Há muito que a população de Torres Novas anseia por um complexo aquático no concelho, integrado numa zona de lazer que propicie aos munícipes e aos visitantes momentos mais refrescantes, especialmente durante a época de verão.
Durante vários anos foi apontada a zona na Várzea dos Mesiões como local privilegiado para fazer nascer as tão ansiadas piscinas de verão de Torres Novas, chegando mesmo a ser executado um projeto para aquele local. Contudo, esse projeto nunca chegou a sair da gaveta e, segundo o presidente da Câmara, Pedro Ferreira, ali deverá continuar, conforme evidenciou em resposta ao mediotejo.net.
“Está bem dito, ‘projeto na gaveta’! O terreno da Várzea dos Mesiões nunca foi propriedade da câmara e a empresa proprietária pede um milhão de euros só pelo terreno – e um terreno com muitas limitações ambientais. Já a ex-fábrica de fiação [Fiação e Tecidos], propriedade da câmara, tem enorme potencialidade para um complexo aquático e merecerá especial atenção aquando da concepção do projeto final para os três hectares e meio de área e junto ao nosso rio Almonda”, adiantou o autarca.
Pedro Ferreira assegura que “havendo oportunidade e dinheiro, num futuro a curto prazo, poder-se-á pensar numa praia fluvial ou noutro tipo de piscinas” que respondam aos anseios da população.
Em resposta às críticas da oposição, lembrou ainda os valores em causa. “Umas piscinas a construir de raiz nunca custarão menos de três ou quatro milhões de euros. Nenhuma das forças políticas que defendem piscinas novas noutro local se pronunciou sobre o custo de tal investimento. Seria interessante fazê-lo”, desafiou o presidente.
“Desde que foram construídas as atuais piscinas cobertas que a população torrejana deixou de ter as designadas piscinas de verão. Procurou-se, nessa altura, criar um complexo aquático na Várzea dos Mesiões, que nunca viria a acontecer por questões de debilidade financeira à época do município e dificuldade de ultrapassagem de regras ambientais impeditivas de construção do referido complexo”, reforçou Pedro Ferreira, notando a necessidade de intervenção nas atuais Piscinas Municipais, que deixaram de responder com qualidade às necessidades dos utilizadores.

“O que restou da piscina de saltos tem vindo a servir sem qualidade a população torrejana no verão. Atualmente, as atuais piscinas, apesar de uma recente melhoria em termos energéticos têm necessidade urgente de outro tipo de intervenções, como pinturas, requalificação de balneários, equipamentos, etc. Repensado o enquadramento lúdico, técnico e ambiental para uma zona bem enquadrada na cidade, apostou-se num investimento que irá dar resposta à reabilitação das piscinas cobertas, (cerca de 52% do investimento a fazer), e a uma alteração profunda nas piscinas exteriores, aumentando-as, embelezando-as e criando uma zona de lazer que convidará a uma utilização mais qualificada no período de verão”, explica Pedro Ferreira.
Quanto à petição pública que circulou no concelho, contra o projeto apresentado pela maioria socialista, a pedir que desistam “da sua pretensão de alargamento do tanque de saltos”, com vista à construção das piscinas descobertas no Jardim das Rosas, subscrito por todas as forças políticas e assinado por cerca de 200 pessoas, Pedro Ferreira desvalorizou e lembrou os resultados das eleições autárquicas: “Respeitando o abaixo-assinado, não posso deixar de comparar com o total de habitantes do concelho, mais de 34 mil, e não esquecer que nos programas eleitorais nas três últimas eleições autárquicas sempre colocámos no programa eleitoral a alteração das piscinas exteriores. Ganhou-se com maioria. Tal confiança popular quererá dizer alguma coisa”, vincou.
Problemas de estacionamento vão ser colmatados com criação parques
Entre as críticas ao projeto de requalificação das Piscinas Municipais, surge a questão da concentração de demasiados equipamentos e serviços na mesma zona da cidade, como é o caso dos Paços do Concelho, da Loja do Cidadão, Escola Prática de Polícia, Biblioteca e Central do Caldeirão, entre outros, que poderá resultar em maiores dificuldades de estacionamento nas proximidades, onde os lugares para o efeito já começam a ser escassos.
Uma questão que Pedro Ferreira considera pertinente e para a qual diz haver soluções à vista: “A questão do estacionamento, questão importante ao nível do centro da cidade, passou a ter recentemente duas novas alternativas perto das piscinas: a zona do Viaduto do Rio Frio, adquirida pelo Município, e através de um contrato de comodato com a Rodoviária do Tejo, será também possível criar-se um parque de estacionamento na zona das antigas oficinas desta entidade, ao lado dos Correios. Por outro lado, o Almonda Parque, com novas regras, melhor vigilância e eventual criação de bolsas de estacionamento pagas, certamente ajudarão a melhorar o estacionamento na cidade”.
Deliberada pela Câmara e pela Assembleia Municipal a contratação do empréstimo bancário para a empreitada de requalificação das Piscinas Municipais, e aprovada a minuta do contrato com a entidade bancária, “irá ser lançado o concurso público para a obra, que demorará cerca de três ou quatro meses, seguir-se-á a adjudicação da obra, e o procedimento final será o envio ao Tribunal de Contas. Numa linha otimista, poderemos ver a obra concluída ao longo de 2024”, afirmou Pedro Ferreira.
Requalificação das Piscinas Municipais vai custar 1 milhão e meio de euros
O Município de Torres Novas pretende remodelar as piscinas municipais exteriores a partir da ampliação da área de lazer, no atual espaço, e parte do jardim público contíguo – Jardim das Rosas –, para além de estarem previstas outras alterações estruturais e trabalhos de manutenção no interior e exterior do edifício existente. Essa requalificação vai custar ao Município cerca de 1 milhão e meio de euros.
De acordo com o projeto, no espaço exterior será criada uma entrada, de acesso exclusivo a utilizadores das piscinas descobertas e será criado um deck suspenso, para aumentar a área de lazer ao ar livre (cerca de 465 m2), com a criação de uma estrutura metálica, com pavimento em deck e relva sintética que permitirá acolher um maior número de utilizadores em simultâneo.
No local, já existe um espaço junto ao rio que serve de casa de máquinas e arrecadação, que será transformado num espaço bar/café, equipado com bancadas, que também poderá ser utilizado por pessoas que não frequentem as piscinas, com a criação de uma entrada de acesso ao público utilizador do café/bar. E em redor do bar, haverá uma esplanada, com mesas, cadeiras e chapéus de sol. As máquinas de apoio às piscinas exteriores irão ficar dentro do edifício principal, na arrecadação por baixo da bancada.

