetivo da campanha é a vitória, levando as mesmas preocupações que em 2019, com muitos projetos por cumprir.

A intervenção nas acessibilidades e a requalificação da linha do Norte (Santarém – Entroncamento) foram alguns dos temas destacadas pela atual deputada, ex-presidente da Câmara de Rio Maior, assim como o foco na agricultura.

“Nós queremos defender neste distrito a agricultura” e “o mundo rural”, frisou, salientando a necessidade de apoiar as camadas mais jovens a integrar o setor. 

“Queremos aumentar o número de deputados”, referiu ainda Isaura Morais, sublinhando a importância que seja Rui Rio a vencer as eleições e o apoio da distrital a esse objetivo.

Classe média é a que tem levado “mais pancada”

O presidente do PSD disse ainda que a classe média “é a que tem levado mais pancada com a governação do PS”, sendo essa a razão da “polémica” criada pelo líder socialista no debate televisivo de quinta-feira.

O líder social-democrata afirmou estar convencido de que venceu o debate que teve com António Costa na quinta-feira à noite, salientando as “notórias dificuldades” do atual primeiro-ministro nesse frente-a-frente.

Para Rui Rio, “a prova mais evidente é que tentou arranjar uma polémica em torno da classe média, porque ele tem noção exata que o setor da sociedade que está mais contra a governação do PS é precisamente a classe média”.

“A classe média é a que tem levado mais pancada com a governação do PS, desde sempre (…), mas particularmente nestes seis anos”, disse, acusando António Costa de ter reduzido a classe média e transformado uma parte “em uma franja de pessoas mais desfavorecidas”.

Com o armazém cheio, a Digidelta é considerada um exemplo de dinâmica empresarial Foto: mediotejo.net

Rio voltou a referir os valores do salário médio, pouco acima dos mil euros, e da mediana salarial, da ordem dos 900 euros, para frisar que a classe média, aquela cuja robustez caracteriza os países desenvolvidos, “é fraca” em Portugal.

“Ele sente isso. Ele percebe isso e tentou inventar ali uma rábula em torno da classe média, porque percebeu que, no debate, não conseguiu vincar grandemente as suas opções, ou se conseguiu elas não convencem os portugueses face aos seis anos que ele tem de governo”, acrescentou.

Rio esclareceu ainda que o que consta no seu programa sobre o acesso ao Serviço Nacional de Saúde quer “dizer mais ou menos a mesma coisa” que o que consta na Constituição, salientando que podia lá estar “tendencialmente gratuito”, em vez da fórmula de que “ninguém pode deixar de ser tratado por falta de meios financeiros”.

“Vai dar tudo mais ao menos ao mesmo”, disse, afirmando que António Costa “tentou criar ali um caso”, pois “tem uma equipa a trabalhar para ele [que] andou com uma lupa a ver os documentos todos que o PSD anunciou, a ver se na linha 38 da página 24 consegue apanhar alguma coisa. Não conseguiu grande coisa, conseguiu isto”.

O presidente do PSD reafirmou o convencimento de que, no debate, conseguiu “explicar de uma forma positiva” aquilo que pretende para o país.

“Acho que ganhei o debate, mas não sou assim tão triunfalista, não sou fanfarrão para estar agora aqui a dizer ‘ganhei, ele perdeu tudo’. Eu acho que sim, mas não é isso que é importante”, declarou.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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