O rio Tejo esteve no centro de uma sessão que decorreu na quinta-feira, 13 de setembro, na Biblioteca Municipal de Torres Novas. O ex-ministro e engenheiro civil António Carmona Rodrigues apresentou o seu livro “Rio Tejo”, uma edição dos CTT, e Rui Pires deu a conhecer o projeto 343 do Orçamento Participativo nacional – “por este rio acima” – que tem como objetivo valorizar as aldeias ribeirinhas do Tejo e combater a despovoamento.
“É uma riqueza passar estas páginas e ver o Tejo doutra maneira”, comentou Ana Infante, a quem coube a apresentação do livro de Carmona Rodrigues. O livro “Rio Tejo” é uma edição filatélica dos CTT, que incorpora um trabalho histórico sobre o rio da autoria do engenheiro civil. “A minha vida profissional é intrinsecamente ligada à água dos rios”, referiu, salientando a importância de se fazer um trabalho mais virado para o grande público.

“O rio Tejo é um rio especial”, explicou, sendo o mais comprido da Península Ibérica, o qual esteve no centro da formação de algumas importantes cidades portuguesas, como Abrantes, Santarém e Lisboa.
Carmona Rodrigues dissertou um pouco sobre as características das paisagens ribeirinhas desde a fronteira com Espanha até Lisboa e os desafios que estas proporcionaram às populações locais e à gestão nacional ao longo dos séculos. O livro encontra-se em português e em inglês.
Na sequência desta apresentação, Rui Pires deu a conhecer o seu projeto “por este rio acima”, que se encontra em votação até 30 de setembro no Orçamento Participativo Portugal. A ideia, orçada em 30 mil euros, prevista para dois anos e que ficará a cargo do Estado para concretização, pretende identificar aldeias ribeirinhas para promoção cultural, por forma a contrariar o despovoamento.
Refere a página do Orçamento Participativo Portugal: “vai levar-lhes teatro, música, poesia, dança, artes plásticas e outras formas de expressão, da foz até à nascente.
Serão selecionadas pequenas localidades (entre 6 e 10) com claros indicadores de despovoamento.
A animação virá da foz do RIO (povoações ribeirinhas dos distritos de Lisboa e de Setúbal) de preferência com a colaboração ou participação de artistas com raízes ou ligações a esses territórios. Como possibilidade, a entrada numa localidade de Espanha. Como ex-líbris, procurar-se-á também um bom exemplo de retrocesso do despovoamento”.
“Nos primeiros meses será feito o reconhecimento das nascentes e do território e serão escolhidas as localidades. Será criada uma plataforma on-line para introdução das entidades e artistas intervenientes, interligada a redes sociais. O projeto obriga por isso à aquisição de serviços e recursos humanos e a custos de comunicação, divulgação, alojamento, alimentação e transporte.
Considera-se a área governamental «Cultura», mas também pode ser considerada numa vertente de «Turismo cultural» e como tal em «Economia, Comércio, Indústria, Turismo e Energia»”, continua.
Esta mesma informação foi apresentada por Rui Pires aos presentes na Biblioteca Municipal, saudando a rápida resposta do município de Torres Novas à promoção do projeto. A maioria dos municípios que contactou, afirmou, nem lhe responderam. Este é um projeto cultural, com âmbito ambiental e de turismo para captar atenção para as aldeias do Tejo, explicou.