A área a intervencionar passa a ter 2.090 m2 no total. Será reabilitada a piscina de saltos, que tem vários problemas estruturais e de perda de água, construindo-se uma piscina nova dentro da existente, revestida a pastilha cerâmica em degradês de verde-água.
Será feita a conservação da torre de saltos, que ficará sem utilização, pois a nova piscina, mais pequena, não permitirá a utilização destas pranchas. As pranchas serão preservadas, mas sem utilizadores, apenas para conservar um marco histórico das piscinas municipais exteriores.
Entre as duas piscinas, será criado um passadiço, com estrutura metálica, pavimento em deck compósito e corrimão em vidro autoportante laminado 6/6mm com fixadores e remate superior em calha de aço inox escovado.
A piscina de crianças existente será eliminada, e será criada uma piscina nova para público em geral com uma piscina para crianças/bebés incorporada. A estrutura destas novas piscinas será em betão armado, serão revestidas a pastilha cerâmica em degradês de verde-água, com caleira de transbordo tipo finlandesa.
A área ajardinada junto ao rio será reabilitada através de uma limpeza geral de toda a vegetação, contemplando uma área de relva e canteiros novos, de forma a ser utilizada como espaço de lazer, como o estender de toalhas.
As árvores serão algumas arrancadas e outras arranjadas e podadas, de forma a permitir a visibilidade do rio. Na zona a poente serão colocados alguns bancos, floreiras, papeleiras e ecopontos em betão pré-fabricado. A ampliação em deck e relva sintética poderá ser utilizada para chapéus de sol e espreguiçadeiras.
A margem do rio, junto ao edifício das piscinas será limpa e preservada com um trabalho de engenharia natural, composta com socalcos em estacas de madeira, réguas de pinho natural, camadas de pedra de rachão (30cm), terreno vegetal com vegetação ripícola, e bio rolos.
Com um acesso independente do acesso às piscinas, será colocado um cais para barcos, em madeira, e sistema de amarração por estacas, para acesso ao cais, ajustados à variação da cota do nível da água.
No espaço interior será pintado todo o edifício, zonas húmidas, balneários, piscinas, ginásio, circulação e bar; e zonas secas, receção arrumos e gabinetes e será realizada uma intervenção nos balneários de apoio às piscinas, com um aumento do número de chuveiros e instalação do sistema economizador de água em todos os chuveiros e torneiras, com torneiras de duche.

Serão construídas novas casas de banho para pessoas com mobilidade condicionada, com pavimento e azulejo idênticas ao existente nos restantes balneários, e todos os cacifos existentes, serão substituídos por novos, com sistema de abertura através de moeda e cartão de utente. O “estúdio 3” ou sala de musculação será transformado em balneário para crianças, com pavimento, azulejo (várias cores), terá todas as sanitas e três lavatórios com dimensão apropriada para crianças mais pequenas.
Será ainda prolongada a zona de bar do piso 1, em estrutura de betão com pavimento em deck compósito, de forma a proporcionar visualização sobre as piscinas interiores.
Para apoio à nova entrada para as piscinas exteriores serão feitas uma receção e umas instalações sanitárias de apoio aos utilizadores das piscinas exteriores.
De acordo com informação do Município, estão ainda previstas ainda as seguintes intervenções: requalificação dos balneários existentes, onde se inclui a reparação de portas e vãos degradados e substituição de redes de águas, esgotos, eletricidade e telecomunicações; substituição de elementos metálicos oxidados dentro da nave principal; reparação da cobertura, membrada e estrutura; ampliação da zona de lazer/café; implementação de medidas de auto proteção em todo o complexo, substituição da iluminação para “led” em todo o edifício; instalação de grupo hidropressor para aproveitamento da água dos tanques de compensação para a rede de rega do jardim das Rosas e do jardim romântico da Av. João Martins de Azevedo; iluminação exterior decorativa das piscinas atuais; e modernização dos equipamentos de recirculação e tratamento de águas em termos de eficiência.
