O presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, Pedro Ferreira (PS), afirmou estar solidário com os 106 trabalhadores alvo de despedimento coletivo pela CMG – Cerâmicas, tendo manifestado “esperança” no futuro e recordado, no entanto, que já não é a primeira vez que assiste a um desfecho infeliz para os trabalhadores da área da indústria, como das empresas Casa Nery e Fiação e Tecidos.
“Passei já por duas situações, na altura muito traumatizantes: o fecho da Casa Nery e o fecho da Fiação e Tecidos, aqui em Torres Novas. Foram dezenas largas de pessoas para o desemprego, algumas na pré-reforma, outras não. Um soco no estômago para muitas famílias”, relembrou o autarca, em declarações ao mediotejo.net, à margem da reunião de executivo de quarta-feira, dia 25 de outubro.
Apesar de o país estar a ultrapassar “uma fase má”, o autarca socialista mantém a esperança que “as empresas recuperem”, as instaladas e em maiores dificuldades, bem como nas que se vão instalar no concelho. É o caso do grupo Campicarn, uma referência na indústria de processamento de carnes, com sede em Vila Nova de Famalicão, que vai apostar numa unidade em Torres Novas que vai começar a laborar no 1 de janeiro, e que vai empregar cerca de 220 pessoas, uma informação avançada na reunião de executivo.
Questionado pelo mediotejo.net se estava a par da ‘má fase’ que a fábrica estaria a atravessar, Pedro Ferreira disse que já tinha recebido um contacto por parte de um dos sócios da CMG, que solicitou a sua colaboração, “numa altura em que estava posto em causa pela EDP o fornecimento de gás”. Recorde-se que em janeiro do ano passado, a Associação Portuguesa da Indústria Cerâmica (APICER) alertou para “o colapso eminente” do setor da cerâmica face aos custos da energia, e o gás natural é um dos “maiores consumidores” no contexto da indústria transformadora.
O presidente da Câmara explicou ao mediotejo.net que, nessa altura, intercedeu junto do Governo, e foi João Galamba (atual Ministro das Infraestruturas, que ocupava o cargo de secretário de Estado do Ambiente e Energia), que “tentou interceder e resultou”.

ÁUDIO | PEDRO FERREIRA, PRESIDENTE CM TORRES NOVAS:
No dia 13 de outubro, a CMG anunciou o despedimento coletivo de 106 trabalhadores. Na semana seguinte, em declarações à Lusa, António Amaro Costa, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Cerâmica, Cimentos e Similares, Construção, Madeiras, Mármores, Cortiças do Sul e Regiões Autónomas (STCCMCS\CGTP-IN), afirmou que o último pagamento foi efetuado no dia do despedimento.
“De manhã foram feitas as transferências, a seguir ao almoço os trabalhadores tinham o salário de setembro. Foi pago no dia 13 de outubro. Nada mais, neste momento nada mais foi pago. Nem indemnizações, nada. A empresa garante que os treze dias trabalhados em outubro vão ser pagos. O restante, e do conhecimento que tenho do que há, não vai haver dinheiro para pagar as indemnizações”.
A empresa CMG – Cerâmicas continua a laborar, com cerca de 60 funcionários.
