Foto ilustrativa: Pixabay

Um grupo de cidadãos de À-do-Freire, localidade da freguesia de Pedrógão (Torres Novas) denunciou na última reunião camarária uma situação “urgente” que envolve a presença de um rebanho de cabras em meio urbano, junto a várias habitações, com implicações ao nível da saúde pública das pessoas e de graves problemas ambientais, sendo indicada a presença de nuvens de moscas e mosquitos, a par de ratazanas e pulgas. A autarquia garantiu que vai acompanhar a situação em conjunto com as autoridades.

Foi Margarida Liberato, porta-voz do grupo, quem expôs a situação à vereação torrejana. Segundo esta moradora de À-do-Freire, este problema já é antigo, naquele que é um processo que já remonta há 20 anos, sendo que só há cinco é que o município teria resolvido o problema, criando condições para acolher o gado, sendo que “teve de ser ele próprio [o município] a arregaçar as mangas e a limpar o local, porque a situação era medonha”.

A situação estará agora de novo a afetar a população de À-do-Freire, segundo os moradores. “Naquele local correm ratazanas de todos os tamanhos, o senhor não limpa, deixa gado a morrer por todo o lado, deita cabritos para cima do estrume que nunca são enterrados… para além de estar ao pé de uma população, agravado com o ser uma pessoa indigente que não tem higiene, que não respeita nada nem ninguém”, relatou Margarida Liberato.

“Tivemos cinco anos no paraíso (…) cinco anos em que podíamos abrir uma janela. Porque eu estive 20 anos ali em que nunca pude abrir uma janela. Tivemos cinco anos em que pudemos comer nos nossos terraços. Tivemos cinco anos em que não eramos invadidos por moscas, mosquitos, pulgas que afetam várias pessoas (…). Tivemos cinco anos em que os desportistas que passam ali com frequência (…) passavam ali alegremente, porque antes disso diziam que nem podiam ali ir, porque sacudiam-se que as pulgas eram tantas que não podiam lá passar”, continuou a munícipe.

A porta-voz do grupo de cidadãos mencionou também “um cheiro que não se pode empacotar e trazer para aqui, porque eu garanto-vos que se eu pudesse empacotar o cheiro e trazer para esta assembleia, amanhã vocês provavelmente não tinham lá as cabras (…)”.

“Ninguém pode viver assim”, disse Margarida Liberato, apresentando depois um pacote repleto de mosquitos com alegada origem do curral das cabras, tendo relatado ainda o caso de um habitante que ao se ter esquecido da porta aberta se deparou com tantas moscas que “quase não se via o teto, pelo que o inseticida aplicado foi tanto que o obrigou a sair de casa.

“Isto é de tal forma grave que eu só peço isto: peço os vossos bons ofícios mas não é para daqui a um mês, é para amanhã, porque se for uma situação urgente, ninguém de vós aguentava isto ao pé da própria casa”, concluiu.

Margarida Liberato, porta-voz do grupo de cidadãos, com um saco cheio de mosquitos.

Pedro Ferreira (PS), presidente da Câmara Municipal, afirmou compreender a forma como Margarida Liberato expôs o assunto e a sua “exaltação positiva” e, afirmando-se “muito satisfeito” com a resolução há cinco anos de um problema que “na altura foi muito difícil de resolver”, disse não ter conhecimento desta nova situação.

O autarca assegurou que iria “de imediato fazer o ponto e saber que passos já foram dados e os que não foram dados e deviam ser dados para resolver o problema o mais rapidamente possível. Esse problema custou a resolver, resolveu-se, e o município não está disponível para continuar com problemas desses”.

Por sua vez, o vereador e vice-presidente da autarquia, Luís Silva, disse que o caso foi comunicado pelo presidente da Junta de Freguesia de Pedrógão, Paulo Simões (PS), e que a informação foi logo comunicada ao veterinário municipal, acrescentando Luís Silva que o sujeito em causa tem autorização para ter o gado.

Segundo o edil, está a ser proposta uma vistoria ao local para “ver de facto o estado em que se encontram os animais (…) está de facto a ser acompanhado, pela fiscalização municipal da parte do ordenamento do território, também já lá fomos, já foi feito um levantamento fotográfico do local e portanto um levantamento das condições do local, que também está a ser analisada essa área, e portanto estamos aqui atentos, estamos a trabalhar nisso”, garantiu.

Luís Silva afirmou ainda que sabe que já foi apresentada uma queixa no SEPNA (Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente – GNR) sobre este assunto.

“Estamos atentos, estamos a ver aquilo, estas coisas têm aqui alguns preceitos legais que têm de ser vistos, têm de ser analisados, aqui a opinião do veterinário é que há aqui um conjunto de normas que ele até está a cumprir, tem algumas autorizações, por isso temos de ver isto, têm que se mandar lá rapidamente a tal vistoria para averiguar as condições no terreno”, disse o vice-presidente da autarquia torrejana.

“É uma coisa que tem de ser acompanhada com as autoridades para ficar tudo definitivamente resolvido”, acrescentou ainda Pedro Ferreira.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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